APSREDES

PROMOÇÃO E FORTALECIMENTO DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA DO BAIRRO CAMPO ALEGRE, LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE NOVA IGUAÇU, EM FACE DA PANDEMIA DE COVID-19.

Autores do relato:

Inayna dos Santos de São Sabas inayna.sabas@gmail.com (21)987842537

Rafael Silva Cadena rafaelcadena@gmail.com (21)992939303

Contextualização

Segundo a divisão política administrativa do Estado do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu está localizada na região metropolitana do Rio de Janeiro. Seu território corresponde a uma área total de aproximadamente 520 km², sendo limítrofes com Duque de Caxias, Japeri, Mesquita, Queimados e Seropédica e abriga uma população estimada segundo dados do IBGE/Ano de 2020 de 823.302 pessoas. O índice de desenvolvimento humano (IDH) é igual a 0,713. Com relação à insegurança alimentar e nutricional – INSAN da população iguaçuana, o município de Nova Iguaçu encontra-se no grupo de municípios de alta vulnerabilidade com aproximadamente 80 mil famílias nesta situação (MapaINSAN/2016).Do ponto de vista da população rural, o município possui 863 agricultores familiares que resistem à urbanização bem como produzem alimentos que abasteciam antes da pandemia, municípios limítrofes vizinhos, feiras e outros canais de comercialização, com produtos de origem vegetal: frutas, verduras e legumes. Vale salientar que no momento de realização da pesquisa, os dados do Boletim Epidemiológico realizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em 3 de setembro de 2020 informava que o município de Nova Iguaçu possuía 5.541 casos confirmados de COVID-19 e registrava-se 523 óbitos. A experiência foi realizada no Assentamento de Campo Alegre/Nova Iguaçu, na Zona Rural de Campo Alegre, que foi ocupada em 1984, pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Desempregados Urbanos, divide em pequenos sítios para tirar da terra o sustento para várias famílias. Campo Alegre é uma área situada entre os Municípios de Nova Iguaçu e Queimados, dividida em regionais: Acampamento, Capoeirão e Mato Grosso (Nova Iguaçu) e Chapadão, Fazendinha e Terra Nova (Queimados). O assentamento possui uma área de 2100 hectares com a aproximadamente 600 famílias e se encontra em fase de regulamentação fundiária pelo Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro – ITERJ. Nessa localidade existe a instituição Sociedade Beneficente de Campo Alegre – SOBEM, fundada em 2003, está inserida na regional Mato Grosso, onde tem por missão proporcionar ações pedagógicas e o desenvolvimento social por meio de ações voltadas ao trabalho, geração de emprego, renda e promoção da cidadania. A SOBEM atende famílias da comunidade (agricultores familiares) que vivem da terra e/ou complementam a renda prestando serviços na área urbana.

Justificativa

A temática dessa experiência foi focada na sustentabilidade e gerenciamento da produção alimentícia, em especial na agricultura familiar. Ademais, de acordo com informações do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA (2019), a agricultura familiar é a principal responsável pela produção dos alimentos produzidos e consumidos pelos brasileiros, sendo estimada um aumento de 60% na produção de alimentos e consequentemente perdas na produção nos próximos anos. Assim, a proposta foi a elaboração de produtos vegetais oriundos da agricultura familiar que se perdem durante a colheita, pós-colheita ou por consequência da sazonalidade, extrativismo ou por não ter valor comercial. A valorização desses alimentos que seriam descartados, se dará através de um modelo de organização com a aplicação de tecnologias para ampliar a vida útil e agregar valor ao produto final vegetal, levando-se em consideração os diversos aspectos como a forma de produção dos alimentos, a variedades de alimentos, a diversidade cultural e social e sua importância socioeconômica. Outras justificativas podem ser enumeradas, como: (i) aumento pelo progresso em sustentabilidade ambiental; (ii) insustentabilidade dos atuais padrões de produção e consumo que levam a grandes desperdícios; (iii) previsão de aumento da produção de alimentos; (iv) relevância e impacto da temática para a valorização dos pequenos agricultores familiares e para o município de Nova Iguaçu-RJ, que são desassistidos; (v) interligação e possibilidade de trabalhos estratégicos e futuros entre a prefeitura de Nova Iguaçu-RJ, os agricultores familiares locais e a UNIRIO Por fim, o presente estudo propõe capacitar um grupo de agricultores familiares na produção de novos e/ou melhorias dos produtos e como resultado da capacitação a publicação de uma cartilha com as receitas empregadas. Por fim, a experiência utilizou-se de métodos de capacitação direta de um grupo de agricultores familiares na produção de novos e/ou melhorias dos produtos, e como resultado da capacitação, promover a publicação de uma cartilha com as receitas e preparos empregados.

