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Programa AlimentAção

Autores do relato:

Camila Bellenzani camila.bellenzani@mosaicco.com 5511982422826

Contextualização

O Programa de Alimentação , do Instituto Mosaic, é um trabalho de criação de hortas em escola para fomentar uma cultura de alimentação saudável, prover acesso a fruta, legumes e verduras a uma população vulnerável que foi implementado nos municípios de Rosário do Catete e Capela, em Sergipe, de Tapira, em Minas Gerais, municípios onde há sede da Mosaic Fertilizantes, mantenedora do Instituto. Apesar da Mosaic estar nas duas regiões há menos de cinco anos, as operações de mineração datam da década de 1970 e são grandes empregadoras das regiões, o que fortalece o vínculo da empresa com os municípios. Neste cenário, o Instituo Mosaic vem desenvolvendo um trabalho de relacionamento com as comunidades para impulsionar o Programa de Investimento Social Privado da Mosaic Fertilizantes e apoiá-la no propósito de ajudar a alimentar o mundo. De acordo com o IBGE, a população estimada de Rosário do Catete, em 2018, era de 10.687 pessoas, 45,3% com renda menor que meio salário mínimo, 17% em situação de extrema pobreza e apenas 23,1% da população ocupada. Capela é um município referência naquela região, com população estimada em 35 mil pessoas, mas também tem 49,4%, com renda menor que meio salário mínimo. Os índices de Tapira, em Minas Gerais, são melhores que os da região de Sergipe. A cidade tem uma população bem menor também. Estimativa de 4.100 pessoas, 35,9% com renda menor que meio salário mínimo e 41% da população ocupada.

Justificativa

Fundado em 2008 e reestruturado em 2019, o Instituto Mosaic tem como objetivo promover o desenvolvimento mútuo e sustentável nas comunidades do entorno da Mosaic Fertilizantes. Com isso, busca o combate à desigualdade social e a criação de uma rede que promova o bem-estar, a educação de qualidade, a formação de pessoas e o fortalecimento de valores essenciais, como ética, colaboração e responsabilidade. Assim, é possível nutrir uma sociedade brasileira mais digna e justa. Em 2018, para comemorar o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), a Mosaic planejou uma doação de cestas para os municípios onde o instituto já estava presente com suas ações. Além da entrega das cestas, em Rosario do Catete (SE), Capela (SE) e Tapira (MG) foi oferecida uma capacitação para merendeiras das escolas das cidades para ensinar a usar os alimentos para seu aproveitamento integral e como melhorar a alimentação escolar. Da entrega, nasceu o Programa AlimentAção, que capacita diretores, professores, merendeiras e outros colaboradores de escolas sobre a importância de uma alimentação equilibrada e saudável. Ao mesmo tempo, fomenta a criação de hortas nessas escolas como ferramenta pedagógica e para melhorar a diversificação dos alimentos na merenda e ainda entregar o excedente da produção às famílias, estendendo a elas o acesso a melhores hábitos alimentares. Hoje, são 14 hortas implementadas nas escolas municipais de Capela e Rosário do Catete (SE) e o programa será ampliado para atender as escolas estaduais de Capela, Japaratuba e Rosário do Catete (SE) e as escolas municipais de Ouvidor (GO) e Tapira (MG), onde serão implementadas, ao todo, mais 12 hortas, totalizando 26 hortas. A horta na escola funciona como um ótimo recurso didático. Além de trabalhar a educação alimentar e nutricional com os alunos e família de forma individual e coletiva, promove também escolhas alimentares mais saudáveis, melhorando a saúde e valorizando a cultura alimentar. O projeto Horta Escolar promove também o consumo adequado de alimentos e possibilita um trabalho interdisciplinar, com ações e estratégias que promovem a alimentação adequada e saudável. Favorece ainda o acesso físico a frutas, legumes e verduras, especialmente para os alunos que se encontram em vulnerabilidade social e econômica. A horta escolar possibilita a convergência de ações cooperativas e colaborativas de vários parceiros e de setores de órgão público do município em prol da melhoria da nutrição dos estudantes e da comunidade. São diversos os benefícios que este tipo de projeto pode proporcionar. Por meio da horta é possível trabalhar a realidade local e aproximar os alunos de questões que fazem parte do meio social, como a preocupação com os recursos naturais. O contato do estudante com a terra, plantas e hortaliças possibilita estreitar a sua relação com a natureza e contribui para a conscientização sobre os impactos de suas ações no meio ecológico. Outra importante contribuição está relacionada ao aprendizado sobre alimentação e nutrição. Os alunos podem utilizar os produtos da horta escolar em projetos de nutrição e compreender a importância de hábitos saudáveis para a saúde. A importância do tema Alimentação Saudável, que já faz parte da Base Nacional Comum Curricular vem ao encontro com a agenda de trabalho do Ano Internacional das Frutas Legumes e Verduras do Ministério da Saúde, em parceria com a OPAS/OMS, FAO e MAPA.

