Ferramentas digitais viabilizam acesso à APS durante a pandemia

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Com o auxílio de tecnologias digitais, equipes de saúde superam um dos principais desafios da Atenção Primária à Saúde durante a pandemia: o acesso aos serviços de saúde, quando o atendimento presencial representa um risco de contaminação. Três experiências, desenvolvidas nos estados de Pernambuco, Santa Catarina e São Paulo, foram apresentadas durante a live APS digital – o uso de ferramentas tecnológicas para o trabalho na Atenção Primária, realizada nesta quinta-feira (25/06) pelo Portal da Inovação na Gestão do SUS.

A falta de acesso provocada pela pandemia, segundo o coordenador da Unidade Técnica de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS, Renato Tasca, provocou impactos, como atraso de cirurgias oncológicas, interrupção de hemodiálises e terapias para doenças crônicas.

Neste novo contexto, as equipes de saúde veem-se diante da necessidade de preservar o acesso sem expor os trabalhadores e os usuários ao risco de contágio. “A saída é atender à distância, com todas as limitações e dificuldades que este atendimento tem. No Brasil, estas dificuldades são duplas, ou triplas. Enquanto, em outros países, a telemedicina e a teleconsulta são normatizadas, permitidas e praticadas, no Brasil, as consultas remotas só foram liberadas após a pandemia”, comparou Tasca.

Na opinião de Tasca, as ferramentas digitais farão parte da agenda pós-pandemia de fortalecimento do SUS, que envolve a Atenção Primária. “Precisaremos fazer mais do mesmo, mas também teremos que inovar. E a telemedicina é um dos grandes divisores que podem marcar o passo para uma APS mais moderna e mais efetiva. Não estamos dizendo que a telemedicina vai substituir a consulta e a relação médico-paciente, mas podemos pensar em uma combinação”.

Após conhecer as iniciativas, o debatedor, José Eudes Barroso, que é assessor da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, observou que a exposição destas ações, em si, representa uma grande inovação. “A gente tinha esse tipo de compartilhamento em congressos. As lives são um movimento importante de disseminação rápida e ampla destas experiências”.  

APS Forte

As iniciativas estão entre os mais de 800 cases inscritos na seleção APS Forte no Combate à Pandemia, em que as equipes relatam o que fazem para enfrentar a Covid-19. “É incrível como as pessoas, com problemas mais sérios para pensar, como provimento de EPIs, organização dos turnos, substituição dos colegas doentes, ainda encontram, milagrosamente, tempo de anotar sua experiência, colocar em um papel virtual e mandar”, observou Renato Tasca. “Graças a estas equipes, o lema desta pandemia, que é ‘a APS não pode parar’, se transforma em realidade”, completou.

As inscrições de experiências serão prorrogadas até o dia  15 de julho,  pois encerraria 30 de junho, na plataforma virtual ancorada ao Portal da Inovação na Gestão do SUS (https://apsredes.org/aps-forte-sus-no-combate-a-pandemia/).

Teleatendimento na capital paulista

As ações para implantação do teleatendimento em Campo Limpo e Vila Andrade, na região Sul da cidade de São Paulo, foram apresentadas pela enfermeira Talita Rewa, apoiadora técnica do Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein. O teleatendimento é constituído por várias modalidades, como teleconsulta, televisita, teleorientação, telemonitoramento e telematriciamento.

Desde o final de março, quando a experiência foi introduzida, foram realizados mais de 35,5 mil atendimentos pela Unidade Básica de Saúde. Destes, 45% foram realizados pela equipe de saúde bucal.

Os resultados da iniciativa demonstram que o teleatendimento tem potencialidades, como fortalecimento da APS, na medida em que constitui uma nova forma de garantia de acesso. Ao mesmo tempo, a ferramenta fortalece o vínculo com os usuários, transmitindo a sensação de cuidado.

Entre os desafios, estão a necessidade de acesso a aparelhos e rede de internet, de prontuários eletrônicos integrados em uma plataforma de teleatendimento e o desenvolvimento de novas competências.

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Monitoramento por geolocalização

Em Jaboatão dos Guararapes – PE, as equipes da Atenção Primária passaram a usar a geolocalização para monitorar os pacientes com síndrome gripal na Estratégia Saúde da Família. A experiência foi apresentada pelo cirurgião dentista Ricardo Estrêla de Morais. O município, localizado na região metropolitana de Recife, é o segundo maior do estado em população e ocupa o segundo lugar em número de casos confirmados e óbitos pela Covid-19.

O processo de monitoramento de pacientes suspeitos ou confirmados para a Covid-19 é realizado com base no conceito de fast track preconizado pelo Ministério da Saúde, utilizando o Google Earth para fazer a geolocalização. A ferramenta permite visualizar a distribuição dos casos de forma rápida no mapa territorial e realizar uma diferenciação por sua classificação clínica.

A partir do mapeamento dos casos, é possível subsidiar o planejamento de estratégias e a tomada de decisão pela equipe e pela gestão municipal de saúde.

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Institucionalização da cultura da inovação

A coordenadora do Alô Saúde Floripa, a médica de família e comunidade Fernanda Melchior, apresentou a experiência de Florianópolis-SC com tecnologias de informação para consolidar os atributos da APS. Segundo a médica, desde 2010, as equipes da Atenção Primária já cultivam a cultura de inovação em tecnologia de informação, o que facilitou a implantação dos processos.

A partir do surgimento da pandemia, tecnologias que envolvem o uso de internet e aparelhos celulares foram institucionalizadas e regulamentadas, para serem incorporadas por todas as equipes.

O Alô Saúde Floripa é outra forma de acesso não presencial que já vinha sendo estruturada há dois anos e foi fortalecida durante a pandemia. A tecnologia é um sistema de atendimento pré-clínico por telefone do SUS, por meio do qual o paciente é direcionado ao agendamento mais adequado ao seu caso.

Desde o início da pandemia, foram realizadas 31,7 mil teleconsultas na APS e mais de oito mil atendimentos pelo Alô Saúde Floripa por suspeita de Covid-19. Segundo Fernanda Melchior, cerca de  63% dos pacientes que iriam para UPA e emergência foram manejados pelo teleatendimento.  Entre os desafios identificados pelas equipes, estão: estruturação da APS, qualificação dos profissionais, organização do acesso, regulamentação, produção do conhecimento e financiamento. Uma das questões abordadas durante a apresentação foi a necessidade de estabelecer os limites para a teleconsulta, definindo quando é imprescindível o atendimento presencial.

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