Ardigò Martino

Ardigò Martino
O professor estrangeiro na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ardigò Martino, formado na Universidade de Bolonha, na Itália, afirma que os países não devem subestimar a doença e pontua o papel da APS no território para a resposta à emergência. Martino explica como a Itália, especialmente na região mais afetada ao norte do país, está organizando a APS para enfrentar a Covid-19.
“Primeiramente, não pode subestimar. A Itália subestimou e muitos países subestimaram. Essa doença é um túnel do tempo, você tem a possibilidade de ver o que acontecerá no seu país em algumas semanas e todos os países devem aproveitar essa oportunidade.  

Quais as principais lições aprendidas da experiência de Itália?

Todo mundo está repetindo sobre a importância a Atenção Primária, os chineses, os italianos e os espanhóis, todo mundo está entendendo que esta guerra está na capacidade dos territórios de preservar UTI e vagas hospitalares. E dentro do território qual é a lição? Integralidade. Trabalho junto de saúde pública, necessidade de ter toda a equipe de vigilância, a APS e todos os atores comunitários juntos, engajar prefeitos, entidades comunitárias porque será preciso fazer planos específicos para cada território. Aquela área, aquela microrregião de saúde é que governa o processo, o hospital tem ser um recurso desse núcleo. A última questão é a participação dos componentes universitários para desenvolver atividades de validação do que está sendo feito no cotidiano”, defende Ardigò Martino.

Como a APS da Itália está enfrentando a COVID-19?

“Nós estamos sentindo falta de uma abordagem de Primer Care tipo comprehense, nós tentamos fazer isso, tive uma grande resistência nos territórios, resistência corporativa mas agora acho que iremos entrar em nova fase. No norte da Itália temos uma face da pandemia muito afetada. A organização da APS neste contexto é de um tipo, estão se desenvolvendo muitas unidades especiais para o cuidado de Covid, com profissionais bem treinados que estão fazendo visita domiciliar aos pacientes. Os consultórios de APS estão fechadas no país inteiro. As consultas são só por contato telefônicos mas está se trabalhando nessas unidades para facilitar o atendimento com segurança de pessoas doentes mas não precisam de atendimento hospitalar.  Está se construindo essa ideia de cuidado intermediário, onde o protagonismo da APS é máximo, onde se também desmonta a ideia de que o serviço de saúde para ser preparado tem que abrir mais cama hospitalar, hospital de campanha pode não ser necessário. Tem que reforçar a APS, sobretudo pensar na utilização massiva do uso da tecnologia para fazer teleconsulta e, por outro lado, reforçar a APS domiciliar para acompanhar a população que precisa de atendimento presencial.

As unidades de saúde da APS podem se transformar em um centro propagador da Covid-19?

“Sim, é claro! É certeza, temos um alto número de sintomáticos e assintomáticos. As contaminações dentro das unidade, hospitais, abrigos, residência de longa permanência ocorreram achando que aqueles lugares não estavam expostos, não iriam receber novos pacientes porque não era uma outra porta de entrada do sistema, porque não tinha contaminação naqueles pacientes, mas a COVID-19 estava lá. Estava dentro dos pacientes, nos familiares dos pacientes, nos profissionais de saúde. Não ter tido medidas de separação de pacientes e de proteção dos profissionais fez com que os serviços de  saúde fossem foco da doença. A APS tem que ser protegida porque aquele lugar pode se tornar um foco da pandemia”, alerta Ardigò Martino.

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