Objetivo

Objetivo Geral Analisar um grupo de agricultores familiares do Assentamento de Campo Alegre localizado no município de Nova Iguaçu – RJ, como foram afetados pela pandemia da Covid-19, evitar as perdas de alimentos no campo através do beneficiamento de alimentos. Objetivos Específicos Identificar o grupo de agricultores para integrar a pesquisa; Analisar o perfil socioeconômico do grupo selecionado; Diagnosticar o perfil da produção vegetal; de forma comercial e os extrativistas e/ou os que se perdem no campo; Capacitar os agricultores na elaboração de produtos vegetais a partir dos alimentos identificados: abacaxi, abóbora, acerola, aipim, coco, jaca e feijão de corda. Elaboração de cartilha didática.

Metodologia

No primeiro momento foi utilizado o método de pesquisa exploratória por se tratar de um estudo que visa alicerçar o conhecimento do pesquisador sobre a temática proposta no objetivo geral. Segundo Gil (1996) esse tipo de pesquisa possibilita maior “intimidade” com o problema, a fim de esclarecer e facilitar a compreensão do que é estudado. Para a realização da pesquisa exploratória usou-se os recursos do levantamento bibliográfico (artigos científicos, livros e outros) tendo como fonte de busca as bases científicas oficiais como Scielo; Portal de Periódicos Capes e outros. Bem como a utilização da pesquisa documental através da coleta de dados em duas instuições de assistência técnica e extensão rural, sendo elas: Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro –EMATER e Instituito de Terras e Cartografias do Estado do Rio de Janeiro – ITERJ. Também foi realizada pesquisa na instituição Sociedade Beneficente de Campo Alegre – SOBEM do seguimento da sociedade civil inserida no locus da área estudada. Utilizou-se também da coleta de dados secundários em outras fontes como EMBRAPA, IBGE, MAPA e outros. O segundo momento da pesquisa foi utilizado a abordagem qualitativa a partir da seleção de agricultores familiares, sua experiência e capacitação virtual. E a avalição quantitativa foi projetadas através dos resultados obtidos através dos questionários enviados.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

Sociedade Beneficente de Campo Alegre – SOBEM, Associação Mista de Produtores Rurais da Agricultura Familiar – AMPRAF, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro – EMATER/Rio – Nova Iguaçu, Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro – ITERJ, Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Iguaçu – SEMAS, Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional – COMSEA

