APSREDES

Resultado Preliminar
1.1 Título da experiência

Projeto de Extensão Alimentação, Nutrição e Envelhecimento – PROANE

1.2 Autores(as) da experiência

Nome Cargo/Função Município
Débora Martins dos Santos Professor Associado INU DNS UERJ - Coordenador Rio de Janeiro
Maria Fátima Garcia de Menezes Professor Associado INU DNS UERJ - EQUIPE Rio de Janeiro
Elda Lima Tavares Professor Assistente IMU DNS UERJ- Equipe Rio de Janeiro
Flavia dos Santos Barbosa Brito Professor Associado INU DNS UERJ- Equipe Rio de Janeiro
Flavia Regina Costa da Silva Lyra Nutricionista- Bolsista PROATEC INU DNS UERJ - Equipe Rio de Janeiro
Maíra Lopes Mazoto Nutricionista- Professor Substituto INU DNS UERJ - Equipe Rio de Janeiro
Laryssa de Souza Rodrigues Amaral Acadêmico de Nutrição UERJ - Bolsista Rio de Janeiro
Andressa Alves Ribeiro Acadêmico de Nutrição UERJ - Bolsista Rio de Janeiro
Caroline de Souza Mendonça Acadêmico de Nutrição UERJ - Voluntária Rio de Janeiro
Giovana de Melo Silva Acadêmico de Nutrição UERJ - Voluntária Rio de Janeiro
Hannah Carvalho Leal Acadêmica de Nutrição UERJ - Voluntária Rio de Janeiro
Maria Eduarda Simões da Paixão Acadêmica de Nutrição UERJ - Voluntária Rio de Janeiro
Adriane dos Santos da Silva Nutricionista- Voluntária - Equipe Rio de Janeiro

1.3 Organização(ções)/Instituição(ções) promotora(s) da experiência

Organização/Instituição
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Instituto de Nutrição - Departamento de Nutrição Social

1.4 Cidade(s) e Estado (s)

Estado Cidade
Rio de Janeiro Rio de Janeiro

1.5 Região do país

Sudeste

1.6 Identificação do(a) autor(a) responsável

Nome Cargo/Função Município
Débora Martins dos Santos Professor Associado - INU DNS UERJ Coordenador Rio de Janeiro

1.7 Eixo temático da experiência

Eixo 4 - EAN em outros campos de prática

1.8 Público participante da experiência

Idosos
Idosos (indivíduos com 60 anos ou mais de idade), estudantes de nutrição de graduação e pós-graduação, bem como outros profissionais de saúde em formação básica e avançada frente às questões de promoção da saúde, alimentação, nutrição e envelhecimento.

1.9 Onde esta experiência foi desenvolvida

saúde
Unidade Básica de Saúde
ASSISTÊNCIA SOCIAL
Centros de Convivência
EDUCAÇÃO
Universidade
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
OUTROS
Espaços públicos (áreas de lazer, praças, mercados)
1.10 Na avaliação do grupo responsável esta experiência atendeu e/ou promoveu os seguintes princípios
todas as pessoas têm o direito de estarem livres da fome
todas as pessoas têm o direito de ter acesso à alimentação adequada saudável
universalidade
integralidade
equidade
intersetorialidade
participação social
apoio ao desenvolvimento sustentável

Por favor justifique/comente sua resposta

As ações de promoção da saúde e da alimentação adequada e saudável desenvolvidas no interior do PROANE assumem como pressupostos a discussão sobre o direito à alimentação adequada e saudável, as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, os princípios do SUS, as diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde, os marcos conceituais da educação popular em saúde, os princípios recomendados pelo Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional e os preceitos defendidos pela Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) que incluem a percepção multidimensional dos aspectos inerentes à relação entre alimento e saúde, utilização biológica do alimento e as questões familiares, comunitárias e contextuais. A perspectiva de sustentabilidade e respeito à saúde planetária também são considerados.

