ACOMPANHAMENTO DE USUÁRIOS COM CONDIÇÕES CRÔNICAS NA APS DE BELO HORIZONTE DURANTE A PANDEMIA COVID-19

ACOMPANHAMENTO DE USUÁRIOS COM CONDIÇÕES CRÔNICAS NA APS DE BELO HORIZONTE DURANTE A PANDEMIA COVID-19

#APS Forte em Belo Horizonte/MG

Foram reorganizados os macroprocessos do modelo de atenção na APS, durante a pandemia, para priorizar o atendimento dos casos mais complexos.

Para prevenir o agravamento de usuários com doenças crônicas em Belo Horizonte durante a pandemia de Covid-19, a gestão municipal teve que realinhar internamente os macroprocessos do modelo de atenção para priorizar o atendimento dos casos na APS. Os usuários deixaram de procurar os atendimentos nos centros de saúde e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA), com medo de se contaminarem por Covid-19, interrompendo o cuidado continuado previsto para as condições crônicas. “Houve uma mobilização na APS para resgatar o cuidado aos usuários com risco cardiovascular, que poderiam se agravar no contexto da pandemia”, explica o médico Alberto Kazuo, da gerência da APS/SMS de Belo Horizonte.

A primeira medida adotada pela gerência da APS foi a elaboração da listagem de usuários com condições crônicas mais complexas para distribuição a todas as equipes de Saúde da Família (ESF), para realizar a busca ativa. “Estratificou uma lista de usuários com alto risco cardiovascular a partir dos atendimentos realizados pelas equipes de 2019 a 2020, os que tinham diabetes mellitus com e sem insulinodependente, com complicações cardiovasculares e condições que poderiam indicar o uso de anticoagulação”, explica a médica Juliana Dias, da equipe de gerência da APS da Secretaria Municipal de Saúde (APS/SMS) de Belo Horizonte.  

A listagem foi entregue para as equipes para a construção dos planos de cuidados a esses indivíduos com maior risco. Também foram instituídos, durante  a pandemia, fluxos para atendimentos presenciais e por telemedicina na APS.

O médico Alberto Kazuo elenca outros instrumentos construídos conjuntamente para qualificar o trabalho da APS. “Nós propusemos para as equipes das ESF, além das listas dos usuários com condições crônicas, ferramentas para realizar a auditoria clínica do prontuário e do registro clínico coletivo, que permitiram às ESF efetivar a estratificação de risco e indicar a forma do monitoramento, se presencial ou por teleatedimento”, afirma Kazuo.

“Para instrumentalizar o profissional da saúde na nova modalidade de teleatendimento dos usuários com condições crônicas, nós elaboramos um manual para ser utilizado especificamente neste contexto na APS”, relata o médico Warley Simões, da APS/SMS Belho Horizonte. A SMS de Belo Horizonte também criou um sistema para auxiliar no cuidado longitudinal dos usuários crônicos e melhorar a gestão da informação para as ESF. “Também foi identificada a necessidade de observar os protocolos e a qualidade da assistência prestada, gerando um ciclo de melhorias a partir de um instrumento criado e das informações levantadas”, explica Raquel Meira, psicóloga e profissional da gerência de Epidemiologia da SMS.

Os profissionais da APS de SMS/BH explicam que a proposta foi implementada por meio de Notas Técnicas oficiais. Também houve a integração da atuação das equipes de Saúde Bucal, da ESF e do NASF para realizar as ações de monitoramento do cuidado a esses pacientes com risco cardiovascular na APS. Outro resultado apontado pelos profissionais foi a aproximação da interface da APS com a atenção secundária, com revisão de fluxos de encaminhamentos e com a perspectiva de ampliar o cuidado para outros grupos crônicos.

"Durante a pandemia tivemos que rever o processo de trabalho da APS para ampliar o acesso àqueles que deixaram de ir ao centro de saúde com medo de contrair a Covid-19", explica Juliana Dias

Experiência

Manter a vigilância e o cuidado aos usuários portadores de condições crônicas, visando a manutenção da estabilidade clínica.  Ofertar escuta qualificada e suporte diante da política de distanciamento social. Propor estratégias/ações para planejar e oferecer acompanhamento dentro das possibilidades operacionais das equipes da APS. Fortalecer o trabalho em equipe interdisciplinar, a longitudinalidade e a coordenação do cuidado.

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debate

Esta experiência participou do debate virtual A APS não pode parar! Formas de organização para continuidade do cuidado, transmitido na sexta-feira (05/06) no Portal da Inovação na Gestão do SUS. Assista à integra do debate em

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