Estratégias

Essa etapa foi constituída de quatro fases, sendo a primeira fase foi composta da elaboração do questionário A – diagnóstico do perfil socioeconômico dos agricultores de Campo Alegre, semiestuturado aplicados a 17 agricultores familiares, composto por 26 (vinte e seis) perguntas fechadas e 01 (uma) pergunta aberta. Nessa primeira fase foram realizados o diagnóstico social dos atores envolvidos, identificação da produção agrícola, informações acerca da pandemia do novo coronavírus, utilização da internet e sua concordância em participar da capacitação virtual. Os questionários foram entregues por meio físico e/ou por meio virtual através da platafoma do Whatsapp, sendo este elaborado por meio da ferramento Google Forms®. Para a análise qualitativa das culturas extrativistas foi empregado o recurso didátido “nuvem de palavras”, este é um recurso gráfico que reflete a frequência com que uma mesma palavra aparece em perguntas abertas de um determinado questionário aplicado. Quanto à análise quantitativa, os dados foram analisados utilizando o programa Excel versão 2010, proporcionando as informações necessárias para obtenção dos resultados (BARBOSA et al. 2020) Para a segunda fase foi realizada a capacitação virtual dos 17 agricultores familiares selecionados, organizado em parceira com a SOBEM que recebeu o aporte financeiro de R$5.000,00 da instituição Ação da Cidadania, após concorrer e ser selecionado o projeto enviado ao edital “Territórios em Ação”. Continuando, tiveram como apoio no desenvolvimento do curso através das palestras enviadas (vídeos) as profissionais nutricionistas e mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Segurança Alimentar e Nutricional – PPGSAN da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, nutricionistas e mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ, técnicos extensionistas da EMATER e do ITERJ e docentes e discentes do curso de Graduação em Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. A metodologia de desenvolvimento do curso de capacitação virtual ocorreu a partir do conhecimento obtido através do questionário A, com base nos alimentos vegetais de lavoura permanente ou temporária e os alimentos caracterizados como perdas no campo, ou seja, produtos do extrativismo/sazonal ou com baixo valor comercial. Esses alimentos foram utilizados com a perspectiva de elaboração de novos produtos, com valor agregado para os agricutores familiares. Deu-se o nome a essa capacitação de “Curso de Fortalecimento da Agricultura Familiar e Beneficiamento de Alimentos”. A metodolodia empregada para capacitar os agricultores familiares foi à utilização da plataforma do Whatsapp/grupo, sendo usada para informar as normas de funcionamento do curso, para envio dos vídeos, fazer perguntas e tirar duvidas, e por fim com a proposta que aplicassem as técnicas e processos para elaborar produtos em suas residências. Os vídeos eram enviados ao coordenador do curso, convertidos para a plataforma do YouTube e eram postados no grupo do whatsapp. De acordo com Guedes e Lima (2020), a utilização de tecnologias da informação tem avançado no campo, podendo proporcionar melhorias nos processos produtivos. O Curso de Fortalecimento da Agricultura Familiar e Beneficiamento de Alimentos, foi realizado e aplicado por meio de vídeos, divididos em 7 (sete) módulos. Cada módulo teve duração de aproximadamente 40 (quarenta) a 60 (sessenta) minutos, sendo enviados no grupo whatsapp um vídeo a cada semana. Após a visualização dos participantes eram feitas perguntas no grupo e/ou encontro virtual para fazer perguntas ou sanar as dúvidas. A terceira fase foi constituída de aplicação do questionário B semiestruturado aplicados aos 17 agricultores familiares que participaram do curso de capacitação virtual, sendo composto por 21 (vinte e uma) perguntas fechadas e 01 (uma) pergunta aberta. Nessa fase a proposta dessa ferramenta era: avaliar a capacitação virtual, a aprendizagem e a pergunta aberta deixava aberto para comentários, sugestões, críticas ou qualquer outra informação pertinente ao abordado. Os questionários foram entregues por meio físico e/ou por meio virtual através da platafoma do Whatsapp, sendo este elaborado por meio da ferramento Google Forms®.Ao final, os agricultores receberam certificado de participação, assim como os demais atores envolvidos na realização do curso de capacitação virtual. Quanto à análise quantitativa, os dados foram analisados utilizando o programa Excel versão 2010, proporcionando as informações necessárias para obtenção dos resultados (BARBOSA et al,2020). A quarta fase foi à elaboração do produto técnico que se desdobrou em uma cartilha educativa a partir dos dados levantados no curso de capacitação virtual e o levantamento bibliográfico complementar ao material.

Resultados alcançados

1- Quanto à capacitação espera-se diminuir as perdas de alimentos no local de produção, através das tecnologias de baixo custo e aumento da vida útil dos alimentos. Esses alimentos beneficiados possuem valor agregado o que podem melhorar o valor do produto e com isso contribuir para a valorização do agricultor familiar local. 2-Foi criado um grupo chamado de “Grupo de Produção”: agricultores familiares que participaram das atividades e passaram a produzir doces, geleias e outros a partir do curso. 3- Aumento da renda. 4- Valorização dos produtos do campo.

Considerações finais

1- A experiência teve como objetivo discutir as características da agricultura familiar de Campo Alegre, a segurança alimentar os impactos da pandemia e as estratégias de capacitar em meio ao isolamento social promulgado como medida de contenção da doença. Com a concretização do estudo proposto, demostrou-se que Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, tem aptidão para o desenvolvimento da 3-Por meio da utilização da cartilha didática foram consolidados ecatalogados os assuntos abordados na capacitação. A cartilha permite explorar uma linguagem fácil e exagerar nos recursos visuais para aguçar aos sentidos e se envolver com o material.