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Cozinha Experimental na Escola Classe 115 Norte

Autores do relato:

ÍRIS FERREIRA CRUZ irisfcruz@gmail.com 55(61)996515146

Contextualização

Em 2019, quando teve início o projeto de Cozinha Experimental na Escola Classe 115 Norte, embora o Distrito Federal e a própria região do Centro Oeste figurasse entre os melhores percentuais de segurança alimentar diante da realidade do país – segundo dados do IBGE retratados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 – o alarme da comunidade escolar soava para as evidentes diferenças na realidade vivenciada pelos estudantes, quanto ao acesso à alimentação segura e saudável.O quadro apontava, tanto para a mudança de hábitos alimentares voltado ao consumo de ultraprocessados, quanto para o agravamento no acesso às principais refeições, dentre as famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo, Ana Maria Inês, fundadora da escola de gastronomia infantil Cozinha do MiniChef e consultora voluntária da Escola Classe 115 Norte, para a elaboração e implementação do Projeto Cozinha Experimental, enquanto os gestores e familiares da escola relatavam preocupações sobre o crescente risco de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis refletido na comunidade escolar; outra parcela de alunos já sofria diariamente com a incerteza do acesso à alimentação básica. Historicamente, essa parcela dos alunos recebe da escola o único aporte alimentar em quantidade e qualidade necessária à sobrevivência. Com base nas observações do corpo pedagógico e nos relatos da comunidade escolar sobre a realidade alimentar das famílias, constatou-se que em ambas as situações apontadas, o consumo de Frutas, Legumes e Verduras já configurava aquém do recomendado no Guia Alimentar da População Brasileira ou preconizado pela Organização Mundial de Saúde.

Justificativa

Seguindo um modelo pedagógico para estímulo à autonomia das crianças, a partir dos ideais preconizados pelo educador Paulo Freire, a Escola Classe 115 Norte também mescla sua sua atuação com base nos laços da Comunidade de Aprendizagem – idealizada pelo educador português José Pacheco – para o desenvolvimento de uma escola com maior participação e engajamento social. Por isso, além de promover o exercício da autonomia e garantir maior segurança alimentar no dia a dia dos escolares do ensino fundamental, as experiências vivenciadas na Cozinha Experimental, têm fortalecido o vínculo da escola com as famílias e estimulado o apoio de empresas e outros parceiros da sociedade civil, a exemplo da Cozinha do MiniChef e da própria comunidade, para a valorização de um sistema alimentar sustentável. Desta forma, conscientes de que a escola tem papel fundamental para formação de hábitos saudáveis e atitudes ecologicamente sustentáveis na busca por uma realidade socialmente justa, o Núcleo da Escola Classe 115 Norte – com base no projeto de educação Alimentar da Cozinha do MiniChef idealizado por Ana Inês – passou a investir no Projeto de Cozinha Experimental como ambiente prático voltado à Educação Alimentar e Nutricional das mais de 300 crianças atendidas pela instituição, com famílias residentes no Plano Piloto, Varjão, Cruzeiro Novo, Octogonal, Granja do Torto, Sobradinho, Taquari, Planaltina, Vila Planalto, São Sebastião, Noroeste, Itapuã, Águas Claras, Paranoá, taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Gama, Santa Maria, Núcleo Bandeirantes, Recanto das Emas, Guará, Brazlânida,dentre outras localidades do entorno, como Val Paraíso, Brasilinha e Jardim Céu Azul.

Objetivo

Seguir modelo e orientações de projeto da escola de gastronomia infantil Cozinha do MiniChef, para aplicação de atividades práticas na implementação da Cozinha Experimental Pedagógica: Objetivos da Cozinha do MiniChef: – Estimular a formação da Consciência Alimentar e o consumo de Frutas, Legumes e Verduras; – Incentivar a prática do experimentar e degustar novos sabores; – Despertar os sentidos básicos para a escolha de ingredientes que estimulem a compreensão sobre o sistema alimentar sustentável e inclusivo; – Desconstruir o preconceito alimentar ao trabalhar receitas elaboradas para crianças que necessitam de cardápio restritivo (isento de glúten, ovo, leite e soja, por exemplo) – Resgatar a importância do lúdico na prática de atividades que permeiam a vida das crianças, como a escolha de um lanche, ou preparo de uma refeição; – Garimpar a história das raízes culturais e familiares, a partir do resgate das receitas de família ou hábitos alimentares regionais; – Cultivar as habilidades não-cognitivas (socioemocionais) que estimulem a determinação, cooperação, autonomia e a sociabilidade, como exercício para a vida; – Exercitar o aprendizado do conteúdo clássico lecionado na escola, com atividades interdisciplinares vivenciadas na cozinha experimental; – Valorizar criatividade empírica e autônoma das crianças, conforme a biodiversidade regional e até mesmo a realidade de escassez Objetivos da Cozinha Experimental Pedagógica: Aplicar os valores citados como base da Cozinha do MiniChef para promover dinâmica educativa dentro da comunidade de aprendizagem.

