APSREDES

Estímulo ao consumo de plantas alimentícias não convencionais (PANCS) e cultivo de pomares nativos dos biomas Mata Atlântica e Cerrado em São José dos Campos- SP.

Autores do relato:

Elizabeth Maria Bismarck Nasr elizabeth.bismarck@sjc.sp.gov.br 12)99119988

Ronaldo Gonçalves Madureira ronaldo.madureira@sjc.sp.gov.br 12)39116167

Elisa Margarida Kovacs Farinha elifarinha@gmail.com 12)98829592

Aretha de Fátima Amaral aretha.amaral@sjc.sp.gov.br 12)32121200

Margarete Carlos Correia saude@sjc.sp.gov.br 12)32121200

Marcelo Pereira Manara seurbs@sjc.sp.gov.br 12)39478166

Contextualização

O município de São José dos Campos localiza-se na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, com população estimada de 713.943 habitantes segundo IBGE 2018, caracteriza-se como uma cidade que une cultura, tradição e tecnologia. Na região urbana estão localizados institutos federais de pesquisa científica, empresas de tecnologia de ponta, prédios de arquitetura diferenciada, universidades, faculdades e centros de formação de mão de obra qualificada. Por outro lado, a zona rural concentra quase 70% do território do município, boa parte em áreas de proteção ambiental. É o principal município da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e o mais importante polo aeronáutico e aeroespacial da América Latina. A população também preserva a cultura local, influenciada pela história dos bandeirantes, que traçaram pela região os caminhos rumo ao ouro das Minas Gerais, e dos tropeiros que vinham do sul do estado vizinho.

Justificativa

Diante do aumento na prevalência de excesso de peso na população e considerando-se o impacto do consumo de alimentos in natura na prevenção e/ ou tratamento de doenças crônicas não transmissíveis de origem nutricional, a Prefeitura de São José dos Campos, por meio das Secretarias de Saúde e de Urbanismo e Sustentabilidade, incluiu dentro de suas atividades educativas ações de promoção da saúde voltadas ao resgate da alimentação saudável e sustentável. Atenção especial é dedicada ao estímulo do cultivo de alimentos em nível local, prática considerada sustentável em termos energéticos, uma vez que incentiva o consumo de produtos sazonais e dispensa o transporte de bens alimentares de locais mais distantes e encontra-se contemplada dentro de algumas metas propostas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dentre eles a erradicação da fome (alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável), saúde e bem estar, preservação da água limpa e implantação do saneamento (garantir a disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos) e, o consumo responsável (assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis). Estimulando o cultivo orgânico de alimentos em pequenos espaços e resgatando o consumo de plantas alimentícias não convencionais e frutas nativas dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, como ferramenta de promoção da saúde e da segurança alimentar e nutricional.

Objetivo

Contribuir para a ampliação do repertório alimentar dos munícipes e permitir acesso aos alimentos saudáveis, por meio da modificação da prática alimentar da população, ampliando o acesso aos alimentos produzidos de forma orgânica e sustentável no território e, resgatando o consumo de plantas alimentícias não convencionais e frutas nativas. Por meio da Roda de Conversa sobre Plantas Alimentícias não Convencionais e o Programa Pomares Nativos.

Metodologia

A Roda de Conversa sobre PANCS foi implantada no Dia Mundial da Alimentação de 2018. Atividade com periodicidade mensal, tendo como público alvo funcionários das UBS envolvidos com o Projeto de Hortas Comunitárias e pacientes, sendo aberta à população em geral. Cada encontro aborda determinada PANC, apresentando seu valor nutricional, presença de compostos bioativos, modo de consumo e cultivo. Ocorre visita à horta modelo para visualização dos canteiros de PANC, degustação da PANC in natura e em preparações, bem como distribuição de mudas, com objetivo de garantir o acesso ao alimento (uma vez que não estão disponíveis no mercado comum) e resgate à cultura do plantio orgânico e estímulo ao desenvolvimento de habilidades culinárias. Encontra-se temporariamente suspensa devido à Pandemia de Covid-19. O Programa Pomares Nativos foi implantado em 2019, com objetivo principal de conscientizar a população sobre a importância da preservação dos biomas Mata Atlântica e Cerrado, de ocorrência em São José dos Campos. Para este fim, são implantados pomares nas diversas regiões da cidade, com gestão participativa da comunidade, incluindo diálogos que resgatam a cultura regional do uso destas frutas, seus benefícios nutricionais e seu potencial gastronômico. Resgatando o contato com frutas da nossa região, que foram esquecidas durante o processo de introdução de frutas exóticas de outros países e colaborando para a construção de um desenvolvimento mais sustentável, promovendo o reconhecimento da importância dos Biomas e também por melhorar o equilíbrio ambiental. A difusão de pomares pela cidade pode contribuir ainda com políticas de segurança alimentar e nutricional, com a diminuição de terrenos baldios e com a relação das crianças com seus pais e avós através da história oral.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

