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OPAS inicia as atividades do Laboratório de Inovação em APS Forte

Laboratório de Inovação em Atenção Primária à Saúde (APS Forte)

Porto Alegre, Distrito Federal e Teresina são os primeiros entes da federação a integrar o Laboratório de Inovação em Atenção Primária à Saúde (APS Forte) da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que fará o acompanhamento e a sistematização das transformações que estão ocorrendo na saúde destas localidades. Em fevereiro, consultores da Unidade Técnica de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS conheceram o sistema sanitário de Porto Alegre e do Distrito Federal e, nesta semana (4 a 6/4), o grupo de trabalho está em Teresina.

“O objetivo do Laboratório de Inovação é dar visibilidade para práticas que respondam de forma inovadora para problemas comuns da saúde do país, como a questão do acesso ao cuidado clínico-sanitário nos serviços da APS. Acreditamos que a sustentabilidade do SUS passa por uma APS forte, que prioriza o cuidado centrado no paciente com mudança do modelo assistencial”, explica Renato Tasca, coordenador da Unidade Técnica da OPAS e do Laboratório de Inovação. “Vamos investigar, acompanhar as boas práticas em diferentes lugares e, a partir disto, entender o caminho que a atenção primária se fortalece”, explica Tasca.

Cada experiência será abordada de acordo com a especificidade do território, a partir do levantamento de informações sobre a organização da APS, a situação de saúde da população e as metas da gestão voltadas para a melhoria da APS. “Não vamos comparar resultados entre as experiências, mas compartilhar práticas adotadas por elas que favoreçam o fortalecimento da APS, a troca de conhecimento e que agregue valor para ao usuário final, com a melhoria do cuidado”, explica Tasca. As temáticas abordadas pela iniciativa tratarão, além da questão do acesso, sobre regulação em saúde, uso de tecnologias para fortalecimento da APS e recursos humanos, variando de acordo com cada experiência.

Visitas da OPAS

Na visita dos consultores da OPAS em Teresina, nesta semana, eles estão conhecendo as UBS da cidade e a nova versão do sistema de regulação de consultas, além de outras estratégias, como a Galeria do Inconsciente, no Parque da Cidadania, criada para trazer exposições dos resultados do processo cotidiano dos usuários da Rede de Atenção Psicossocial do município. Segundo o prefeito de Teresina, Firmino Filho, a Atenção Básica tem sido prioridade no sistema de saúde da cidade, que investe 35% de seu orçamento em saúde, para alcançar uma cobertura plena da APS, por meio de 246 equipes da Estratégia Saúde da Família em 90 Unidades Básicas. O presidente da Fundação Municipal de Saúde de Teresina, Silvio Mendes, apresentou a contribuição do sistema informatizado para marcação de consultas.  “A Central de Regulação evita a recusa de pacientes por falta de vagas, permitindo a reserva das mesmas, o que reduz a fila de espera”, explica. (Leia mais)

Foto-Cristine Rochol/PMPA

Em Porto Alegre, o grupo da OPAS visitou a unidade de saúde Modelo no turno estendido, a sede do TelessaúdeRS-Ufrgs e as estruturas da primeira Clínica da Família de Porto Alegre, inaugurada no dia 19 de março.  As Clínicas da Família são unidades básicas de grande porte, que acomodam de seis a quinze equipes completas de Saúde da Família – sempre com médico e enfermeiro. Oferecem uma carteira de serviços que inclui saúde bucal, exames de laboratório, raio-X e exames de telemedicina (espirometria e eletrocardiograma).(Leia mais).

Para secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Erno Harzheim, é um orgulho fazer parte da iniciativa pelo reconhecimento do esforço empreendido para qualificar o SUS em Porto Alegre. “Trabalhamos com muita dedicação e agora que a Opas está nos observando, temos certeza que isso irá nos ajudar a nos comprometermos ainda mais com os nossos desafios e entregar mais para a população”, afirmou.

Em Brasília, o Projeto Brasília Saudável foi apresentado pelo secretário adjunto da Saúde do DF, Daniel Seabra, que explicou sobre as etapas de transformação do modelo de atenção adotado em todas as 170 Unidades Básicas de Saúde, com foco na Estratégia Saúde da Família. Em outra oportunidade, em março, a equipe da OPAS acompanhou a visita do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, na Unidade Básica n. 1 de Itapuã, localizada uma área com alta vulnerabilidade social (Leia Mais), unidade considerada modelo do projeto.

Nó crítico da APS: acesso ao cuidado

Segundo estudo elaborado por pesquisador Charles Tesser (UFSC) para a Rede de Pesquisa em APS da Abrasco, o conhecimento científico aponta que o acesso ao cuidado clínico-sanitário nos serviços da APS ainda permanece como o nó crítico da APS no Brasil. “As pesquisas qualitativas mostram acesso precário, com tempo de espera para atendimento demorado, mais de uma ou várias semanas para a maioria dos serviços”, destaca. Segundo Tesser, estudos pontuais que aplicaram o instrumento PCATool, que mensura os atributos da APS, em várias localidades do país, também indicam que o acesso é o atributo da APS com pior avaliação. “Sem o acesso nenhum dos outros atributos propostos por Starfield (integralidade, longitudinalidade, coordenação do cuidade, etc) pode se concretizar com qualidade e efetividade”, explica o coordenador da Rede de Pesquisa em APS, Luiz Facchini.

As experiências que participam do Laboratório de Inovação tem como meta principal ampliar e/ou qualificar o acesso dos usuários aos serviços da Atenção Primária à Saúde. Em Porto Alegre, a secretaria de saúde está reorganizando as agendas de consultas das UBS. “Estamos aumentando a proporção de consultas marcadas no mesmo dia, sem marcação prévia, e também estamos estudando fazer essa marcação de maneira mais fácil e centralizada por uma central de consultas na APS”, diz Erno Harzheim. Em Brasília, após o primeiro ano de Projeto Brasília Saudável a cobertura populacional da APS passou de 30% para 69%. Em Teresina, a aposta está na informatização da APS para coordenar o cuidado do usuário.

O que é o Laboratório de Inovação

Os Laboratórios de Inovação é uma estratégia adotada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), desde 2008, que visa à produção de evidência sobre boa gestão, a partir de práticas inovadoras desenvolvidas pelos gestores do SUS, da saúde suplementar e de outros países. Todos esses conhecimentos, captados via experiências, são organizados de forma a fornecer elementos concretos aos gestores na sua tarefa cotidiana de construir suas próprias soluções e instrumentos gerenciais.

A metodologia já sistematizou cerca de 110 experiências inovadoras e boas práticas realizadas no SUS. Até o momento, foram concluídos 11 Laboratório de Inovação sobre várias temáticas: Atenção à Doenças Crônicas, Atenção Domiciliar, Gestão do Trabalho no SUS, Atenção Integral à Saúde de Adolescente e Jovem, Manejo da Obesidade na Redes de Atenção, Participação Social no SUS e Inovações na Saúde Suplementar. Está em fase de desenvolvimento, três Laboratórios de Inovação sobre Educação na Saúde, nova edição da Saúde do Adolescente e Jovem e o de Atenção Primária Forte.

Mais informações em apsredes.org

 

 

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