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Pesquisa nacional SB Brasil mostra a situação da saúde bucal dos brasileiros e experiências inovadoras do LIS Saúde Bucal são destaques do balanço da gestão do Ministério da Saúde

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O balanço da gestão da Política Nacional de Saúde Bucal ocorreu nesta terça-feira (13/12), em Brasília, com destaque para o resultado preliminar da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal da população brasileira (SB Brasil) e para a premiação das sete experiências inovadoras do Laboratório de Inovação Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente. A transmissão on-line do evento está disponível para todos no Portal da Inovação na Gestão do SUS.

O coordenador geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Wellington Carvalho, ressaltou a importância dos municípios na materialização da política nos territórios. “O Ministério da Saúde realizou ao longo dos últimos anos atividades relevantes, como a pesquisa nacional executada com instituições parceiras, como a Opas Brasil e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também reconhecemos os protagonistas da PNSB, que são os profissionais que levam o atendimento à população nos municípios”, ressaltou Carvalho.

O trabalho da professora e cirurgiã-dentista Efigênia Ferreira e Ferreira (in memoriam) responsável técnica da pesquisa nacional também foi reconhecido pela gestão. “Infelizmente, a Dra Efigênia nos deixou este ano, uma perda muito sentida por todos nós que fazemos saúde bucal pública, que lutamos; ela foi uma sanitarista exemplar, que trabalhou até o último dia, e serve de exemplo para todos nós”, disse emocionado, Wellington Carvalho.

Em seguida, a Coordenadora Estadual de Saúde Bucal do Mato Grosso, Andreia Nascimento, falou sobre o momento da realização da pesquisa SB Brasil. “A pandemia nos tirou da zona de conforto e a pesquisa nacional mostra o retrato dos diversos ‘Brasis’, bem diferentes, ainda que no mesmo estado. Entendemos a importância da pesquisa e do Previne Brasil, que é um grande desafio, e nos mostram todo dia como evoluir”, disse.

“Sabemos da importância do resultado desse levantamento que irá disponibilizar à gestão do SUS informações para o planejamento de políticas e programas de promoção, prevenção e assistência em saúde bucal nas esferas nacional, estadual e municipal. Desejo sucesso aos coordenadores estaduais que estão participando deste evento, fortalecendo e unificando em conjunto, as ações que visam a odontologia pública e seguindo os princípios da universalidade, equidade e integralidade”, comentou Gilmar Trevizan, representante do Conselho Federal de Odontologia, que também parabenizou as experiências exitosas do Laboratório de Inovação Política Nacional de Saúde Bucal.

Dando seguimento à cerimônia, o presidente do COSEMS/SC e representante do CONASEMS, Daisson Trevisol, ressaltou a importância da PNSB e parabenizou o trabalho realizado pela gestão. Roberto Tapia, coordenador da área de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS/OMS no Brasil, destacou as atividades do Laboratório de Inovação. “As atividades do dia são muito relevantes para nós, tanto a pesquisa SB Brasil, e especialmente os resultados da premiação do LIS Saúde Bucal, uma atividade em que a OPAS já vem apoiando diferentes áreas da saúde no Brasil, há mais de dez anos, com o levantamento de experiências e movimentos pioneiros das equipes de saúde em todo país. Seguiremos trabalhando para apoiar a saúde bucal no Brasil”.

Renata Costa, diretora do Departamento em Saúde da Família, da Secretaria de Atenção Primária em Saúde, do Ministério da Saúde, agradeceu o trabalho da equipe da coordenação de Saúde Bucal. “As nossas equipes de saúde da família e de saúde bucal trabalham juntas, temos visto a importância das equipes de saúde bucal no contexto do cuidado às pessoas em situação de rua, por exemplo, e as equipes de saúde da família ribeirinhas também, temos feito um trabalho tão importante para o Brasil, para o avanço no cuidado na saúde bucal da população”.

