APS deve enfrentar as vulnerabilidades locais na resposta à pandemia

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O novo coronavírus não é apenas um dos maiores desafios já enfrentados pelos profissionais de saúde no Brasil. A pandemia também revela a capacidade da Atenção Primária para se adaptar às vulnerabilidades regionais, encontrando formas diferenciadas de atender à população. No Amazonas, na Bahia e no Pará, as equipes de saúde desenvolveram respostas locais para monitorar os casos e aliviar a sobrecarga nos hospitais, reduzindo a quantidade de óbitos.

As experiências de Manaus – AM, Dom Basílio – BA e Canaã dos Carajás – PA foram apresentadas durante a live Vigilância em Saúde no contexto da pandemia: qual o papel da APS? O debate virtual foi transmitido nesta quinta-feira (02/07) pelo Portal da Inovação na Gestão do SUS, como parte das ações de divulgação das iniciativas inscritas na seleção APS Forte no combate à pandemia de Covid-19, desenvolvida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde.

A moderadora, Mónica Padilla, coordenadora da Unidade Técnica de Capacidades Humanas para a Saúde da OPAS no Brasil, elogiou a capacidade de liderança e reação rápida dos profissionais de saúde brasileiros diante das emergências. “Estamos passando por uma situação nunca vista. Mais do que nunca, a APS aparece como uma das prioridades, por todas as conexões que mantém com o funcionamento do sistema de saúde, da cidadania, dos direitos e da equidade”.  

Após assistir à apresentação das iniciativas, o coordenador da Unidade Técnica de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS, Renato Tasca, que atuou como debatedor, destacou a importância da estruturação prévia da APS para uma resposta eficiente à Covid-19. “A APS responde bem à pandemia na medida que a APS era antes da pandemia. Esta resiliência não se improvisa”, ressaltou o médico.

Tasca ressaltou, ainda, a capacidade local de resposta da APS, embora o Brasil seja um país federativo. “O processo de descentralização deveria ser repensado. Os municípios possuem a estrutura mais próxima do território, a mais capaz de ativar os outros serviços”.

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MONITORAMENTO COMO ESTRATÉGIA DE ENFRENTAMENTO À COVID-19 NO INTERIOR DA BAHIA

Em Dom Basílio, município de 12 mil habitantes localizado no Sudoeste da Bahia, o monitoramento dos casos suspeitos de Covid-19 foi implantado antes da confirmação do primeiro teste positivo para a doença. Os profissionais de saúde adotaram uma ficha-padrão, preenchida com informações obtidas por meio de equipes de Saúde da Família, Vigilância à Saúde, Disque Covid-19 e barreiras sanitárias.

Segundo Valiane Loredo Félix, enfermeira e apoiadora institucional da Atenção Básica da SMS de Dom Basílio, a partir do momento em que entram no monitoramento, os casos suspeitos são acompanhados durante 14 dias, a cada 24 ou 48 horas, conforme a gravidade. O acompanhamento é feito por meio de ligação telefônica, conversa pelo WhatsApp ou por visita domiciliar do agente comunitário de saúde. Quando necessário, o paciente é direcionado ao teleatendimento médico ou atendimento presencial.

A equipe monitora entre 250 e 300 pessoas por dia, abrangendo os casos de síndrome gripal, casos confirmados de Covid-19, contatos de casos suspeitos e confirmados, pessoas com sintomas respiratórios leves e os que chegam de viagem ao município.

Até o dia da apresentação, havia cinco casos confirmados, mas ainda não tinha ocorrido nenhum óbito em Dom Basílio em decorrência da Covid-19.

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ESTRATÉGIAS DIFERENCIADAS PARA A POPULAÇÃO INDÍGENA EM MANAUS

Com uma população estimada de mais de 30 mil indígenas vivendo em Manaus, a capital do Amazonas adotou uma estratégia voltada para a promoção da saúde destas pessoas, que representam mais de 92 etnias. A enfermeira e subsecretária municipal de Gestão da Saúde da SEMSA-Manaus, Adriana Lopes Elias, relatou que existem pelo menos 30 comunidades de indígenas na área urbana da cidade, habitando em condições de vulnerabilidade social.

Há mais de cem dias convivendo com a Covid-19, Manaus sofreu um colapso no sistema de saúde hospitalar, ultrapassando 1,7 mil casos em 24 horas no pico do contágio.

Em abril, as ações de enfrentamento à Covid-19 direcionadas aos indígenas foram intensificadas. O monitoramento de casos foi feito por meio de integração dos processos de trabalho entre as equipes de saúde e vigilância em saúde, articulação com lideranças locais, uso de ferramentas tecnológicas e acompanhamento domiciliar, entre outras ações.

Uma das estratégias para alcançar as populações indígenas que vivem em locais de difícil acesso foi a utilização de Unidades Básicas de Saúde Móveis.

Os eixos estratégicos do planejamento para evitar a disseminação do vírus nas comunidades indígenas foram: promoção à saúde e controle da doença; atenção, diagnóstico e suporte hospitalar; acolhimento e isolamento seguro; fortalecimento da notificação e registro.

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REORGANIZAÇÃO DA APS NO PARÁ

Em Canaã dos Carajás, no Pará, a APS passou por uma reestruturação para prestar melhor assistência aos usuários com sintomas respiratórios, por meio de atendimentos presenciais, teleatendimento, monitoramento clínico a distância e testagem dos suspeitos de Covid-19. A experiência, apresentada pela enfermeira Eliana Pessoa do Vale, baseou-se na criação de uma central de notificação, reunindo informações de hospitais, unidade de referência, Disk Coronavírus, laboratórios e empresas.

Dentro das Unidades Básicas de Saúde, foram criadas equipes multiprofissionais de monitoramento para acompanhar os casos de síndrome gripal. O acompanhamento é feito a cada 48 horas, ou de acordo com a classificação de risco do paciente. Desde o início da pandemia, foram monitoradas 5,3 mil pessoas, com a realização de 5,1 mil testes rápidos.

Segundo a enfermeira, após a implantação do monitoramento clínico diferenciado para os usuários com comorbidades e na fase inflamatória da Covid-19, a média de ocupação dos leitos hospitalares reduziu de 20 para sete leitos ocupados.

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