Parceria entre as Secretarias de Saúde e de Urbanismo e Sustentabilidade, tendo como público alvo a população em geral, pacientes das Unidades Básicas de Saúde, escolares, e colaboradores das secretarias do município e demais instituições.

Estratégias

Ações educativas junto à população, com objetivo de informar sobre as qualidades nutricionais de plantas nativas da região, disponibilizar preparações para degustação, favorecendo a aceitação alimentar de um novo sabor e distribuir e / ou plantar mudas destas espécies, para permitir o acesso ao consumo destes alimentos.

Resultados alcançados

– Roda de Conversa sobre PANCS: Realização de 12 rodas de conversa, com a participação de 501 pessoas (média de 42 por reunião), que atuam como multiplicadores nos territórios sanitários. Foram exploradas as plantas: capuchinha (Tropaeolum majus), azedinha (Rumex acetosa), peixinho (Stachys byzantina), beldroega (Portulaca oleracea), major gomes (Tanilum paniculatum), caruru (Amaranthus sp), ora pro nobis (Pereskia aculeata), malvavisco (Malvaviscus arboreus), pimenta rosa (Schinus terebinthifolius), feijão guandú (Cajanus cajan), nirá (Allium tuberosum), coentro do norte (Eryngium foetidum), açafrão da terra (Curcuma longa), taioba (Xanthosoma taioba), almeirão roxo (Lactuca canadensis), cará moela (Dioscorea bulbifera), jambú (Spilanthes oleracea), hibiscos (Hibiscus acetosela, Hibiscus sabdariffa e Hibiscus rosa sinensis), beijinho (Impatiens walleriana hook), bertalha (Basella alba e Basella rubra) e tamarillo (Solanum betaceum). Em 2020 foi confeccionado livro das receitas degustadas pela população nos encontros (disponível em: http://www.sjc.sp.gov.br/media/125100/4663_a_s12_pancs3_web.pdf). https://www.sjc.sp.gov.br/noticias/2019/maio/17/roda-de-conversa-estimula-consumo-de-plantas-alimenticias/ Durante a Pandemia de Covid -19 as ações em grupo ficaram prejudicadas e deste modo, buscou-se outras formas para contactar a população, como desenvolvimento de matérias informativas no Site da Prefeitura de São José dos Campos, bem como programas de TV voltados para as famílias de escolares da rede pública municipal. Disponíveis em URL: http://www.sjc.sp.gov.br/noticias/2020/abril/02/pancs-alternativas-para-consumo-de-hortalicas-durante-a-pandemia/ https://www.sjc.sp.gov.br/noticias/2020/junho/02/escolhas-alimentares-saudaveis-protegem-o-sistema-imunológico/ – Pomares Nativos: Até o momento foram implantados 21 Pomares, contemplando as espécies: Abiu (Pouteria torta), Araçá (Psidium cattleyanum), Araticum (Annona sylvatica), Bacupari (Garcinia gardneriana, Sinonímia Botânica: Rheedia gardnerina), Cambucá (Plinea edulis), Cambuci (Campomanesia phaea), Cereja do Rio Grande ( ), Gabiroba (Campomanesia xanthocarpa), Grumixama (Eugenia brasiliensis), Jaboticaba (Plinia peruviana), Jaracatiá (Jaracatia spinosa), Jatobá (Hymenaea sp), Juçara (Euterpe edulis), Pitanga (Eugenia uniflora) e Uvaia (Eugenia pyriformis). https://www.sjc.sp.gov.br/noticias/2021/junho/09/programa-pomares-nativos-faz-plantio-no-campos-de-sao-jose/

Considerações finais

As ações desenvolvidas ao longo destes anos caracterizam-se como estímulo concreto à alimentação saudável que envolvem a comunidade local e trabalham questões como solidariedade, cooperativismo, cidadania, sustentabilidade, economia solidária, promoção da saúde, auto- cuidado, socialização, resgate à cultura regional e prática de atividade física, por meio de um processo educativo com gestão participativa em constante transformação, que busca responder às demandas locais.