2. OBJETIVOS E PRINCÍPIOS RELACIONADOS À EXPERIÊNCIA

2.1 Objetivo(s): Qual é/foi a finalidade das atividades desenvolvidas

Desenvolver atividade de avaliação nutricional e educação alimentar e nutricional (presenciais e/ou remotas através de ferramentas digitais) com idosos na perspectiva de trabalhar questões inerentes à relação entre a alimentação, nutrição e envelhecimento saudável, favorecendo espaço de formação básica e avançada de profissionais de saúde, sobretudo nutricionistas, frente às questões complexas e multidimensionais de saúde, alimentação e nutrição no envelhecimento.

2.2 Os objetivos e as atividades desenvolvidas adotaram de maneira explícita algum ou alguns dos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para Políticas Públicas

I - Sustentabilidade social, ambiental e econômica
II- Abordagem do sistema alimentar, na sua integralidade
III- Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas
IV- A comida e o alimento como referências; Valorização da culinária enquanto prática emancipatória
V- A Promoção do autocuidado e da autonomia
VI- A Educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos
VII- A diversidade nos cenários de prática
VIII- Intersetorialidade
IX- Planejamento, avaliação e monitoramento das ações
2.3 Quais temas/diretrizes dos Guias Alimentares para População Brasileira e/ou para Crianças brasileiras menores de 2 anos são/foram abordados na experiência?
Os eixos prioritários apontados pelo Guia Alimentar para a População Brasileira são os nortes das ações desenvolvidas pelo PROANE. As práticas educativas no campo da alimentação, nutrição e envelhecimento são desenvolvidas a partir das demandas do cotidiano de vida dos participantes fundamentadas pelas diretrizes da Educação Popular em Saúde e do Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas. Neste cenário, as ações oportunizam aos participantes a discussão e construção coletiva de estratégias que favorecem a adoção de medidas promotoras da autonomia para a efetivação de uma alimentação adequada e saudável. Fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base de sua alimentação; utilizar quantidades reduzidas de óleos, gorduras, sal e açúcar; desenvolver e reforçar prática culinária no domicílio; identificar os alimentos conforme seu grau de processamento industrial, evitando os alimentos ultraprocessados e reflexão crítica sobre o atual modelo de produção de alimentos, incluindo o papel das grandes corporações e as estratégias de marketing utilizadas pela indústria, são os eixos temáticos assumidos como “regras de ouro” das atividades.
2.4 Vocês consideram que esta experiência pode contribuir de maneira direta ou indireta a um ou mais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ?
ODS 2 - Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
ODS 3 - Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
ODS 4- Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
ODS 12 - Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis
ODS 15 - Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade

3. ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA

3.1 Como foi identificada a necessidade de realização desta experiência
As ações do PROANE emergem enquanto projeto contextualizado no amplo crescimento da população idosa brasileira e, em particular a do Rio de Janeiro. O fenômeno de envelhecimento e a importância da alimentação adequada e saudável no decurso do curso da vida partindo da compreensão das múltiplas e complexas dimensões inseridas neste fenômeno, são aspectos intrinsecamente vinculados à proposição das ações do PROANE. As características epidemiológicas dos idosos – maior carga de doenças, fragilidades, incapacidades e a necessidade de utilizarem mais os serviços de saúde impulsionam a proposição de novos modelos de atenção à saúde, movimento que reorientou ações direcionadas a este público, movimento que incrementou a criação de Centros de Convivência nas Universidades. Assim, o PROANE inicia suas ações juntamente com a criação da UnATI – UERJ – centro de convivência, articulador de ensino, extensão e pesquisa para atender a demanda crescente dos indivíduos acima de sessenta anos de idade (idosos). Neste âmbito, o PROANE vem desenvolvendo, há 29 anos na UnATI (centro de convivência que funciona como espaço de assistência ao público idoso), sua primeira e principal parceira, associado ao atendimento dos idosos, a produção de conhecimento e a qualificação de profissionais de saúde, sobretudo de nutrição. Convém mencionar que esta longa e exitosa parceria com a UnATI, referência acadêmica nacional e internacional e que possui uma revista indexada, curso de pós-graduação lato sensu especialização em Geriatria e Gerontologia, curso de extensão de informação, orientação para cuidadores de idosos e programa de residência médica e multiprofissional em saúde do idoso, faz do PROANE, espaço ímpar no que se refere à promoção da saúde e alimentação adequada saudável no envelhecimento. A necessidade de formar profissionais de saúde, sobretudo nutricionistas, cada vez mais atentos às demandas do público idoso e a necessidade de incorporação de práticas educativas que produzissem ruptura com a tradição autoritária e normatizadora da relação educador/educando foram eixos que motivaram a estruturação das atividades do PROANE enquanto locus para produção e perpetuação de atividades pautadas no referencial teórico dos campos da Educação Popular em Saúde e Promoção da Saúde. A valorização do diálogo, respeito e manutenção da autonomia do idoso, estímulo à troca de experiência/informações entre os participantes – idosos e equipe; atenção às necessidades específicas da clientela idosa e utilização de metodologia lúdica e interativa exemplificam algumas das premissas que fundamentaram a proposta que avança sustentavelmente como processo de construção da cidadania, como prática social que se insere em todos os espaços de convívio. Ações que têm aberto possibilidades de contribuição e transformação do homem e do mundo graças ao diálogo, fomento à autonomia e emancipação dos sujeitos e construção coletiva de caminhos possíveis entre conhecimento popular e científico.
3.2 Foi realizado algum diagnóstico da situação (observação da realidade, levantamento de demandas junto ao público etc) antes de iniciar a experiência
Sim
descreva rapidamente
As ações desenvolvem-se a partir de levantamento bibliográfico e inquérito junto aos participantes que ocorrem consoante ao tipo de ação a ser desenvolvida – tendo em vista que ocorrem no formato grupo aberto ou fechado e/ou individualmente, através de orientação alimentar e nutricional. Nossa principal atividade é um curso anual (Curso Nutrição e Terceira Idade – grupo fechado) e nele, fazemos avaliação inicial e final dos participantes. As entrevistas iniciais e finais usam inquérito sistematizado contendo perguntas abertas e fechadas para reconhecimento do perfil sócio-demográfico, condições de vida, saúde e nutrição (procedemos à avaliação do estado nutricional) dos participantes. Utiliza-se o formulário EANSE FORMS (tecnologia que emerge das ações do PROANE com o público idoso) para avaliação inicial e final. O instrumento também investiga motivos para inserção na atividade e principais questões alimentares e nutricionais dos participantes. Os dados iniciais servem para identificar as demandas que serão sistematizadas em temas e propostas metodológicas a serem incorporadas nas aulas tendo em vista a proposição de ações ajustadas às características e necessidades do público. Os dados finais nos apoiam na avaliação das atividades. A experiência acumulada no interior das ações também fomentam a estruturação de novas abordagens. Cabe ressaltar que o processo é dinâmico e interativo, partindo da construção coletiva e dialogada, realizada entre os atores participantes da iniciativa – idosos (sujeitos da ações) e membros da equipe.
3.3 Como foram definidos as prioridades e objetivos da experiência