Objetivo

O Programa AlimentAção tem por objetivo “Promover a alimentação saudável e sustentável, por meio de formações para professores, gestores, coordenadores e merendeiras, e a implementação de horta escolar como ferramenta didático-pedagógica, sendo este um recurso facilitador do processo ensino-aprendizagem para os alunos e impulsionador da melhoria da qualidade de vida das famílias e das comunidades”.

Metodologia

A primeira iniciativa do programa foi realizar uma reunião com a Secretaria da Educação das prefeituras de Rosário do Catete, Capela e Tapira e com todos os gestores das escolas, pois era importante descobrir se o projeto fazia sentido para a cidade antes de iniciá-lo. Depois, foi apresentada uma proposta explicando qual era a ideia e o porquê de se fazer primeiro a formação dos professores, diretores e merendeiras. Assim, eles entenderiam a importância de uma horta escolar e, depois, implementariam juntos a horta na escola. Havia 32 escolas na região, então foi feita uma triagem em todas elas para ver se havia espaço adequado – tamanho e limpeza do terreno –, se havia pessoas que realmente pudessem tomar conta da horta e se o gestor da escola receberia o espaço de bom grado. No final, foram selecionadas 15 escolas para implementar o Programa AlimentAção com a Horta. Todos os profissionais da escola participaram da implementação: gestores, professores, coordenadores, merendeiras e vigilantes. Isso era importante, pois para acontecer alguma transformação, todos precisavam entender o projeto e aceitar a mudança. E até mesmo os pais dos alunos foram engajados no programa. FASE 1 – FORMAÇÕES O primeiro passo foi a formação teórica de gestores, professores, coordenadores e merendeiras sobre diversos temas, como horta escolar como ferramenta pedagógica, avaliação dos indicadores de saúde e alimentação saudável na escola. Por meio da aula prática o professor de Educação Física teve treinamento de como realizar as medidas de peso, estatura e circunferências. Receberam também informações de como aferir essas medidas nos alunos e acompanhar os indicadores para, futuramente, avaliar o impacto dos dados coletados. As escolas, inclusive, ganharam balanças e fitas métricas para poder tirar as medidas das crianças. Na parte prática estava a vivência culinária: todos iam para a cozinha vivenciar os ensinamentos e trocar experiências, preparando receitas saudáveis com o aproveitamento integral de alimentos, trabalho em equipe, respeito a todos e a importância de cada um, do diretor da escola a quem varre o chão. Esse é um momento único, “a cereja do bolo”, pois apresenta o “currículo oculto” do profissional por meio da troca de conhecimento e de experiências. Não é apenas o ato de cozinhar. Cada etapa – teórica e prática – dura quatro horas, uma no período da manhã e a outra à tarde. Na primeira parte é entregue o ferramental e, na segunda, acontece o engajamento por meio da convivência. Alguns professores nem sabiam como era a dinâmica da cozinha da escola e outros aprenderam a fazer comidas. São experiências muito ricas graças às trocas. Depois, os professores repassam os aprendizados aos alunos. Outro público trabalhado no programa é o de pais. Eles são convidados à escola para fazer a mesma formação dos professores. Grupos de WhatsApp são posteriormente criados para passar dicas semanais. Como alguns pais não sabem ler, toda informação é enviada por escrito e por áudio. As famílias compartilham fotos das mudanças realizadas em casa, de pratos elaborados, como uma omelete