APSREDES

O desafio de gerar potentes ações de comunicação assertiva para o enfretamento à pandemia, mobilizando os movimentos sociais com segurança e sensibilizando a população com respeito às medidas de distanciamento social.

Estado: Distrito Federal
Município:Brasília
Data de Início: maio 20, 2022
Situação atual: Concluída
Vinculação da experiência: Conselho Estadual de Saúde
Parceria com outra instituição: Sim
instituição: Entidade da sociedade Civil
Autor: cleomarbrdias@gmail.com
Eixo 2 – Atuação direta dos Conselhos de Saúde em ações de comunicação para a população, mobilização, articulação e proteção social para o enfrentamento da pandemia

Nome: Jeovânia Rodrigues Silva E-mail: jeovaniarodrigues@gmail.com



Nome: FABRICIO REIS FONSECA E-mail: fabricio@moreschiereis.com.br



Nome: Dayse Amarilio D Diniz E-mail: dayseamarilio.sedf@gmail.com



Nome: JORGE HENRIQUE DE SOUSA E SILVA FIHO E-mail: jhsilva@aluno.fiocruz.br



Nome: Lígia Maria Carlos Aguiar E-mail: ligia9maria@gmail.com


Local

Conselho Estadual de Saúde

Contextualização

Historicamente, desde a década de 1970, e com o movimento da Reforma Sanitária, as mobilizações dos movimentos sociais brasileiros em defesa da saúde tem muita tradição e inclusive resultaram na construção do SUS com a participação da comunidade assegurada constitucionalmente, em um papel central na construção da democracia participativa brasileira, permitindo avançarmos com as políticas de saúde e por vezes atuando para que não retrocedamos. Os movimentos sociais organizados, tradicionalmente, se expressam através das manifestações públicas, ocupando as ruas, onde exercem o seu espaço discursivo e mobilizador, estabelecido com as pautas de suas agendas políticas, e eventualmente incorporando ou consolidando outras demandas transversais. Com a declaração de emergência em Saúde Pública de importância Internacional da doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) – Covid-19, em 30 de janeiro de 2020, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e em 11 de março oficialmente declarada a Pandemia – termo aplicado quando uma doença se espalha por vários continentes com transmissão contínua, medidas de isolamento e distanciamento sociais, juntamente com o uso de máscaras e higiene das mãos, foram prontamente recomendadas pela OMS e autoridades sanitárias como estratégias fundamentais na contenção do avanço da doença e prevenção do contágio. No Distrito Federal, em 28 de fevereiro de 2020, o Decreto Nº 40.475 declarou situação de emergência no âmbito da saúde pública em razão do risco de pandemia do novo coronavírus. A capital federal, naquela ocasião, destacou-se como o primeiro ente federativo a estabelecer medidas de suspensão de atividades, estabelecidas pelo Decreto Nº 40.509, de 11 de março de 2020, mesma data em que a pandemia foi decretada e a partir de então foi estabelecida a proibição de eventos que promovessem grandes aglomerações públicas. Após reunião entre o presidente do Conselho Nacional de Saúde e a Presidenta do Conselho de Saúde do Distrito Federal, no início de março, foram pactuadas a realização de duas ações de grande impacto de comunicação e sensibilização social, por ocasião da proximidade de chegada à lamentável marca dos mais de 300.000 mil óbitos no país por COVID-19 e pelo dia mundial da saúde. Assim, foram convidadas como entidades parceiras e movimentos sociais: o Sindicato dos Enfermeiros do DF, o Sindicato dos Odontologistas do DF, a Comissão de Direito à Saúde da OAB-DF e a Coletiva SUS.

Justificativa

A política negacionista e anticientífica adotada pelo governo federal frente à pandemia COVID-19 culminou em uma tragédia sanitária e hospitalar sem precedentes, para a qual impõe-se a necessidade de formular estratégias que propiciem ações de comunicação assertiva e de grande alcance para a população, evidenciando o real cenário vivido diante da pandemia.

Objetivo

Buscar formas alternativas às tradicionais manifestações públicas em massa, promovendo potentes ações performáticas de grande alcance de comunicação, com segurança e respeito às medidas de distanciamento social e assim conseguir mobilizar os movimentos sociais e sensibilizar a população quanto ao real cenário da pandemia.