Também participou da abertura, a secretária adjunta de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Daniela Ribeiro, que ressaltou a mudança do financiamento da APS. “A gente passou a reconhecer melhor a saúde de milhões de brasileiros, de pessoas vulneráveis que as equipes hoje conseguem mapear, identificar e atender. Hoje a saúde está focada no indivíduo, em fazer uma política voltada para o indivíduo que está na ponta precisando, apesar dos desafios”.

Para Raphael Câmara, secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, o indicador da saúde bucal do Previne Brasil colocou a política em destaque. “Em fim de gestão é importante mostrar o que foi feito, o principal ganho que a assistência odontológica  teve foi ter colocado um dos indicadores no Previne Brasil, porque isso obriga as prefeituras a terem dentista, porque senão ela vai receber menos. Eu já rodei o Brasil todo e sempre vou nas Unidades Básicas de Saúde, nas salas de Saúde Bucal, e lá no começo não tinha tanto dentista, agora sempre tem. O indicador tem peso 2, ganha dobrado, se o gestor não colocar dentista ele tende a ser prejudicado, inclusive, teremos o evento do Previne Brasil nesta quinta-feira premiando os municípios que melhor performaram”.

 

Resultados da Pesquisa Nacional SB Brasil

 

Em seguida, o evento continuou com a apresentação da professora Andréa Vargas, da Universidade Federal de Minas Gerais, com os resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – SB Brasil. “Nós já tivemos no Brasil, quatro levantamentos epidemiológicos em saúde bucal, porque o Ministério da Saúde de dez em dez anos, tem feito esse trabalho com o objetivo de consolidar a PNSB, e o SB Brasil 2020 é o quinto. É a principal estratégia de vigilância em saúde bucal no eixo da produção de dados primários, sendo muito importante para a política”, enfatizou Vargas.

 

Vargas também sinalizou que o trabalho é feito por meio de parcerias entre Ministério da Saúde, UFMG, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, CONASS, CONASEMS e  CFO.

“O trabalho de campo é feito por meio de aplicação de questionário e exames bucais, com uma amostra de 50.800 indivíduos, foram sorteados 1.837 setores censitários, sendo 1.376 setores nas 26 capitais e no Distrito Federal e 461 setores em 397 municípios do interior do Brasil todo. Essa pesquisa também pretende ser representativa para as capitais, para as unidades federativas e para os municípios do interior de cada região”, explicou Andréa Vargas. O projeto passou por várias etapas até o início da coleta de dados em abril de 2022.

A pesquisa nacional forneceu estimativas preliminares para os seguintes agravos: cárie dentária em todos os grupos etários, uso e necessidade de próteses nos grupos etários de 35 a 44 anos e 65 a 74 anos, necessidade de urgência de tratamento em todos os grupos etários. “É importante enfatizar que como são resultados preliminares é possível que sofram mudanças ao final do levantamento e as comparações com resultados de levantamentos anteriores devem ser interpretados com cautela”, informou Andréa Vargas, que apresentou os dados detalhados da pesquisa e finalizou agradecendo a toda a equipe envolvida.

Na imagem acima é possível acompanhar o desenvolvimento da pesquisa.

Para Wellington Carvalho, “a PNSB está no caminho certo, ao alcançar 18 anos de criação, sendo a mais jovem do SUS, uma política que vem para começar a pagar uma dívida de décadas que o Estado tem com a saúde bucal dos brasileiros. Nós, profissionais da assistência odontológica do SUS, lidamos com problemas acumulados de muitas gerações, a gente se orgulha de ter uma odontologia conhecida como uma das mais avançadas do mundo. A gente começa a oferecer acesso, a menos tempo do que o SUS existe, uma dívida que estamos pagando e que vamos levar um tempo para chegar no ideal, onde todos os usuários terão acesso ao dentista, fazendo a prevenção e terem atendimento de qualidade e resolutivo quando necessário. A pesquisa aponta que estamos no caminho, mas ainda temos um percurso, principalmente, em relação à reabilitação dentária”.