que uma delas fez para o filho com aproveitamento de alimentos que nunca imaginou que poderia ficar tão gostosa. Os agentes de saúde e agentes comunitários também foram envolvidos no projeto como atores sociais para replicação do programa dentro das suas áreas de atuação e para dar apoio às escolas. Eles participaram de formações teóricas com temas diversos relacionados a alimentação saudável e atividade física. Nas formações práticas foram treinados para realizar avaliação dos indicadores de saúde. FASE 2 – IMPLEMENTAÇÃO DAS HORTAS Para a construção das hortas buscamos pessoas da própria comunidade. Dessa forma, fomentamos também a economia local. Foram realizadas visitas técnicas para avaliar o local para implementação da horta e reunião com os técnicos para avaliar o modelo da horta, os materiais que seriam utilizados e o preparo do terreno. Foram selecionadas 15 escolas para a implementação das hortas. Foi definido com as escolas que, para fazer as leiras seriam utilizadas garrafas PETs arrecadas pelos alunos. Dessa forma foi trabalhado também a educação ambiental e sustentabilidade. Os alunos participaram de todo o processo de construção das hortas. Todas as mudas doadas para as hortas foram escolhidas respeitando a cultura alimentar da região. Foi realizando um evento de inauguração onde participaram executivos da empresa, consultores do Instituto Movere, prefeitura, secretarias, professores, coordenadores, gestores, merendeiras, famílias e alunos. FASE 3 – MATERIAIS PEDAGÓGICOS Foram realizadas reuniões com as escolas para ouvir as demandas e construir em conjunto os materiais pedagógicos. Foram elaborados cadernos de atividades pedagógicas com o tema alimentação saudável e sustentável. Todo o conteúdo elaborado foi utilizado de forma interdisciplinar, de acordo com cada faixa etária. No período da pandemia o projeto não parou e foi adaptado para as atividades não-presenciais. Foram elaboradas videoaulas com diversos temas como pirâmide alimentar, higienização dos alimentos, como montar um prato saudável, receitas com aproveitamento integral de alimentos, entre outros. Os vídeos eram disponibilizados pela plataforma do YouTube da empresa e nos grupos de WhatsApp para professores, gestores e famílias. Para atender os alunos da educação infantil, os vídeos eram em formato de contação de história, incentivando o consumo de frutas, legumes e verduras. FASE 4 – MANUTENÇÃO DAS HORTAS Para a manutenção das hortas, inicialmente foram realizadas reuniões com as gestoras para empoderamento e definição das estratégias de manutenção. As escolas contaram com o apoio dos vigilantes, professores, gestores e comunidade do entorno para o cuidado diário com a horta. Para a limpeza mais pesada das hortas, a Secretaria da Educação foi mobilizada para articular com outras secretarias, como a de Agricultura e Meio Ambiente, o apoio com mão de obra. As escolas também receberam mensalmente visitas técnicas do coordenador local nas quais foram identificadas as demandas das hortas e as gestoras e responsáveis orientadas sobre a limpeza das hortas, preparo do solo para o replantio e controle de pragas. Um voluntário da unidade da empresa também fez visitas técnicas nas escolas e realizou capacitações de colaboradores. Foi realizada ainda a doação de mudas para todas as escolas para o replantio. Os produtos da horta foram utilizados para complementar a merenda escolar e o excedente foi doado para as famílias e colaboradores das escolas.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

