Investir em Atenção Primária à Saude é o caminho para cobertura universal, diz diretor-geral da OMS

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, reafirmou, em sua visita ao Brasil, a mensagem para que os países invistam na Atenção Primária à Saúde (APS) como um caminho para a cobertura universal em saúde. “Cada paciente que adquire uma doença crônica demonstra que, de certa maneira, estamos falhando na APS “, disse Tedros. Ele participou de diversas atividades, em Brasília, inclusive da reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada na OPAS, na quinta-feira (23) e de visitas em uma Unidade Básica que trabalha com a Estratégia Saúde da Família (ESF) e no Hospital da Criança José Alencar (HCB).

Tedros apresentou a sua experiência como gestor, quando foi ministro da Saúde da Etiópia no período de 2005 a 2012, que implementou uma agenda abrangente de reformas transformando o sistema de saúde do seu país, trazendo melhorias para milhões de etíopes. Investiu na APS, com a criação de 3,5 mil centros de saúde e 16 mil postos de saúde, ampliou radicalmente o acesso à atenção primária. Para ele, “investimentos no setor de saúde não são apenas investimentos em saúde. São investimentos para um crescimento econômico e para um futuro mais justo e próspero para todos”, defende.  Sobre o Sistema Único de Saúde, (SUS), o diretor-geral da OMS afirmou que é uma poderosa força para alcançar a equidade e citou a experiência do Programa Mais Médicos, que propicia o acesso à saúde em regiões mais vulneráveis do país.

Para o coordenador da Unidade Técnica de Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS, Renato Tasca, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, trouxe uma mensagem importante já avalizada pelo conhecimento científico, que diz respeito à atenção qualificada ao usuário desde o primeiro contato. “Mesmo que o SUS, em seus 30 anos, já tenha expandido a APS com ênfase na Estratégia Saúde da Família sempre é louvável ouvir de uma autoridade de saúde que estamos no melhor caminho, que é apostar em uma APS forte”, relata Tasca.

Visita UBS

APS Forte – Na quarta-feira (21), o diretor-feral da OMS, Tedros Adhanom conheceu as transformações que estão ocorrendo na APS na capital federal, ancorada na Estratégia Saúde da Família (ESF). Acompanhado do Secretário de Saúde, Humberto Fonseca, Tedros visitou a Unidade Básica n. 1 de Itapoã, que possui nove equipes da Estratégia Saúde da Família e cinco equipes de Saúde Bucal, que cobre 95% da população do bairro, inclusive com a estratificação de risco para doenças crônicas, especialmente, cardíacas e diabetes. Tedros ficou impressionado com a instalação odontológica da UBS e com a desenvoltura dos profissionais de saúde.

“Recebemos a maior autoridade de Saúde do mundo que reforça a importância da Atenção Primaria a Saúde, a estratégia que estamos implantando na saúde do DF. A cobertura populacional da APS passou de 34%, em 2017, para 69 % da população, em fevereiro de 2018. Mas para que a população comece a sentir os efeitos desta transformação precisamos mudar também a cultura, o cidadão conforme formos fortalecendo a UBS deixará de procurar o hospital para procurar a sua UBS“, disse Humberto Fonseca.

A OPAS acompanhara as transformações na APS do Distrito Federal por meio da metodologia dos Laboratórios de Inovação. Serão sistematizadas as mudanças introduzidas na saúde do Distrito Federal, Porto Alegre e Teresina, especialmente, sobre as questões ligadas ao acesso ao cuidado clínico-sanitário, o papel da APS na regulação da rede e recursos humanos.

Modelo para o mundo – Tedros Adhanom também visitou o Hospital da Criança José Alencar (HCB), acompanhado do representantes da OPAS, Joaquin Molina, e do coordenador da Unidade Técnica de Sistemas e Serviços, Renato Tasca. A comitiva foi recebida pelo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, secretário de Saúde, Humberto Fonseca, e secretário-adjunto de Assistência à Saúde da Secretaria da Saúde do Distrito Federal (SES/DF), além de toda diretoria do HCB. Os visitantes percorreram diversos setores do Hospital, conheceram a nova área que abrigará 200 leitos, se informaram sobre forma de gestão do HCB, além de conversarem com pacientes, enfermeiros e voluntários. “Sem exagero, esse hospital poderia servir de modelo para outros países, um modelo para o mundo”, disse Tedros.