 

Censo Demográfico da Odontologia

 

O Censo Demográfico da Força de Trabalho Odontológica no Brasil 2022 foi apresentado pelo cirurgião-dentista Rafael Arouca, do Conselho Federal de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ). “O objetivo foi descrever o perfil demográfico da força de trabalho em odontologia no Brasil, considerando as cinco categorias profissionais regulamentadas: cirurgiões-dentistas, técnicos de saúde bucal, auxiliares de saúde bucal, técnicos de prótese dentária e auxiliares de próteses dentárias. Usamos dados secundários do IBGE e do CNES, e dados de acesso restrito do CFO”, explicou Arouca.

Como resultado, a força de trabalho odontológica é composta, majoritariamente, por cirurgiões-dentistas (62%), seguidos dos auxiliares de saúde bucal (27%). “Temos essa dupla como predomínio absoluto da força de trabalho. É interessante perceber também a composição relacionando com a disposição regional, a gente vê que existe uma coerência entre as categorias”, pontuou Rafael Arouca. Os técnicos de saúde bucal têm 6%, os técnicos de prótese dentária 4% e os auxiliares de próteses dentárias 1%.

“Nós temos dois dados fundamentais para planejar qualquer política pública: saber quais são as necessidades da população, o diagnóstico da população, e o quanto de força de trabalho nós temos disponível para fazer o trabalho necessário. Essa gestão foi muito feliz em pensar nesses dois produtos”, ressaltou Wellington Carvalho.

Experiências inovadoras em Saúde Bucal

 

A relevância da premiação das sete experiências do LIS Saúde Bucal foi ressaltada na fala do coordenador da OPAS Brasil, Roberto Tapia, que destacou mais uma vez o trabalho colaborativo entre o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais e municipais de saúde e a organização internacional para selecionar as experiências vencedoras de cada eixo temático do Laboratório (Teleodontologia, Odontologia Hospitalar e Centros de Especialidades Odontológicas). Os vídeos completos sobre as experiências podem ser vistos na playlist do Portal da Inovação na Gestão do SUS.

Os troféus foram entregues a cada autor das sete experiências:

  • Diego Diniz, dentista, coordenador de saúde bucal e autor da experiência “Teleodontologia aplicada na vigilância em saúde bucal da gestante na Atenção Primária- Sorocaba/SP”

“É uma satisfação enorme estar aqui hoje, a teleodontologia é a mais recente na saúde bucal, dentro do SUS, trabalhamos na pandemia, melhorando o acesso da população aos serviços de saúde bucal, e a partir disso, a gente busca novas tecnologias para lidar com a possibilidade e uma delas foi a teleodontologia. Os desafios são enormes, a pesquisa tem mostrado bons indicadores, mas para vencer os desafios precisamos continuar e buscar outras soluções para atingirmos um ideal para saúde bucal brasileira, muito obrigado!”.

  • Viviane Panisson, cirurgiã-dentista da Prefeitura Municipal de Florianópolis, responsável pela experiência “Teleodontologia em Florianópolis/SC: Uma realidade PÓS COVID”

“É um prazer imenso, estamos representando toda a rede de Florianópolis, com o objetivo sempre de conseguir novas ferramentas e soluções em tempo de desafio, o que ofertar de melhor para o nosso usuário e serviço, é um prêmio em prol de todo trabalho que desenvolvemos ao longo do dia a dia, nas unidades de saúde, na gestão do serviço e nos deixa muito felizes, queremos dividir com todas as nossas equipes. Agradeço em nome de todos da nossa rede”.

  • Maurício Shimada, cirurgião-dentista, autor da experiência “Ampliação dos atendimentos odontológicos a partir do estabelecimento de um processo de trabalho otimizado e multifacetado com ênfase na educação em saúde para equipe multiprofissional – Dourados/MS”.