Participam do projeto professores, coordenadores, gestores, merendeiras, vigilantes, alunos e suas famílias, agentes comunitários, agentes de saúde, funcionários da Prefeitura, executivos e voluntários da Mosaic Fertilizantes, além dos próprios institutos Mosaic e Movere. Em algumas cidades, há ainda um trabalho realizado com os agentes de saúde e agentes comunitários, com formação para aqueles que visitam as casas das famílias. Em certos municípios, o serviço de assistência social também foi envolvido. Depoimentos de um dos professores: “Mudou a minha vida. Eu usava seis litros de óleo na minha casa por mês para quatro pessoas e, hoje, uso menos de um”. A fala mostra que as palestras teóricas também ajudam a fortalecer a cultura do mais saudável. Quando o professor muda, se transforma, ele consegue mudar o outro também.

Estratégias

Reuniões presenciais e online As reuniões eram mensais e todos fizeram tanto a formação teórica quanto a prática, com a participação de todas as escolas. As reuniões presenciais foram realizadas em cada escola envolvendo professores, coordenadores e gestores. O sucesso do projeto pode ser atribuído ao processo de escuta dos atores e o trabalho de acordo com a demanda de cada escola. Com a pandemia, usamos uma nova estratégia para dar continuidade às reuniões que passaram a ser online com cada escola. Isso também permitiu ouvir suas demandas e dificuldades, além de repassar materiais para contribuir e facilitar o processo e não para dar mais trabalho a eles justamente em um momento difícil para todos se adaptarem por causa da pandemia. Elaboração de conteúdos Na frente pedagógica, o programa se antecipou a um problema: com a pandemia, foi difícil para os professores se adaptarem à modalidade de ensino a distância. Para evitar impacto no desenvolvimento do trabalho, os professores receberam um material riquíssimo com planos de aulas, cadernos de atividades para o professor, caderno de atividades físicas para o professor de Educação Física, e-book de receitas, cartilha de plantio em casa, cartilha de receitas, manual de cuidados com a horta, videoaulas, vídeos de contação de histórias. Já foram produzidos quase 20 vídeos para trabalhar com as famílias, mostrando a importância do reaproveitamento dos alimentos e como buscar uma alimentação mais saudável. Todo o material foi desenvolvido de acordo com a demanda da escola. Foi realizada uma ação pedagógica com os alunos em que foi incentivado o cultivo em casa. Os alunos receberam sementes doadas pela empresa para plantar e acompanhar o seu desenvolvimento. Dessa forma, o tema alimentação não deixou de ser trabalhado nesse período. Concurso de vídeos Com o objetivo de comemorar o Dia Mundial da Alimentação foi promovido o primeiro concurso de vídeos educativos de curta duração nas escolas contempladas pelo programa. Esta iniciativa visou enfatizar a Alimentação Saudável e Sustentável e conscientizar sobre questões relativas à nutrição e à alimentação. Os cinco alunos finalistas de cada escola receberam como premiação uma cesta com alimentos naturais e um utensílio para cozinha. Dos cinco finalistas foi selecionado um vídeo vencedor por escola pelo júri técnico. A premiação foi: – Certificado com menção ao vencedor; – Divulgação do vídeo nos canais do YouTube do Instituto Movere e Mosaic Fertilizantes; – um vale-presente virtual no valor de R$ 200,00; Cada escola participante recebeu como premiação: – um eletrodoméstico portátil (ex.: batedeira, liquidificador) para uso na cozinha da escola. Grupos de WhatsApp Foram criados grupos focais de WhatsApp com as merendeiras, famílias e professores. Nestes grupos foram compartilhados semanalmente conteúdos sobre alimentação saudável, emagrecimento, alergias alimentares, propriedades dos alimentos e receitas. Uma nutricionista realiza plantão de dúvidas semanal nos grupos. Vivência culinária online A vivência culinária online teve como objetivo promover o aprimoramento dos profissionais sobre os princípios da alimentação saudável e sustentabilidade, utilizando o repertório culinário como ferramenta de compartilhamento de saberes e fortalecimento de vínculos. Foi realizada uma reunião online onde se falou da importância do desenvolvimento desta prática para os professores replicarem com os alunos. Foi pedido que cada professor fizesse em sua casa uma receita saudável e com aproveitamento integral de alimentos. A receita teria que ser preparada junto com a família. Em outra reunião, eles relataram como foi essa experiência e, no grupo de WhatsApp das vivências culinárias, eles compartilharam as receitas e fotos que foram transformados em um e-book de receitas. Implementação das hortas Na implementação das hortas, ainda antes da pandemia de Covid-19, cada escola teve que fazer um projeto pedagógico que envolvesse a horta para trabalhar o tema alimentação com os alunos. Esse foi um dos critérios para implementar a horta. Workshop do Programa AlimentAção Ao final do ano de 2019, foi realizado um workshop com todas as escolas onde elas apresentaram as melhores práticas em alimentação saudável. Cada escola montou um stand com banner do projeto elaborado por eles e exposição dos alimentos colhidos da horta. Foi uma experiência fantástica. Ao final, as escolas receberam uma placa de certificação pela participação no programa. Manutenção das hortas Com a pandemia, foi um grande desafio manter as hortas ativas, pois as escolas ficaram fechadas e muitas perderam as pessoas que ajudavam a cuidar. Para solucionar o problema, foi realizada uma mobilização com os gestores e Secretaria da Educação por meio de reuniões, palestras online com técnico da Mosaic e visitas técnicas. As escolas foram orientadas sobre como cuidar do solo e como lidar com as pragas utilizando técnicas caseiras. Nessas reuniões, foi falada a importância das hortas neste momento da pandemia e que os alimentos da horta são essenciais para os alunos e famílias, por serem fontes de nutrientes que contribuem para a imunidade. As escolas realizaram a limpeza do espaço e a empresa realizou doações para o replantio para a horta continuar produzindo. Todos os alimentos colhidos foram doados para as famílias.

