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OPAS/OMS e Ministério da Saúde premiam quatros experiências no Dia Mundial da Saúde

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Quatro municípios provenientes de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Espírito do Santo receberam o Prêmio APS Forte no SUS, promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde no Brasil e pelo Ministério da Saúde. As práticas inovadoras da Atenção Primária à Saúde (APS) premiadas nesta quinta-feira, 7 de abril, data em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, foram desenvolvidas por profissionais de saúde das secretarias municipais de Vitória de Santo Antão e Jaboatão dos Guararapes (PE), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES).

O tema do prêmio foi Integralidade no Cuidado para ressaltar práticas desenvolvidas no Sistema Único de Saúde (SUS) que ultrapassam os cuidados biomédicos e que compreendem a saúde como resultado dos determinantes sociais e culturais nos quais os indivíduos estão inseridos. Nesta 3a edição, a OPAS/OMS no Brasil e o Ministério da Saúde premiaram as práticas que trabalham de forma multiprofissional e articulada com os outros pontos da rede assistencial para ampliar a capacidade de resolução das necessidades de saúde dos usuários.

“Neste momento, em que a OPAS/OMS completará seu aniversário de 120 anos gostaria de dizer que é um orgulho ter o trabalho desses profissionais ocupando um espaço tão especial na nossa história”, ressaltou a anfitriã da cerimônia, Socorro Gross, Representante da OPAS/OMS no Brasil. “O Sistema Único de Saúde do Brasil é o mais complexo e importante sistema sanitário do mundo, uma promessa dos constituintes que se materializa pelas nossas mãos. É dia de parabenizarmos todos que trabalham pela saúde pública, o SUS é um patrimônio de todos os brasileiros. Nós vamos aprimorar o SUS juntos”, afirmou o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga no evento. “Aquele voo turbulento hoje dá lugar a visualização de uma pista para um pouso seguro para um avião que leva 220 milhões de brasileiros”, ressaltou Queiroga se referindo ao arrefecimento da Covid-19 com o avanço da vacinação em todo país. Queiroga ainda citou ações que promoveram o fortalecimento sistêmico do sistema de saúde, como avanços na rede de vigilância, na ampliação da capacidade do complexo industrial da saúde, entre outros.

Confira as quatro experiências vencedoras do Prêmio APS Forte no SUS

Eixo 1 – Organização dos serviços de Saúde
Programa Saúde no Campo: ampliação do acesso à saúde em um município do interior Pernambucano. Vitória de Santo Antão/PE – relato da Coordenação de Atenção Primária do município de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, sobre a implantação do Programa Saúde no Campo como estratégia de ampliação de acesso às ações e serviços na área rural.

Eixo 2 – Integralidade e Equidade
Mediadores Interculturais na APS: Acesso e Acolhimento no SUS Porto Alegre/RS – relato da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, sobre a colaboração de mediadores interculturais imigrantes para desenvolver tarefas referentes ao acesso à APS, qualificação dos atendimentos, continuidade do cuidado.

Eixo 3 – Atenção nos ciclos de Vida
– – Cuidado integral à saúde das pessoas idosas residentes em ILPI: estratégias para a Atenção Primária ES Vitória – experiência apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde de Vitória, Espírito Santo, que descreve a experiência de implantação do Plano de Atenção Integral a Saúde da Pessoa Idosa residente em ILPI como instrumento organizador do cuidado individual e coletivo, integrando ações de assistência e vigilância em Saúde.

Eixo 4 – Promoção da Saúde

Conviver mais: atividade física através da intersetorialidade para munícipes do Jaboatão dos Guararapes PE – relato da Secretaria Municipal de Saúde de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, que descreve a experiência de promoção de práticas corporais e de atividade física regular para os cidadãos nos diversos espaços de lazer da cidade com inclusão social de idosos e pessoas com deficiência.

Presente na cerimônia de premiação, o General Pafiadache, Secretário de Saúde do Distrito Federal e representante do CONASS, ressaltou o papel da OPAS/OMS para o cuidado do planeta e o cuidado das pessoas, tema escolhido pela organização para o Dia Mundial da Saúde, celebrado hoje 7 de abril. “A saúde mental será uma grande demanda que os sistemas sanitários terão no pós-Covid e precisamos avançar nos cuidados das pessoas, trabalhadores e usuários”, pontuou. “É a APS que deve resolver 80% das demandas de saúde da população. Damos muita importância para a APS e no Distrito Federal a prioridade é reorganizar os fluxos da rede de atenção”, ressaltou.

“Os 1.151 relatos apresentados por servidores públicos do SUS no Prêmio APS Forte no SUS mostram que é possível uma APS aprimorada e valorosa lá na ponta. Há 30 anos construímos a APS no Brasil e esse trabalho reflete todos nós que fazemos parte desse sistema único. Só agora foi reconhecido como o maior sistema universal de saúde do planeta, que se mostrou ao mundo na campanha de vacinação contra a Covid-12”, disse o presidente do CONASEMS, Wilames Freire. “Todo recurso que se colocar na APS será revertido no cuidado da saúde dos brasileiros”, reafirmou.

O presidente da Anvisa reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde que atuam na pandemia da Covid-19. “Os profissionais de saúde fizeram renúncias de suas vidas, sacrifícios ao deixarem em segundo plano seus familiares e prosseguiram fazendo o seu trabalho no enfrentamento da Covid-19”. Barros se solidarizou com as vítimas da Covid-19 que nesta semana somaram mais de 660 mil vidas.