Metodologia

Focado em uma metodologia para auxiliar as crianças em seu processo de autoaprendizagem, protagonismo e autonomia como valores para a vida, o Projeto Cozinha Experimental foi aplicado de maneira evolutiva. Conforme orientado pela empresa consultora, as oficinas seriam ministradas com duração de 2h/aula, para cada turma dividida em até 15 crianças, respeitando o horário de intervalo e o cronograma de atividades pedagógicas. Aplicadas num sistema de rodízio, ao passo que parte da turma participava da Cozinha Experimental, outras atividades eram ministradas pelos professores em sala, ou áreas externas, com o intuito de promover o melhor aproveitamento do espaço físico da escola, assim como o estreitamento das relações professor-aluno, uma vez que a diluição do número de alunos em sala de aula proporciona maior atenção e direcionamento pedagógico a cada pequena turma distribuída entre as diversas atividades no ambiente escolar. No que se refere à metodologia e dinâmica para a realização das Oficinas de culinária na Cozinha Experimental, desde o cultivo de hortaliças, ao pré-preparo e produção da receita, a participação ativa das crianças passou a responder a cada objetivo estabelecido, ponto focal para a Educação Alimentar e Nutricional das famílias envolvidas.

Atores envolvidos (institucionais e/ou coletivos)

– Alunos da escola Classe 115 Norte (ensino fundamental 1) – Comunidade Escolar da Escola Classe 115 Norte (familiares voluntários, gestores e professores, merendeiras) – Cozinha do MiniChef – Escola de Gastronomia Infantil (empresa parceira)

Estratégias

Iniciada com o diálogo entre os gestores da escola, representantes de pais e familiares e a equipe consultora da escola de gastronomia infantil Cozinha do MiniChef, para reconhecimento do cenário, diagnóstico de pontos críticos e elaboração do plano estratégico voltado à implementação da Cozinha Experimental, a primeira etapa da Experiência foi o estabelecimento de metas para execução do Projeto e a coleta de informações sobre os hábitos e possíveis restrições alimentares das crianças. Nesta primeira etapa diagnóstica, a escola também inscreveu os alunos e familiares interessados em participarem da experiência. Paralelamente, a equipe consultora, com a colaboração dos gestores e familiares voluntários, planejaram espaço temporário adequado à execução das oficinas, providenciando ainda a aquisição de utensílios, eletrodomésticos e ingredientes que seriam necessários para as primeiras experiências. O Projeto englobou oficinas práticas de culinária infantil ministradas semanalmente pela Cozinha do MiniChef, empresa parceira que paralelamente às oficinas infantis promovia o treinamento de servidores e familiares voluntários, com o intuito de formar multiplicadores inseridos na própria comunidade de aprendizagem.

Resultados alcançados

A experiência com o Projeto Cozinha Experimental iniciado em 2019 funcionou como um marco de atuação para a Educação Alimentar e Nutricional e a ampliação do consumo de Frutas Legumes e Verduras entre as crianças e a comunidade escolar como um todo. A troca de receitas, os experimentos culinários e o engajamento das famílias e parceiros da escola garantiram a consolidação do Projeto e o estabelecimento de novas metas. No cenário pandêmico enfrentado nos anos de 2020 e 2021, por exemplo, paralelo ao esforço para garantir suporte às crianças e seus familiares durante a necessidade de isolamento social e permanência das aulas remotas, o Projeto da Cozinha Experimental deu novos passos com o engajamento da comunidade e organização estratégica dos gestores na construção do espaço físico que abrigará as oficinas culinárias em uma cozinha pedagógica.

Considerações finais

Desta forma, relato a implementação da Cozinha Pedagógica na Rede Pública de Ensino, uma experiência inovadora, que comprova a possibilidade de estender o Projeto de Cozinha Experimental a outros centros educacionais do Distrito Federal, assim como em outras localidades do país. O novo espaço, já reformado, agora será concluído com a aquisição de eletrodomésticos e utensílios apropriados ao uso infantil. O Projeto continua contando com a participação de empresas parceiras e engajamento da comunidade.