Experiência exitosa do Canadá em Prática Avançada na Enfermagem

A implementação de Práticas Avançadas em Enfermagem (PAE) no Canadá foi tema da oficina virtual, que aconteceu no dia 8 de outubro, com o intuito de promover o compartilhamento de experiências nacionais e internacionais visando subsidiar a discussão sobre a implantação da PAE no Brasil.

“Os serviços são organizados e prestados no Canadá de acordo com a sua divisão geográfica, para 35 milhões de habitantes no total. O sistema de cobertura universal de saúde é através do pagamento de impostos e dá acesso à Atenção Primária à Saúde (APS), prestada pelos médicos de família, serviços hospitalares, ambulatoriais, mas a cobertura não é muito completa e as pessoas ainda precisam pagar um pouco do próprio bolso por muitos serviços de saúde em situações  ambulatoriais, reabilitação, medicamentos e equipamentos”, explicou  Denise A. Bryant-Lukosius, professora da Escola de Enfermagem, integrante do Departamento de Oncologia da Faculdade de Ciências da Saúde da McMaster University, presidente do Comitê de Currículo do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e co-diretora fundadora do Centro Canadense para Pesquisa em Enfermagem de Prática Avançada (CCAPNR).

As enfermeiras representam o maior grupo de profissionais de saúde no país, com funções regulamentadas. “Temos dois tipos de funções em práticas avançadas em enfermagem, Clinical Nurse Specialist (CNS) e Nurse Practitioner (NP) introduzidas em 1960 e estabelecidas nas 13 províncias e em todos os territórios apenas em 2010. As demandas e funções de enfermagem flutuam de acordo com as políticas públicas de saúde, oferta de médicos, política e economia”, considerou Bryant-Lukosius.

A estrutura nacional também destaca certas competências para a especialidade clínica Clinical Nurse Specialist (CNS), enfermeira registrada com pós-graduação em enfermagem e um alto nível de especialização em especialidade clínica. As áreas de especialização podem se concentrar em conhecimentos relacionados a uma população específica, um ambiente de prática, uma doença ou subespecialidade, um tipo de cuidado ou um tipo de problema de saúde. “A CNS melhora os resultados do paciente, da população e do sistema de saúde ao integrar conhecimentos, habilidades e experiência em atendimento clínico, pesquisa, liderança, consultoria, educação e colaboração”, pontua Denise A. Bryant-Lukosius.

Nurse Practitioner (NP) é a categoria de enfermeiras que trabalha em ambulatórios, com papel expandido para atuação em comunidades rurais, do norte do país e áreas mais remotas e com apoio limitado. Tratam as famílias e casos de atenção primária, pediatria, incluindo neonatal, e anestesia. Estas profissionais precisam ter mestrado e têm autonomia para diagnóstico, solicitação de exames, prescrição de medicamentos e realização de alguns procedimentos.

A imagem abaixo explica a diferença entre as duas funções:

 

“As duas funções devem se integrar, mas o foco de cada uma delas varia, as CNS tendem a ter mais responsabilidade no domínio de papéis integrados relacionados às pesquisas, liderança e educação, e as NPs passam menos tempo dedicados à pesquisa e educação. O equilíbrio das atividades clínicas e não clínicas varia respondendo às mudanças e necessidades dos pacientes, e organizacionais”, finaliza Bryant-Lukosius. Existe um estudo sobre as diferenças das funções para auxiliar os atores a entenderem melhor cada uma delas.

Algumas barreiras enfrentadas para a integração das funções CNS e NP no Canadá foram, segundo a painelista: papéis substitutivos ou complementares, abordagem fragmentada da integração, falta de clareza e consciência do papel, incompatibilidade entre educação e prática, restrições no escopo da prática e falta de titulação protegida, falha em abordar barreiras ambientais, tensões intra e interprofissionais, financiamento, produção e uso de evidências. Porém, os facilitadores como usar abordagens sistemáticas e focadas no paciente para o planejamento de funções, envolvimento precoce das partes interessadas no planejamento para promover a compreensão e aceitação das funções, funções claramente definidas e conscientização do público e do provedor de saúde, contribuíram para a implementação dos serviços.

Quanto ao futuro, Bryant-Lukosius comentou: “A integração total do CNS e do NP no sistema de saúde do Canadá ainda não foi alcançada, precisamos alavancar a força de trabalho da saúde e a escassez da enfermagem intensificada pela pandemia, para otimizar o uso das funções. Precisamos de mais estratégias de tradução de conhecimento mais eficazes para influenciar a tomada de decisões e promover a compreensão dos papéis do CNS e NP no sistema, a promoção de abordagens sistemáticas para introduzir uma massa crítica de CNS e NPS para impactarmos em áreas de alta necessidade a nível local e nacional”.

A Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e o Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem da Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto têm promovido discussões, articulando as principais instituições, como os Ministérios da Educação e da Saúde, e o Cofen.

 

Assista a oficina na íntegra:

 

 

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