Experiências Finalistas
As oito experiências finalistas e reconhecidas como de excelência na cerimônia também demonstram a força do SUS para reduzir as iniquidades em saúde e melhorar a qualidade de vida de nossa população. Veja aqui o vídeo das experiências finalistas. São elas:

Eixo 1 – Organização dos serviços de APS para o atendimento integral.

– Acolhimento e atendimento multiprofissional em reabilitação pós covid-19. Palotina/PR

– Ampliação do acesso e monitoramento dos indicadores da APS em Canaã dos Carajás/PA

Eixo 2 – Integralidade e Equidade

– Quartas Transexuais: a atuação da equipe de saúde prisional no atendimento à pessoas LGBTQIA+ Brasília/DF

– Saúde nos terreiros como estratégia de promoção da equidade, integralidade e valorização dos saberes tradicionais Jaboatão dos Guararapes/PE

Eixo 3 – Atenção Integral nos Ciclos de Vida

– Marcas que afetam – acolhimento na automutilação SC Fraiburgo

– Projeto Flor do Mandacaru: apoio à saúde do adolescente e redução da gravidez na adolescência CE Sobral

Eixo 4 – Promoção da Saúde
– Horta Escolar, do vasinho ao pomar – experiência intersetorial de promoção da alimentação saudável no Programa Saúde na Escola RS Porto Alegre

– Inovação, articulação intersetorial, mobilização e assistência: um novo olhar para o cuidado integral dos tabagistas. Belo Horizonte/MG

A 3a edição do Prêmio APS Forte no SUS recebeu 1.151 relatos de experiências de todo país, divididos em quatro eixos temáticos. Chegaram na última fase de avaliação 12 experiências que demonstram a excelência do SUS, e que representam o empenho de todos os profissionais de saúde que trabalham diretamente na ponta, para ampliar o acesso à saúde, fortalecendo a continuidade do cuidado das populações, sobretudo das que estão em situação de vulnerabilidade social.

Antes da premiação, o professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e Cambridge Health Alliance, Robert Janett, apresentou as perspectivas da Atenção Primária à Saúde pós-Covid 19. Para ele, a pandemia de Covid-19 mostrou a importância dos sistemas sanitários fortalecerem a APS. “Os sistemas sanitários precisam se preparar para a 3a onda da Covid-19, que se revela no impacto da interrupção dos cuidados dos usuários com condições crônicas; e para a 4a onda, que se mostra o impacto na saúde mental dos usuários e dos profissionais de saúde”, afirmou. Veja aqui a apresentação – 

Pela manhã, os profissionais de saúde responsáveis pelas12 experiências finalistas do Prêmio APS Forte no SUS participaram de rodas de conversas com representantes da OPAS/OMS e da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.

O termo “APS Forte” passou a ser utilizado pela representação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil e pelo Ministério da Saúde a partir do estudo realizado com gestores, pesquisadores e especialistas envolvidos com experiências significativas na APS, em 2018, em decorrência do aniversário de 30 anos do SUS. Esse estudo foi publicado pela OPAS como Relatório “30 anos de SUS, que SUS para 2030). Link https://apsredes.org/sus-30-anos/

Análise das experiências e premiação
Das 1.151 inscrições ao Prêmio, foram classificadas 166 práticas como semifinalistas pelo comitê de avaliadores formados por especialistas em saúde pública, representantes dos conselhos dos secretários de saúde (Conass) e das secretarias municipais de saúde (Conasems), consultores da OPAS/OMS no Brasil e Ministério da Saúde que avaliaram se as experiências cumpriram os atributos da APS, especialmente, a integralidade no cuidado e o caráter de inovação. Depois um comitê técnico, formado por pesquisadores e consultores da OPAS/OMS e Ministério da Saúde, chegou nas 12 finalistas utilizando instrumentos avaliativos para pontuar as experiências. As quatro práticas premiadas foram escolhidas por um Comitê Especial formado por jornalistas especializadas em saúde e membros da OPAS e MS.
Como premiação, os autores das quatro experiências vencedoras vão participar de uma viagem internacional para intercâmbio de conhecimento com profissionais de saúde da Europa que trabalham em sistema sanitário focado na APS como coordenadora do cuidado em saúde.

Edições anteriores
Em 2019, a OPAS lançou a 1a edição da iniciativa APS Forte no SUS – Acesso Universal, que recebeu 1.294 inscrições, sendo que 11 experiências foram reconhecidas publicamente como finalistas e 3 foram premiadas como de excelência. Em 2020, ano em que o Brasil e o mundo foram desafiados pela pandemia de Covid-19, a OPAS e o Ministério da Saúde, com apoio do Conass e Conasems, lançaram a 2a edição do Prêmio APS Forte no SUS para registrar como os profissionais de saúde da APS estavam organizando a principal porta de entrada do SUS para enfrentar a Covid-19. Recebemos 1.471 relatos de experiências e 19 práticas foram reconhecidas, em evento online, como de excelência.

Publicação
Os autores e o público presente na cerimônia receberam a edição impressa na Série Técnica NavegadorSUS, editada pela OPAS/OMS e Ministério da Saúde, com os relatos das 12 experiências finalistas e o registro das 166 práticas classificadas. Além disso, as experiências premiadas vão compor uma edição especial da Revista APS, uma revista científica eletrônica editada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). As 12 finalistas participaram de lives para aprofundar as estratégias utilizadas. As gravações estão disponíveis no canal do Youtube do Portal da Inovação na Gestão do SUS e no site www.apsredes.org

Assista o vídeo das 12 experiências finalistas – https://youtu.be/v2KPJ65EOko

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