Mostra de experiências revigora apoio institucional na gestão do SUS

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Após sete encontros para troca de conhecimentos, os apoiadores institucionais do Ministério da Saúde reafirmam o perfil de articuladores e saem revigorados para o trabalho de fortalecimento da gestão do SUS nos estados. Desde o dia 30 de novembro até esta quinta-feira (10/12), foram apresentados mais de 60 relatos das Seções de Apoio Institucional e Articulação Federativa (SEINSF), durante a programação da Primeira Mostra de Experiências em Apoio Institucional da Gestão Federal do SUS. As experiências retrataram as atividades de organização da rede de atenção à saúde e planejamento em saúde, principais eixos de atuação dos apoiadores.

Programada, no ano passado, para ser um evento presencial, a Mostra, realizada de forma virtual, reuniu participantes de todo o Brasil e contou com milhares de espectadores nas plataformas do DataSUS e do Portal da Inovação na Gestão do SUS, que transmitiram a programação ao vivo. A coordenadora-geral de Cooperação à Gestão Interfederativa do Ministério da Saúde (CGCI/DGIP/SE/MS), Teresa Maria Passarella, destacou a grande audiência do evento, que atingiu quase dez mil visualizações em alguns encontros, e anunciou a previsão de uma nova edição da Mostra no segundo semestre do ano que vem. “A Mostra reflete o que todos nós queremos, que é ampliar a capacidade de gestão do SUS e melhorar o acesso da população aos serviços”.

O último encontro trouxe 13 relatos de experiências das SEINSF do Rio Grande do Norte, Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Amazonas, Minas Gerais e Paraná. Os apoiadores abordaram temas como a organização das SEINSF, processos de integração nos territórios, ações de comunicação, educação e acolhida a imigrantes e refugiados.

A moderadora das apresentações, Laeticia Jensen Eble, da Coordenação Geral de Fortalecimento da Gestão dos Instrumentos de Planejamento do SUS (CGFIP/DGIP/SE/MS), destacou que a integração obtida com o evento é consequência do trabalho dos apoiadores nos estados. “O SUS é gigante, múltiplo, e o apoio institucional nos estados leva o Ministério da Saúde mais próximo dos entes para ajudar a trazer a flexibilidade necessária para que se possa conhecer, entender as diferentes realidades, trazer as superintendências para dentro do Ministério.”

Durante toda a Mostra, o Centro Cultural do Ministério da Saúde apresentou pílulas, intercalando arte e cultura com as exposições. Nesta quinta-feira, os participantes assistiram a um cordel e a um vídeo com uma performance do bloco Bésame Mucho, que trabalha ritmos latino-americanos.

 

Educação permanente e apoio institucional

 

Depois de contemplar temas como planejamento em saúde, instâncias colegiadas do SUS, políticas de saúde e estratégias de enfrentamento à COVID-19, a Mostra encerrou abordando a relação entre educação permanente e apoio institucional para a qualificação da gestão em saúde.

A sanitarista Elizabete Matheus destacou as semelhanças entre educação permanente e apoio institucional, observando que ambos trabalham com a construção de sujeitos individuais e coletivos. A pesquisadora salientou a importância de conhecer bem o território de atuação para que o apoiador possa contribuir com o planejamento regional integrado. “O planejamento tem que estar centrado na Atenção Básica, para que seja ordenadora da rede e coordenadora do cuidado em saúde. Pelo menos 80 por cento dos problemas de saúde devem ser resolvidos na comunidade”.

Matheus ressaltou que a diretriz do apoio institucional deve ser a democracia institucional e a autonomia dos sujeitos. Na visão da pesquisadora, assim como o apoio institucional coloca o território em análise, a educação permanente coloca o processo de trabalho em análise. “É importante construir a saúde como objeto de aprendizagem individual, coletiva e institucional. O objeto da educação permanente são os incômodos no processo de trabalho, a reflexão de todos os envolvidos melhora os hábitos do cotidiano e qualifica a prática”.

Com um olhar de quem conhece a saúde no ambiente das Américas, a coordenadora da Unidade Técnica de Capacidades Humanas para a Saúde da OPAS/OMS Brasil, Mónica Padilla, ressaltou o protagonismo do Brasil no conceito de educação permanente. Na opinião da médica equatoriana, que atua há cinco anos na representação da OPAS no Brasil, os brasileiros se distinguem dos outros americanos em relação à educação permanente em saúde. “O Brasil é o único país que se comprometeu com uma política, uma estrutura e uma dotação orçamentária para educação permanente. O grande desafio do Brasil é a gestão, fazer com que as políticas sejam transformadas em realidade. Visto de fora, o Brasil é sempre pioneiro em saúde pública”.

Após ouvir os relatos de experiências, Padilla fez um trocadilho, dizendo que é preciso “apoiar o apoiador”, referindo-se à necessidade de fortalecer continuamente o perfil dos apoiadores e seu conhecimento sobre o SUS. “A própria Mostra está sendo um mecanismo de intercâmbio que permite escalar os aprendizados, o que é outro desafio da educação permanente. Esta seleção de experiências, em um país do tamanho do Brasil, é um passo fundamental para compreender melhor a realidade. Mas, depois disso, é preciso analisar e identificar os elementos que podem ser escalonáveis em nível nacional”, observou.

Respondendo à sugestão de Padilla, Teresa Passarella reconheceu que a Mostra é um espaço importante para compartilhar experiências, mas não pode se esgotar em si mesma. “Vamos ver os desdobramentos da Mostra e, a partir daí, vamos desencadear processos, buscar parcerias para dar continuidade ao que estamos trabalhando. Vamos ter desdobramentos desta Mostra, não apenas uma publicação, mas vamos ver como podemos gerar mais conhecimento. Este é um processo que ainda vamos construir juntos”, projetou.

 

Os relatos de experiência estão armazenados em https://apsredes.org/mostra-de-experiencias/

 

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