Construindo estratégias intersetoriais para o atendimento de adolescentes com medida protetiva de saúde (Belo Horizonte)

CONSTRUINDO ESTRATÉGIAS INTERSETORIAIS PARA O ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES COM MEDIDA PROTETIVA DE SAÚDE

Criado em 2008, o programa de atendimento de adolescentes em conflito com a lei visa o encaminhamento às medidas socioeducativas em meio aberto. Após acolhidos, os adolescentes recebem encaminhamentos para a rede pública e cerca de 90% são atendidos no PSF no município. Desde a implantação do programa, 9000 adolescentes foram atendidos e, desses, 3000 eram reincidentes. Com o objetivo de melhorar o atendimento dessa clientela, em 2012 foi criado o Núcleo Integrado de Atendimento a Adolescentes Encaminhados para Medidas Protetivas – NAMSEP.
Público alvo: adolescentes infratores. Predominam adolescentes negros e pobres.
Metodologia: após a definição judicial de que são candidatos a medidas protetivas, os adolescentes infratores são levados ao núcleo. Todos são acolhidos e, a partir de uma entrevista inicial, são encaminhados para a rede de saúde, de assistência social ou de educação. Muitos têm problemas com uso abusivo de drogas ou mesmo de saúde mental, esses são encaminhados para os CAPSIs ou equipe de saúde mental. A equipe se dispõe, em alguns casos, a prestar atendimento à família e realizar visitas domiciliares. A proposta é atender com um plano de atenção caso a caso, a partir do projeto singular de cada indivíduo.
Resultados: o adolescente participa da solução do seu próprio caso. Trabalha-se a demanda real de cada adolescente, buscando sempre tirar os rótulos de usuário de droga ou de infrator para ser somente um adolescente que precisa de cuidado. Grande apoio da Gestão, que está em fase de criar condições para ampliar a equipe e melhorar a estrutura para ao atendimento. Cerca de 80% dos adolescentes voltam para procurar a equipe após o primeiro contato – fato considerado como muito positivo para avaliação do projeto. Entretanto, outras formas de avaliação e controle de qualidade devem ainda ser desenvolvidas.
Dificuldades: a formação da graduação dos profissionais é muito fragmentada, ou seja, estão despreparados, inicialmente, para prestar um atendimento integral; no judiciário existe uma tendência à criminalização dos adolescentes que são capturados; extrapolamento do judiciário que quer dirigir a atuação do profissional de saúde. Como principal problema comentou-se a falta de contato da equipe com os adolescentes que chegam após serem detidos com infrações de graves a discretas. Todos são levados a uma situação de internação temporária em um ambiente insalubre e pouco acolhedor. Durante a visita não houve oportunidade de conversar com os usuários do sistema.

Participantes presentes durante a visita técnica:
Maria Helena Ruzany – Consultora do Ministério da Saúde
Bruna Gisele de Oliveira – Coordenação Geral de Saúde dos Adolescentes e Jovens/DAPES/MS
Danielle Vassalo Cruz- Assistente Social
Marcia Rocha Parizzi – Médica pediatra Coordenação da Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente/ Gerência de assistência/ SMS de Belo Horizonte
Giovanna Borgu – Psicóloga do NAMSEP
Paula Saraiva Rocha – Psicóloga do NAMSAEP
Ivani Martins do Carmo – Professor Municipal de Belo Horizonte do NAMSEP
Núbia Cruz – Coordenação de Saúde da Criança e Adolescente da SMS de Belo Horizonte

2 BH Medidas protetivas corr

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