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Projeto Pequeno Cozinheiro: aprendendo a cozinhar para desenvolver autonomia e equilíbrio alimentar

Autores do relato:

Liliane Grein Beuther lilianegreinbeuther@gmail.com 4796907181

Contextualização

O Projeto Pequeno Cozinheiro é realizado nas escolas de rede pública municipal de São Bento do Sul desde 2017 e não parou nem mesmo no período de suspensão das aulas devido à pandemia do Corono Vírus (2020). A cada ano participam de 16 a 20 unidades educacionais, desde berçário até os nonos anos. As ações realizadas envolvem a comunidades escolar (professores e cozinheiras) e as famílias (pais e avós).

Justificativa

A economia de tempo no preparo dos alimentos com o uso de produtos industrializados, numa época onde cada segundo é disputado entre tantas atividades diárias, faz com que muitas vezes as famílias deixem de preparar os alimentos com os ingredientes básicos, minimamente processados ou in natura. Com essa mudança no estilo de vida das famílias, é possível observar que as crianças de hoje não se interessam tanto pelo trabalho na cozinha e que vendo os pais comprarem a maioria dos alimentos prontos, estão absorvendo esse hábito como algo normal e benéfico. É possível observar que os avós ainda mantêm o hábito de cozinhar para os filhos e netos, porém, os filhos compram os alimentos prontos para os filhos deles. Há aí uma lacuna, uma perda de material cultural importantíssimo que parece não estar mais sendo passado adiante. Neste contexto, o projeto Pequeno Cozinheiro vem incentivar a interação entre pais e filhos, por meio da prática e/ou aprendizado de novas habilidades culinárias, aguçando a criatividade e despertando na criança e no adolescente, o interesse pelo preparo de alimentos, sendo este a base para a construção de um hábito alimentar mais saudável.

Objetivo

Objetivo geral Proporcionar aos alunos da rede pública municipal momentos de aprendizado de habilidades culinárias, por meio do preparo de alimentos, nos ambientes escolar e doméstico. Objetivos específicos -Despertar no aluno o interesse pelo preparo de refeições baseadas em alimentos minimamente processados ou in natura; -Estimular o desenvolvimento da autonomia alimentar dos alunos através da prática de atividades culinárias; -Promover a interação entre a comunidade escolar e as famílias; -Promover a interação entre pais e filhos no ambiente da cozinha.

Metodologia

5. METODOLOGIA 5.1 Adesão: professoras(es) e turmas A adesão ao projeto Pequeno Cozinheiro é voluntária e podem participar turmas desde berçário até nono ano. O prazo final para adesão é 30 de março. Na unidade educacional, a seleção das turmas será feita com base na afinidade da(o) professora(o) com o tema, não havendo limite mínimo ou máximo de turmas. *Participará das reuniões a(o) professora(o) responsável pelo Projeto na unidade educacional. 5.2 Preparo das receitas na unidade educacional Serão disponibilizadas 10 receitas, sendo 5 doces e 5 salgadas para que a(o) professor(a) responsável selecione qual ou quais preparar com a turma. Esta atividade deverá ser fotografada, tomando cuidado especial para que: 1) todos os alunos tenham autorização para o uso da imagem assinada pelos pais/responsáveis; 2) os alunos não estejam de costas para a foto; 3) não apareçam as marcas dos gêneros alimentícios utilizados; 4) ao encaminhar a fotos/vídeos à SEMED, renomear o arquivo citando o nome da receita e da turma. 5.3 Preparo das receitas no ambiente familiar Nesta etapa, os pais e/ou responsáveis terão a oportunidade de preparar as receitas com seus filhos(as) em casa, registrando o momento por meio de fotos e vídeos. Esta vivência será relatada pelos pais ou responsáveis, em forma de registro escrito (anexo 3), e enviada à professora(o) responsável pelo projeto. A unidade educacional selecionará de um a dois relatos e enviará ao setor de alimentação escolar. Para a atividade prática (na escola ou em casa), podem ser confeccionados aventais e toucas de chef de cozinha para caracterizar os alunos e deixá-los ainda mais motivados. 5.4 Visita em propriedades de agricultura familiar do município Mediante agendamento, a unidade educacional poderá levar a turma de alunos participantes do projeto até uma propriedade rural para conhecer os processos produtivos daquele alimento. 5.4 Confecção de vídeo para a plataforma Educamais Será montado um vídeo com o material enviado pelas unidades educacionais como resultado do projeto. 5.5 Encerramento do projeto Em virtude da pandemia pelo Novo Corona Vírus e a impossibilidade de reunir os participantes de todas as unidades que aderiram, no auditório da SEMED, para a celebração de encerramento, a sugestão é fazer este encerramento na própria unidade educacional para a a turma que participar e um evento on-line para todos os participantes.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

Nutricionistas do Programa Nacional de Alimentação Escolar, Professores da rede pública municipal, Agricultores locais (que fornecerem verduras e frutas para as escolas), Cozinheiras (que preparam a alimentação nas unidades educacionais), familiares dos estudantes (na etapa do preparo das receitas em casa).

Estratégias

O projeto iniciou em 2017 e vem ganhando força a cada ano. Em nosso município há uma forte cultura de trabalhar com a alimentação saudável, preparo de receitas e hortas nas escolas da rede pública e prova disso é que estamos na 5 edição do Projeto Pequeno Cozinheiro (2021). A Secretaria Municipal de Educação, por meio do Setor de Alimentação Escolar convida as unidades educacionais para aderirem ao projeto e apoia a execução deste ao longo do ano. São feitas reuniões de alinhamento e acompanhamento das ações. Os professores que aderem ao projeto, além de preparam as receitas com os alunos na escola, mobilizam a participação dos familiares e a receita é reproduzida na residência do estudante. Assim, a criança/adolescente vivencia a prática culinária sob dois prismas e o aprendizado é facilitado.

Resultados alcançados

Como resultado do projeto, de 2017 a 2019, foram elaborados livros de receitas e entregues aos participantes. Em 2020, em função da suspensão das aulas presenciais, a execução do projeto foi adaptada, ocorrendo apenas nas residências das famílias e o produto final foi um vídeo com imagens do preparo das receitas tendo o estudante como protagonista. Os resultados alcançados com esse projeto não podem ser mensurados, pois são qualitativos (relatos por escrito). Os relatos dos familiares são guiados por 3 perguntas: 1)Sua família já conhecia esta receita? 2)Descreva como foi a experiência de preparar e degustar este alimento com seu filho(a)? 3)Esta receita te trouxe alguma lembrança? Fale sobre ela. Respostas como: “foi um momento de grande alegria, cozinhar com meu filho e relembrar da minha infância” e “minha filha não comida determinado alimentos, e depois deste projeto passou a comer”.

Considerações finais

Usar o alimento como ferramenta pedagógica é sem dúvida a melhor forma de abordar o tema alimentação saudável com os alunos. Proporcionar a vivência prática daquilo que se quer ensinar, transforma o momento de aprendizagem em algo mais prazeroso e motivador. E quando a escola consegue envolver a família na atividade de educação alimentar e nutricional, esse conhecimento tem grande chance de ser incorporado como um hábito de vida. Dessa forma, acreditamos que incentivar o aprendizado de habilidades culinárias na escola pode contribuir para a formação de adultos mais saudáveis, mais conscientes quanto ao processo de alimentação e mais felizes.