Resultados alcançados

O programa contempla ao todo 27 escolas em cinco municípios, alcançando 8015 alunos, 411 professores, 28 merendeiras e 82 agentes de saúde e agentes comunitários e 688 famílias. Depoimentos dos agentes de saúde: “Que sejam dadas novas oportunidades de poder participar de cursos iguais a esse, foi ótimo participar. Nos trouxe uma riqueza de conhecimentos, fáceis de ser praticados, melhorando a nossa qualidade de vida. Obrigada!” “Essa capacitação está sendo muito importante na minha casa e também nas minhas orientações no desempenho de meu trabalho. Depois das orientações que recebi no curso procuro comprar os alimentos o mais saudável possível. Só tenho a agradecer. Adorei” “Está sendo maravilhoso e muito proveitoso, pois sempre acreditei que a prevenção é a melhor forma para se adquirir saúde e esses encontros ensinam muito isso.” “Que sempre realizem esses cursos maravilhosos. Obrigado.” “Quero apenas agradecer imensamente pelo disponibilidade, pelo conteúdo aplicado de forma coerente, sucinta e dinâmica, agradecer principalmente pelo carinho no qual foi transmitido por vocês nas palestras e nas informações transmitidas.” “Sinto muito por infelizmente não puder ter comparecido em todos os momentos, mas nos que participei, fiquei imensamente feliz e grata pelo conhecimento transmitido e que é transmito para os nossos usuários… Enfim, que venham outros momentos para juntos aprender e transmitir o conhecimento aplicado.” Sobre a mudança de comportamento alimentar dos agentes de saúde: – 44% tiveram economia financeira nas compras de alimentos; – 67% melhoraram a qualidade na compras de alimentos; – 56% diminuíram o desperdício de alimentos; – 56% compreendem melhor as informações dos rótulos de alimentos; – 78% diminuiram o consumo de sal e alimentos ricos em sódio; – 89% diminuíram o consumo de açúcar, doces e bebidas açucaradas; – 89% diminuíram o consumo de óleo, frituras e alimentos gordurosos; – 78% aumentaram o consumo de frutas; – 89% aumentaram o consumo de legumes e verduras; – 67% têm preparado receitas mais saudáveis; – 67% iniciaram ou aumentaram a prática de atividade física. Houve a replicação do projeto na comunidade para promoção da alimentação saudável pelos profissionais de saúde capacitados, assim avaliado: – 100% multiplicaram os conhecimentos para a família; – 44% multiplicaram os conhecimentos para os colegas de trabalho; – 67% multiplicaram para o público que atende (comunidade). Foram realizadas palestras com as famílias com temas definidos de acordo com a demanda deles. Dentre eles: alimentação saudável e com baixo custo; diabetes – mitos e verdades; bactérias e seu impacto na alimentação e saúde; emagrecimento saudável, como incentivar as crianças a consumirem frutas, legumes e verduras. Em relação às hortas, foram realizas ao todo 183 visitas técnicas nas escolas. As escolas selecionadas elaboraram projetos pedagógicos sobre alimentação saudável utilizando a horta como ferramenta pedagógica. Foram levados a cabo 15 projetos elaborados com 100% de engajamento das escolas. Foram implementadas e entregues 15 hortas. Para a construção dos canteiros foram reutilizadas aproximadamente 13.200 garrafas pet. Houve colheita e uso das hortaliças na merenda escolar e distribuição para a comunidade. Para o replantio das hortas foram doadas 9.864 mudas. Depoimentos – Avaliação da importância do projeto pelos gestores das escolas “É de fundamental importância a implantação das hortas nas escolas, bem como o incentivo de ingestão de frutas, legumes e verduras, despertando a conscientização da importância da alimentação saudável” “É um projeto em que todos que fazem parte desenvolveram uma tarefa com zelo.” “Excelente. Porque é um projeto muito bom não só para a comunidade escolar, mas para os pais.” “Excelente. Um incentivo aos professores, alunos e comunidade escolar.” “Através da horta os discentes, famílias e funcionários terão consumos saudáveis.” “Excelente. Porque levamos o gosto para colher e cultivar a terra, mostrando a importância de colher alimentos saudáveis.” “Excelente. Como