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Feira Solidária

Autores do relato:

TARCISIO AUGUSTO GONÇALVES JUNIOR tarcisio.goncalves@ufrn.br (84) 988661001

Contextualização

A Feira Solidária surgiu no Rio Grande do Norte em resposta à situações críticas ligadas à  pandemia de Covid-19. Anterior a ela, existia, desde 2017, uma feira que acontecia presencialmente como frequência semanal na EAJ/UFRN através do Projeto de Extensão aprovado em edital UFRN/PROEX/EAJ “Feira da Agricultura Familiar EAJ”. A escola disponibilizava barracas, um espaço coberto, organizava atividades culturais e divulgava para a comunidade acadêmica os itens disponíveis a cada semana. Para abrir mais um canal de comercialização, a escola realizava uma chamada pública direcionada a produtores da agricultura familiar, dando prioridade aos que estavam no entorno da unidade. Depois da comprovação que atendiam aos requisitos se tornavam parceiros e participavam de rodas de conversa antes e durante o desenvolvimento das atividades com estudantes, técnicos e professores para tratar dos procedimentos de boas práticas de comercialização e da dinâmica de funcionamento da feira. O projeto tinha a intenção de contribuir para a geração de emprego e o aumento da renda, auxiliar no desenvolvimento regional inclusivo, valorizar as tradições e os hábitos alimentares locais, colaborando para a segurança alimentar e nutricional dos envolvidos oferecendo acesso a alimentos diversificados, frescos e de preferência orgânicos, além de possibilitar a troca de experiências entre a comunidade acadêmica e a local, fomentando a troca de experiências facilitando o processo de construção do conhecimento e de formação dos discentes. A partir da pandemia e a recomendação de distanciamento social a feira foi suspensa, mas o contato com os produtores foi mantido, havendo relatos de dificuldades crescentes para escoar a sua produção. Com isto surgiu a idéia da ação emergencial “Feira Solidária” e se tornou parte do projeto de extensão “Interação EAJ/UFRN e a Agricultura Familiar”, aprovado em edital UFRN/PROEX/EAJ nº 001/2020 e renovado em 2021. A Escola Agrícola de Jundiaí, Unidade Especializada em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EAJ/UFRN), a Pro Reitoria de Extensão (PROEX/UFRN) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na intenção de contribuir socialmente para minimizar os impactos da covid-19 em comunidades em vulnerabilidade social e no seu entorno, apoiaram o desenvolvimento das ações de mitigação dos efeitos desse cenário, reforçando o seu compromisso no atendimento de suas funções acadêmica e social.

Justificativa

A pandemia COVID–19 causada pelo vírus SARS-CoV-2 ou novo Coronavírus, vem produzindo repercussões em escala global. Esta situação desencadeou impactos diversos, em magnitude e intensidade, não somente sobre a saúde das pessoas, mas, também, de natureza sociais, econômicas e ambientais, entre outros. Esse cenário, afeta de maneira ainda mais dramática as comunidades carentes, aumentando em número e grau, a situação de vulnerabilidade social dessas populações, em especial, em comunidades rurais e nas periferias urbanas.

Objetivo

No intuito de contribuir para diminuir os efeitos sociais e econômicos da pandemia, especialmente nas comunidades marginalizadas, periféricas e rurais, pois são as mais afetadas pela situação, criamos uma rede de cooperação entre campo e cidade, mobilizamos um coletivo de pessoas voluntárias, instituições públicas, privadas e do terceiro setor, para realizar ações de mitigação dos efeitos da covid-19 nestas comunidades carentes. Inicialmente ação arrecadava doações para aquisição de alimentos produzidos pela agricultura familiar e entregava a pessoas em situação de vulnerabilidade social, diminuindo assim a dificuldade para escoar os alimentos produzidos por estes produtores e ao mesmo tempo o combate a fome em tempos de pandemia. O processo foi sendo aprimorado e a ação também passou a executar, incentivar e apoiar ações de comercialização de circuito curto, aproximando produtor e consumidor.

Metodologia

Os parceiros do projeto trabalharam em conjunto para o planejamento e execução da “Feira Solidária” de forma participativa e colaborativa. Com exceção das atividades essenciais, todas as atividades da ação foram realizadas de forma remota, seguindo rigorosamente as orientações de combate e enfrentamento da pandemia.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN (Escola Agrícola de Jundiaí, Departamento de Antropologia e a Empresa Júnior 59mil do Curso de Publicidade e Propaganda), Universidade Federal da Paraíba – UFPB (Departamento de Gastronomia), o coletivo “Banquetaço”, a empresa privada “Veritas Consultoria Ambiental”, Central de Comercialização da Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (CECAFES/RN), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e a Cooperativa de Assentados Produtores da Agricultura Familiar de Macaíba, Adjacências COOAPAFAMA e indivíduos voluntários.

Estratégias

A principal ferramenta para divulgação da ação foi o aplicativo Whatsapp, também foi aberto um canal na plataforma youtube, na rede social instagram e a mídia tradicional ajudou a divulgar de forma espontânea.

Resultados alcançados

Participaram das cinco edições seis assentamentos de produtores da Agricultura Familiar: Quilombos dos Pamalres II e Eldorado dos Carajás do Município de Macaíba, TTL Bento Fernandes e Vale do Lírio, situados na cidade de São José do Mipibu, Rosário e Leonardo Silva, localizados no Município de Ceará Mirim, RN. Foram arrecadados mais de quinze (15) toneladas de alimentos, entregues cestas e pratos a mais de duas mil (2.000) famílias na região metropolitana de Natal no Rio Grande do Norte e João Pessoa na Paraíba.

Considerações finais

O processo de construção de forma coletiva, reforça nossa convicção que a implementação de ações colaborativas que propiciem a interação da academia com as comunidades locais, em parceria com movimentos sociais e a iniciativa privada, podem contribuir para melhorar o cenário de desigualdade social. A situação de pandemia, com as consequentes orientações de distanciamento dificultaram a mobilização dos diferentes atores envolvidos no projeto. A utilização de ferramentas de tecnologia de informação e comunicação possibilitaram a articulação para viabilizar as atividades. A participação de instituições sólidas e reconhecidas ajudaram a dar credibilidade ao projeto, aumentando a participação da sociedade. Com a experiência adquirida novas ações estão sendo planejadas para contribuir com o aprofundamento dos conteúdos abordados, na intenção de propiciar benefícios que podem contribuir para melhorar o cenário de desigualdade social, gerando possibilidades de trabalho e renda com bases sustentáveis.