“Este troféu representa bastante para o trabalho que a gente desenvolve, uma das caminhadas de maior desafio da odontologia é conseguir se consolidar no ambiente propriamente mais médico, mais enfermagem, a gente ainda tá caminhando, é muito significativo para toda a categoria, muito obrigado!”, agradeceu Shimada.

  • Livia Maris Dias, docente adjunta da Universidade Federal de Alfenas/MG recebeu o prêmio pela experiência “Assistência aos pacientes com lesões bucais decorrentes do tratamento oncológico no serviço de oncologia do Hospital da Santa Casa de Alfenas, MG”

“Agradecemos ao MS e a OPAS por esta iniciativa louvável, para nós, observar o nosso projeto – que é realizado local-regional – e ter um espelhamento nacional é maravilhoso, a gente agradece mais uma vez e esperamos ver outras iniciativas semelhantes a essa em outros momentos. Obrigada!”.

  • Silvane e Silva Evangelista, odontopediatra do Centro de Especialidades Odontológicas da SEMSA, e responsável pela experiência “A atuação do CEO-Norte de Manaus no contexto multidisciplinar do diagnóstico e tratamento da anquiloglossia em pacientes pediátricos sob a ótica da odontologia”.

“Gostaria de dizer que é um momento muito emocionante na minha carreira, muitos anos dedicados ao SUS, agradecer ao Dr. André e toda equipe do CEO Norte de Manaus, todo núcleo familiar de todos os pacientes, esse evento muito nos alegra, porque nem todo momento somos reconhecidos pela dedicação e empenho. Agradecer imensamente a toda equipe envolvida no evento, muito obrigada, espero que a nossa experiência possa inspirar outros colegas a desenvolverem trabalhos em prol dos usuários do SUS”.

  • José Eudes Sobrinho, coordenador do curso de odontologia da ASCES-UNITA e autor da experiência “CEO ASCES-UNITA: Dispositivo de Integração Ensino-Serviço na Rede de Atenção à Saúde do Agreste de Pernambuco”

“O principal relato da nossa experiência é a possibilidade de mudar a realidade da formação de profissionais comprometidos com o sistema de saúde, eles atuam diretamente na prática de estágio e portanto a sua formação acontece dentro da atenção básica e no CEO também. Formados dentro do SUS para mudar a realidade do agreste de Pernambuco, que sofre bastante com alguns dos indicadores que foram apresentados aqui. Obrigado!”.

  • Dikson Claudino, coordenador municipal de saúde bucal de Tubarão/SC e autor da experiência “Implementação do Sistema Nacional de Regulação na Atenção Especializada Ambulatorial em Saúde Bucal – Tubarão/SC”

“Muitas vezes estamos nas comunidades errando, acertando, são iniciativas como essa que nos mostram que estamos no caminho certo, acertando mais que errando. Nossa gratidão à OPAS e ao Ministério da Saúde pelo reconhecimento, estamos muito felizes, obrigado a todos!”.

Para encerrar a premiação, Wellington Carvalho agradeceu a todos e celebrou o evento. “Esta iniciativa ajuda a gente a identificar boas iniciativas acontecendo no Brasil inteiro, a gente sabe quantos profissionais dedicados espalhados pelo brasil, mas estão tão dedicados fazendo a coisa acontecer, tem tanta coisa acontecendo que eles têm dificuldade de divulgar. O Laboratório vem para divulgar boas experiências, no site tem um mosaico em que é possível ver gente boa fazendo coisas boas no país inteiro. A Política Nacional de Saúde Bucal acontece todos os dias no país todo. O protagonista da PNSB é o cidadão brasileiro, lembrar que tudo que apresentamos fazemos para as pessoas, para os brasileiros que merecem e tem como direito ter uma saúde bucal digna e de qualidade. Muito obrigado por este momento juntos!”, finalizou Wellington Carvalho.

 

O LIS Saúde Bucal concluiu as suas atividades e as experiências podem ser conhecidas na página https://apsredes.org/saudebucal/.

 

 

 

 

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