Arminio Fraga: “O governo vai ter que gastar”

O Presidente do Conselho do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Arminio Fraga, abordou o papel das políticas públicas e as respostas da sociedade civil, no debate “Desafios para o Brasil diante da Pandemia Covid-19”, realizado no ambiente virtual do Portal da Inovação, no dia 15 de abril.

Na avaliação do ex-presidente do Banco Central, entre todas as crises que o Brasil enfrentou nos últimos anos, esta será uma das maiores e apresentará uma grande diferença em relação às anteriores, em função da conjunção da economia com a Covid-19, que retira as pessoas do mercado de trabalho.
Para Fraga, o Brasil está diante de um problema extremamente complicado de administração econômica e social. “As soluções para as duas crises virão juntas, será difícil construir uma saída para a crise econômica sem enxergar a crise sanitária”, pontuou o economista.

Fraga chamou atenção, ainda, para as condições precárias em que vive grande parte dos brasileiros, o que dificulta a adoção de práticas de higiene necessárias para conter o avanço da pandemia. Além disso, destacou que o contingente de idosos e portadores de doenças crônicas soma 35% da população do País.
O presidente do IEPS considera que o Brasil está diante de um quadro preocupante do ponto de vista da economia, uma vez que as chances de ocorrerem outras ondas de contaminação é muito grande, e que existe uma probabilidade alta de que a crise só acabe quando houver vacina e tratamento para a Covid-19, cuja expectativa é para daqui a um ano no mínimo. “Ao contrário do mundo, que vinha em crescimento, o Brasil está em recessão desde 2014 e nunca havia se recuperado”, observou Fraga. “Ficou muito claro que o governo vai ter que gastar”, ressaltou o economista.
A previsão de Arminio Fraga é de que, em 2020, o Brasil sofra uma queda de 8% no PIB, redução jamais registrada na história do País. “À medida que a saúde voltar, pode haver recuperação, mas teremos que viver com muita incerteza por muito tempo”. Para Fraga, não há como fazer uma opção entre a economia e a saúde. “Não acredito que haja a alternativa de sacrificar vidas para salvar a economia”, enfatizou. “A melhor opção é acolchoar o tombo para que possamos sobreviver”, concluiu o ex-presidente do Banco Central.

Arminio Fraga – Presidente do conselho do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS)

“Saúde é prioritária, salvar vidas é prioridade. Esta decisão horrorosa que alguém poderia tomar, sacrificar vidas para salvar a economia, isso não existe.”

O economista e fundador o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, Arminio Fraga, aguarda uma recessão profunda no Brasil com queda no Produto Interno Bruto (PIB) entre 6 a 8%.

Especial Covid-19 - Saiba como foi a participação do economista Armínio Fraga no debate promovido pelo Portal da Inovação

“Vai ser muito difícil construir uma saída para a economia sem que se enxergue onde acaba a crise sanitária”, afirma Arminio Fraga, economista e presidente do conselho do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS)

“O governo vai ter que gastar”, defende o economista Arminio Fraga.
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