uma ferramenta de aprendizado na qual envolvemos todo corpo docente e discente neste projeto.” “Estamos com melhor frequência dos alunos e os pais estão mais perto da escola através da nossa horta.” “Provoca mudanças na alimentação dos alunos.” Em 2020 uma das escolas foi desativada e a continuidade do programa foi realizada com as outras 14 hortas. Devido ao sucesso e resultados do programa, o governo estadual solicitou a implementação do projeto nas escolas estaduais também. Atendendo ao pedido, em 2020 foi iniciada a primeira fase do programa em sete escolas estaduais localizadas em Rosário do Catete, Capela e Japaratuba, todas em Sergipe. A empresa também ampliou o programa para duas escolas do município de Ouvidor (GO) e quatro escolas no município de Tapira (MG). As escolas estaduais e as escolas municipais de Ouvidor participaram da Fase 1 do programa (formações) no início de 2020. Desafios Uma preocupação posterior à implementação do projeto era fazer com que eles se empoderassem e entendessem que a horta é deles e que eles precisam cuidar dela. Antes as pessoas pensavam que, se uma empresa (consultoria) fez a horta, ela precisaria cuidar para o resto da vida. O “desmame” foi bem complicado, mas está acontecendo. Por conta da pandemia, eles tiveram maior dificuldade em cuidar da horta, então o coordenador local da entidade parceira estava sempre presente pedindo atenção e cuidado. Foi preciso envolver a comunidade para eles entenderem que a horta é deles e que a consultoria está ali para orientar. Foi preciso muito diálogo, escutar as dificuldades deles, entendê-las, mas mostrar que empecilhos existem em todo lugar, que é preciso buscar saídas, caminhos. A limpeza da horta é um exemplo. Foi acionada a Secretaria de Educação, a prefeitura e a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo para ajudar neste processo. É um caminho desafiador para empoderar as pessoas, fazer com que entendam que a horta é delas, que é preciso cuidar. As pessoas estão mal-acostumadas com o assistencialismo, mas o programa conseguiu reverter parte desse processo. Hoje, eles sabem que precisam cuidar da horta, que têm que ir atrás do que precisam. Atualmente, as hortas estão todas em bom estado. Apenas uma ou outra, muito grande, precisa de um recurso maior para cuidar. De qualquer forma, como é preciso capinar, arrumar as leiras, colocar um bom adubo, é necessária a ajuda da prefeitura. Foram realizadas no total 128 formações e palestras (presenciais e online). Foram compartilhados 94 materiais de apoio pedagógico e informativos. Foram produzidas 23 videoaulas e contação de história. Foram criados 14 grupos de WhatsApp para interação e compartilhamento de conteúdo com as gestoras, merendeiras, grupos focais com professores e famílias. Foram realizadas 85 interações com as merendeiras e famílias nos grupos de WhatsApp. Na ação pedagógica do concurso de vídeos foram produzidos ao total 39 vídeos pelos alunos. Em avaliação realizada com as gestoras para zferir a mudança de comportamento dos profissionais das escolas: – 71% relataram maior consciência dos profissionais sobre alimentação saudável; – 64% relataram mudanças na própria alimentação dos profissionais das escolas; – 64% relataram melhora nas boas práticas de manipulação de alimentos pelas merendeiras. Ainda na avaliação realizada com as gestoras sobre a mudança de comportamento alimentar dos alunos: – 71% relataram aumento no consumo de frutas na merenda pelos alunos; – 93% relataram aumento no consumo de legumes e verduras na merenda pelos alunos; – 64% relataram que os alunos estão mais conscientes sobre alimentação saudável; – 50% relataram diminuição do desperdício de alimentos da merenda; – 71% relataram melhor aceitação de alimentos que antes eram rejeitados. Com os agentes de saúde e agentes comunitários, as formações impactaram nos seguintes aspectos: – 100% dos profissionais relataram ampliação do conhecimento sobre a alimentação, exercícios físicos e seu impacto na saúde; – 100% relataram maior consciência sobre a própria alimentação e saúde, inclusive da família.

