O Projeto Casulo, em Paraisópolis, no município de São Paulo – SP, nasceu da articulação entre moradores, comerciantes e a sociedade civil organizada. As ações promovem o isolamento centralizado de pessoas sintomáticas com teste positivo para Covid-19 e distribuição de máscaras, álcool gel e material informativo para pessoas com síndrome gripal.

Durante a apresentação, a professora Patrícia Chueiri, que compõe a equipe técnica do projeto, destacou o contexto de intensa desigualdade social em que a comunidade está inserida. Situada ao lado do Morumbi, bairro nobre da capital paulista, Paraisópolis possui a maior densidade demográfica do Brasil: 45 mil pessoas por quilômetro quadrado. Apenas 25% das residências têm rede de esgoto, de acordo com dados do IBGE e do Mapa da Desigualdade de São Paulo.

A região possui três Unidades Básicas de Saúde, cobrindo 79,5% da população. O isolamento centralizado é feito em duas escolas da comunidade, que foram adaptadas para ficarem parecidas com casas, buscando a humanização da proposta. Segundo Chueiri, entre as pessoas que realizam o teste, 75% apresentam resultado positivo. Destes, 50% vão para o isolamento, onde continuam sendo monitorados, por telefone, pela equipe de saúde.

Na avaliação de Chueiri, o projeto apresenta um problema de gênero. “No começo do projeto, muito mais homens iam para o isolamento, justamente porque as mulheres são encarregadas de ficar com as crianças. E nós não conseguimos uma logística para receber crianças ou menores de 18 anos. É um problema”, admite.

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