São as quatro e meia da tarde e Alex Gustaffson, depois de um dia de trabalho, toma a linha R3 do metrô rumo ao Hospital Rihov. O sol ainda está alto no céu de Jönköping, cidade da Suécia onde Alex nasceu, vive e trabalha como técnico eletrônico para uma empresa multinacional. Há um ano e meio, Alex tem que se submeter, três vezes por semana, a sessões de hemodiálise depois de que uma glomerulonefrite devastou os seus rins e os deixou inservíveis. No começo, todo isso lhe parecia insuportável. Depender de uma máquina para viver, dever constantemente ser auxiliado por profissionais de saúde para realizar os procedimentos de hemodiálise era algo que Alex, com apenas 35 anos, sempre cheio de vida e prestativo com todos, custava a suportar.

Por isso, Alex ficou muito entusiasmado quando, no final do ano de 2014, o dr. Olaf Karlsson, médico de Família de Alex, lhe perguntou se queria participar do programa de empoderamento dos pacientes em hemodiálise, que funciona no Hospital Rihov desde 2005. A proposta era simples: Alex seria treinado para poder realizar o procedimento de hemodiálise sozinho, de forma autónoma, mas em condições de total segurança e de monitoramento continuo por parte dos profissionais de saúde do hospital. O médico de Família participaria ativamente para o acompanhamento do paciente e avaliação dos resultados.

Após de mais de uma década de trabalho de empoderamento de pacientes, os resultados do programa de auto-hemodiálise do Hospital RIhov de Linkoping são extraordinários. Hoje, 60% dos pacientes de hemodiálise realizam os procedimentos em plena autonomia. A meta é alcançar 75%.  Os pacientes marcam pelo smartphone o horário e o dia do procedimento. Os custos da hemodiálise caíram 50% e as complicações diminuíram 27%.

Alex, que está na espera de um transplante, considera que esta inovação o ajudou muito a encarar a sua situação, não apenas por ter mais autonomia, mas sobretudo porque ele sente que tem controle sobre a doença, não é apenas um sujeito passivo, nas mãos de tecnologias complexas e profissionais de saúde especializados.

Muitos pacientes estão em situações parecidas com a do Alex. Eles são portadores de condições que não tem cura, mas que graças a medicamentos ou outros procedimentos e outros cuidados continuativos conseguem ter uma qualidade de vida aceitável. Hipertensos, diabéticos, portadores do HIV, só para fazer alguns exemplos mais comuns, vão ter que conviver com a doença por todas suas vidas, 365 dias por ano, 24 horas por dia. Empoderar estas pessoas, torná-las protagonistas no controle da própria condição é fundamental para uma vida digna e, além disso, melhora a eficácia dos cuidados e reduz custos para o sistema, os próprios pacientes e suas famílias.

Renato Tasca, cronista e médico

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