Considerações finais

O impacto do programa é o tamanho que ele alcança, não importa em qual cidade ele foi realizado. Pode-se dizer que o programa criou uma tecnologia social exponencial, com capacidade de escala, que qualquer escola pode replicar. Não importa o lugar, a horta amplia a sua função de ferramenta pedagógica para um movimento de segurança alimentar e nutricional. Além do programa envolver muitos atores nos municípios onde atua, ele foi sistematizado – não é apenas criação da horta escolar, mas foi pensado como um todo e trabalha com toda a cadeia. O programa hoje é uma tecnologia social que já está beneficiando outras instituições e beneficiários em outras localizações como Ouvidor (GO), Tapira (MG) e escolas estaduais de Rosário do Catete, Capela e Japaratuba (SE), Araxá (MG) e Patrocínio (MG). Uma lição muito forte que esse projeto traz é a da resiliência. O projeto começou pouco antes da declaração de pandemia. Quando as crianças deixaram de ir à escola, a demanda por comida saudável não diminuiu. Pelo contrario, aumentou – assim como as dificuldades de cuidar da horta. Então houve uma necessidade de repactuar os acordos para não deixar as hortas literalmente morrerem. A escuta ativa foi fundamental para os novos pactos. Como recomendação para replicar o projeto, as lideranças precisam ter uma postura propositiva constante, encontrando caminhos para as dificuldades que se apresentam. Ter humildade para entender que não se trata de projetos pessoais, mas sim comunitários, que geram senso de pertencimento – então todos sentem-se donos e são. Outra recomendação é manter o senso de responsabilidade ativo. A dedicação ao projeto é cotidiana.