O enfrentamento da sífilis a partir da ampliação da clínica do Enfermeiro em Florianópolis (SC)

“Acreditamos na importância do protagonismo da Enfermagem como ferramenta capaz de garantir a cura dos casos de sífilis adquirida e a consequente prevenção da sífilis congênita.”

Vinícius Paim Brasil, enfermeiro

O protagonismo da enfermagem no primeiro nível de atenção à saúde para enfrentar a epidemia de sífilis é uma das estratégias inovadoras da secretaria de saúde de Florianópolis (SC). Entre 2016 a 2018, houve uma intensa mobilização para qualificar a atuação da enfermagem visando ampliar o diagnóstico, tratamento e cura da sífilis na capital catarinense no período. A sensibilização foi motivada pela publicação do Protocolo de Enfermagem (Volume 2 –  Infecções Sexuamente Transmissíveis) que ampliou a abordagem clínica do enfermeiro em atendimentos individuais na atenção primária.

Além da realização do diagnóstico clínico para doenças infecciosas sexualmente transmissíveis, o enfermeiro é responsável pelo tratamento da sífilis via prescrição da penicilina benzatina. Para a aplicação adequada do medicamento, mais de 200 enfermeiros foram treinados no município, refletindo no aumento do número de prescrição do medicamento.

Segundo estudo realizado por Petry (2019), junto ao município de Florianópolis, o enfermeiro e o médico de família e comunidade são os principais profissionais de saúde no enfrentamento da sífilis do município, onde o aumento proporcional da prescrição de enfermagem foi considerável, passando de 15% em 2016, para 28% em 2017, chegando a 39% do total de prescrições de penicilina até junho de 2018, ou seja, dobrando em termos absolutos a relevância da abordagem do enfermeiro à sífilis, ressaltam os autores da experiência.

Outro impacto da atuação da Enfermagem na resposta à epidemia de sífilis é a estabilização do ritmo de crescimento de casos novos de sífilis adquirida no município, principalmente, a partir da publicação do protocolo de enfermagem. “Lançado em 2016, o protocolo incorporou estratégias para enfrentamento desta epidemia ao colocar o enfermeiro no protagonismo do processo, adicionando o diagnóstico sindrômico e a prescrição da penicilina benzatina por este profissional. O aumento de diagnósticos e de tratamentos realizados por enfermeiros, em apenas três anos, comprova que as estratégias metodológicas de treinamento e comunicação auxiliam no enfrentamento da sífilis no município, promovendo importantes resultados na saúde da população”, explica Ana Cristina Magalhães Báfica, uma das autoras do projeto.

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Fonte – Informações cedidas pelos autores.

O Brasil vivencia nos últimos anos o aumento progressivo dos casos de sífilis, doença que por muitos anos acreditou-se estar sob controle. Segundo os autores, a experiência de sensibilização iniciou após o lançamento do protocolo de enfermagem abordando doenças de interesse epidemiológico, incluindo a sífilis, com realização de treinamento para a abordagem sindrômica destas doenças e garantindo respaldo jurídico aos profissionais, na continuidade das ações de educação permanente dos enfermeiros no que tange à segurança da aplicação da penicilina benzatina, no acompanhamento e monitoramento dos indicadores da sífilis. “Acreditamos na importância do protagonismo da Enfermagem como ferramenta capaz de garantir a cura dos casos de sífilis adquirida e a consequente prevenção da sífilis congênita”, ressalta Ana Cristina Báfica.

Segundo os autores, os maiores desafios à manutenção desta prática na realidade das equipes de saúde são: manter o protagonismo e comprometimento da enfermagem no enfrentamento à doença, em conjunto com os outros membros da equipe de saúde, no diagnóstico, no tratamento, seguimento e busca de contatos, evidenciando o seu papel técnico e científico na resposta à epidemia; manutenção de treinamento e educação permanente dos profissionais na temática de infecções sexualmente transmissíveis, estratégia ímpar na sensibilização e efetivação do diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes e que, serviu de base na desmistificação da aplicação da penicilina na APS; estabilizar e diminuir o número de infecções por sífilis adquirida e em gestantes, resultado final que se espera e que, se dará através da manutenção do papel da enfermagem como protagonista deste enfrentamento, não deixando de lembrar a importância da distribuição e da plenitude de estoques, os quais são vitais no combate deste problema de saúde.

 

Ficha Técnica: O ENFRENTAMENTO DA SIFILIS A PARTIR DA AMPLIAÇÃO DA CLÍNICA DO ENFERMEIRO EM FLORIANÓPOLIS-SC

Ampliação do escopo de práticas

Melhoria do acesso aos serviços de saúde
Efetividade clínica na atenção aos usuários/pacientes

Vinicius Paim Brasil;

Julia Maria de Souza

O Brasil viu nos últimos anos o aumento progressivo dos casos de Sífilis na população em geral1,2, motivados em certo ponto por condutas e carências no sistema de saúde as quais levaram ao retorno exponencial desta doença, a qual por muitos anos acreditou-se estar sobre controle. A magnitude e a transcendência deste problema de saúde tornam-se visíveis não só pelo número absoluto de casos, mas principalmente pela explosão da Sífilis Congênita a qual é
considerada hoje um dos piores desfechos em termos de saúde pública, tendo em vista a facilidade do diagnóstico e tratamento da mesma da sífilis em gestante e as possíveis implicações clinicas que o manejo inadequado podem acarretar. Assim, a abordagem oportunística da diagnóstico e a aplicação da penicilina benzatinica na atenção primária se traduzem hoje como as principais estratégias de enfrentamento à epidemia de Sífilis na quebra da cadeia de transmissão deste importante agravo. Pensando nisso, em 2016 foi lançado o segundo volume dos protocolos de enfermagem em Florianópolis-SC o qual adicionou estratégias para enfrentamento desta epidemia ao colocar o enfermeiro no protagonismo deste processo, adicionando às medidas educativas já realizadas o diagnóstico sindrômico e a prescrição da penicilina Benzatina. 

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