Centros de Referência em Obesidade (RJ)

No Rio de Janeiro/RJ, a partir da estimativa de que 0,75% da população do estado é constituída de indivíduos de obesidade grau III (47.400 indivíduos residentes na cidade do Rio de Janeiro – considerando a população de 2010), o Instituto de Nutrição Annes Dias (Inad) da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro vem implantando desde 2011 Centros de Referência em Obesidade (CROs). Os CROs são serviços ambulatoriais especializados de acompanhamento de indivíduos com obesidade grau III, inseridos em unidades de Clínicas de Saúde de Família, o que possibilita uma maior articulação com a ESF.

Os encaminhamentos dos usuários para os CROs podem ocorrer por duas vias: por Unidades Básicas de Saúde, que dialogam com as Coordenações de Áreas Programáticas às quais pertencem os CROs ou diretamente com os CROs, respeitando a organização por regionalização. Foram estabelecidos como critérios de inclusão no serviço: indiví- duos adultos com IMC ≥40 kg/m2 associado a diabetes ou IMC ≥50 Kg/m2 . A porta de entrada para o serviço é um Grupo de Acolhimento no qual, atendidos os critérios de inclusão, são esclarecidas as principais dúvidas sobre o serviço e o acompanhamento clínico. Os indivíduos inseridos no serviço têm como primeira atividade o Grupo de Conhecimento em Saúde, cujo objetivo é orientar sobre a obesidade e as principais comorbidades, o tratamento medicamentoso e a importância de mudança de estilo de vida (MEV). As consultas são agendadas de acordo com o protocolo do CRO, que inclui consultas individualizadas com a equipe e incentivo à participação em grupos interdisciplinares, operativos e no programa de exercício e atividade física.

A equipe do CRO é multiprofissional, incluindo médico endocrinologista, enfermeiro, nutricionista, psicólogo, profissional de Educação Física e profissional administrativo. Pela dificuldade de mobilidade do público atendido, procura-se agendar mais de uma consulta com diferentes profissionais a cada dia que o indivíduo comparece ao CRO, seguindo um fluxo de atendimento preestabelecido. Todos os profissionais realizam em seus atendimentos as aferições de peso dos indivíduos, pactuando-se os resultados esperados com o indivíduo e promovendo o autocuidado. Existem algumas atividades em grupo organizadas conforme a demanda dos profissionais e indivíduos, bem como a disponibilidade de recursos e equipamentos da área, como Grupo Terapêutico, Grupo Operativo, Grupos de Práticas Alternativas, Grupo de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e Grupo de Atividade Física e Saúde.

Centros de Referência em Obesidade (CROs) Para a organização do processo de trabalho, a coordenação do CRO realiza reunião semanal com todos os participantes da equipe de profissionais em cada CRO, envolvendo: discussão de casos; construção dos projetos terapêuticos singulares; avaliação para possíveis encaminhamentos para os demais níveis de complexidade, como: especialidades médicas e cirurgia bariátrica; debates técnicos coletivos e entre as categorias profissionais; planejamento das articulações intersetoriais e organização do serviço. Mensalmente, os profissionais de todos os CROs reúnem-se para compartilhar experiências.

Os indivíduos com obesidade grau III em acompanhamento regular no CRO há pelo menos um ano, com boa adesão ao tratamento, que apresentem perda de peso e manifestem desejo em realizar cirurgia bariátrica, salvo contraindica- ções ao procedimento, são encaminhados para o serviço de referência para este procedimento, no Hospital Estadual Carlos Chagas/RJ.

Para pensar e refletir:

Para saber mais sobre metodologias de trabalho de grupo (Grupo Terapêutico, Grupo Operativo, Grupo Motivacional), conheça o Caderno de Atenção Básica nº 39: Núcleo de Apoio à Saúde da Família – ferramentas para a gestão e o trabalho cotidiano.

– O fluxo de atendimento dos indivíduos com sobrepeso e obesidade está pactuado entre profissionais? É de conhecimento de todos do serviço?

Leia mais:

“Perspectivas e Desafios no Cuidado às Pessoas com Obesidade no SUS: Resultados do Laboratório de Inovação no Manejo da Obesidade nas Redes de Atenção à Saúde”

 

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