Metodologia

Organização de dois atos públicos performáticos com público reduzido de participantes, atendendo às orientações e medidas de segurança sanitária, em duas datas de relevância – cortejo fúnebre pela chegada à lamentável marca dos mais de 300.000 mil óbitos por COVID-19 no país (25/03/2021) e celebração pelo dia mundial da saúde em homenagem aos profissionais de saúde e às vítimas da pandemia (07/04/2021). Reuniões remotas foram realizadas com o objetivo de planejar os dois atos e o Conselho de Saúde do Distrito Federal encaminhou os ofícios necessários aos órgãos públicos competentes – DF Legal, Administração de Brasília, Polícia Militar do DF, Museu da República. – Cortejo fúnebre pelas 300.000 vidas perdidas: Uma vez que não havia uma precisão quanto ao dia, mas apenas uma expectativa da chegada à marca de óbitos, o grupo precisou acompanhar regularmente o boletim epidemiológico do CONASS para estimar a data do primeiro ato, tendo já estabelecida a estratégia a ser empregada e recurso a serem utilizados. A praça dos três poderes foi escolhida como local para o cortejo e foram destacados apenas dez participantes, por precaução e segurança em virtude de fato recente onde uma manifestação culminou na prisão de um manifestante. O ato performático consistiu na simulação de um cortejo fúnebre, onde os participantes usaram uma camiseta preta com a palavra luto imprensa em letras brancas. Parte do grupo carregou um caixão/urna funerária com o mapa do Brasil fixado na tampa, outros acompanharam com rosas brancas e uma faixa seguia a frente do grupo em referência às 300.000 vidas perdidas. Ao som da marcha fúnebre, tocada por um saxofonista, o grupo simulou o cortejo posicionando o caixão no centro da praça e, um a um, cada participante registrou sua solidariedade e condolências, depositando rosas brancas em cima da urna, em homenagem às vítimas. – Celebração do dia Mundial da Saúde: Nesta data dois atos foram realizados. Pela manhã, em frente ao Congresso Nacional, confeccionadas em TNT branco, uma cruz e as letras S U S foram afixadas ao gramado. Com jalecos brancos, o grupo de aproximadamente 30 pessoas, segurando balões brancos com gás Hélio, homenagearam os trabalhadores da saúde, que estão na linha de frente do combate à pandemia, e às centenas de milhares de vítimas da COVID-19, soltando os balões aos céus. – “Defender o SUS e defender a vida de todas as pessoas” Encerrando as atividades, à noite, houve uma projeção no museu da república em homenagem ao SUS, aos trabalhadores da saúde e também às vítimas da pandemia.

Estratégias

Foi feita uma forte mobilização das com encaminhamento de releases para a imprensa e o papel das assessorias de comunicação das entidades participantes foi fundamental para o alcance e a visibilidade alcançados pelos atos na mídia, com destaque para os registros fotográficos, incisivo com uso de drone, feitos por Fernanda Ferreira e Scarlet Rocha. Formar uma rede colaborativa entre os profissionais de comunicação e jornalismo, conduzida pela assessoria de comunicação das entidades, demonstrou-se um mecanismo estratégico de amplificar e potencializar a o alcance e a visibiliade das ações. Infelizmente, os Conselhos de Saúde em geral não possuem assessorias de comunicação ou assemelhados, como é o caso do Conselho de Saúde do DF, e essa fragilidade precisa ser superada, preferencialmente de forma institucional. Reconhecendo essa limitação, fica evidenciada a importância das parcerias com movimentos sociais e entidades que disponham de organização estruturada para apoiar e superar essa lacuna, principalmente pela relevância que as boas estratégias de comunicação tem encontrado no mundo digital.

Resultados Alcançados

Ambos os atos tiveram grande repercussão em diversos veículos de comunicação, locais e nacionais, incluindo a mídia televisiva e as mídias sociais. Superar as barreiras da comunicação para além do público que já milita em defesa do SUS e alcançar a grande mídia é sempre um desafio. O objetivo nas duas ações propostas foi atingido com êxito, a partir de um mecanismo de mobilização social adequado ao momento pandêmico e, portanto, entregando uma mensagem em oposição à política negacionista e anticientífica adotada pelo governo federal.

Considerações Finais

As experiências vivenciadas nos atos realizados trazem uma oportunidade de inovação e de ampliação das possibilidades de estratégias de ações de mobilização social, ainda que em um cenário de limitações impostas pela pandemia, gerando ações de comunicação assertiva e de grande alcance para a população, a partir da cooperação de entidades parcerias que disponham de estruturas de comunicação bem estruturadas.