Diferentes elementos fundamentam a proposição da experiência. O contexto demográfico, epidemiológico e nutricional somando às demandas do público idoso assistido e a necessidade de redimensionamento de treinamento profissional nutricionista em saúde coletiva (quer na formação básica quanto na avançada no que se refere ao campo da alimentação, nutrição, saúde e envelhecimento) são alguns dos aspectos considerados para delineamento das prioridades de intervenção. Assim, associam-se saberes populares à fundamentação técnico-científica para proposição de ações que qualificam o cuidado em saúde, proposta que também vem contribuindo para formação profissional pois aborda teoria, estratégia metodológica e ações de Educação Alimentar e Nutricional.
3.4 Os sujeitos da ação participaram das etapas de planejamento da experiência?
Sim
sim, em quais etapas e como participaram ?
Os atores das ações participam ativamente do planejamento à avaliação das atividades entendendo esta prática como processo. Para exemplificar, ao final de cada atividade, a equipe se reúne e registra (em formulário próprio para este fim) as impressões, analisando o desempenho da ação a partir dos objetivos delineados para a atividade. Emprega-se formulário próprio de planejamento e de avaliação além de caderno de campo. A fala e contribuição dos participantes são elementos centrais obtidos a partir dos canais criados para este fim, como exemplo podemos citar o caderno de campo e formulário de avaliação final usado no curso (material preenchido pelos participantes das ações). O planejamento participativo entre os pares é outro exemplo de como são pautados os temas e metodologias a serem usadas nas ações.
3.5 Foram desenvolvidas metodologias ativas como estratégias pedagógicas para a EAN
Sim
Se sim, indique a(s) metodologia(s) com uma breve descrição
As ações partem do entendimento de que o processo educativo é prática social e, nossos fundamentos apoiam-se nos pressupostos do campo da Educação Popular em Saúde. Assim, metodologias inovadoras são usadas para o desenvolvimento das práticas educativas. O tribunal das gorduras pode ser citado como uma delas. Esta metodologia propõe colocar as gorduras em um tribunal (tendo em vista o debate eterno quanto à pertinência do consumo de gorduras para que a alimentação seja adequada e saudável) onde os participantes integram júri popular e os coordenadores da atividade se dividem no papel de advogados de acusação, de defesa e de juiz. Os argumentos usados pautam-se nas evidências científicas relacionadas ao tema e nas principais dúvidas e “clichês” relativos às gorduras. O público participante, após ouvir a argumentação delibera se o uso das gorduras pode ser liberado ou não. Procura-se, ao longo da prática, destacar as funções essenciais das gorduras, os alimentos fontes e seu uso na culinária como instrumentos para acesso à qualidade (tipos de gorduras e suas fontes alimentares) e quantidades recomendadas deste nutriente. Estratégias para identificar as melhores fontes alimentares e troca de experiências tendo em vista a criação, disseminação de receitas também fazem parte da discussão. Um dos trabalhos produzido pelo grupo (Menezes et al, 2008) ilustra detalhes da metodologia usada, conforme apresentado a seguir. DE MENEZES, Maria Fátima Garcia et al. Metodologia participativa com idosos: experiência do curso nutrição e terceira idade. Metodologia para Projetos de Extensão: Apresentação e Discussão, 2008.
3.6 Foram utilizados recursos materiais nas atividades desenvolvidas
Sim
sim, quais recursos?
Jogos, recursos cênicos, experimentação de alimentos (degustação, estímulo à experiências dos diferentes sentidos), oficinas culinárias, livretos, paródia de músicas, cartazes e folders digitais (Ex.: formato e-book e livretos) e impressos estão entre alguns dos recursos usados. O PROANE tem como marca a produção de recursos didáticos diversos incluindo: incluindo figuras, rótulos e alimentos in natura; crônicas, poesias, letras de músicas, trechos de filmes; jogos: verdadeiro ou falso, perguntas e respostas e formulários de registro de discussão em grupo. Um recurso que tem sido utilizado com um retorno positivo ao trabalho é o oferecimento de brindes, que se articulam ao conteúdo do trabalho. Exemplos são: o óleo temperado (aula de gorduras), sementes ou temperos desidratados (aula de temperos), imã de geladeira (aula de aleitamento materno), garfo e raminho de flor de lavanda (aula de encerramento), CD com fotos tiradas durante o curso (aula de encerramento).
3.7 Sua experiência se configura no desenvolvimento de materiais educativos e desenvolvimento de tecnologias sociais a serem aplicados por outros profissionais?
sim
Descreva sobre o material/tecnologia social
A tecnologia social produzida refere-se a metodologia participativa que é o norte das ações. Aperfeiçoamento das habilidades no âmbito digital dos participantes idosos, fruto da construção coletiva pautada em evidências científicas, criatividade e empenho da equipe e dos integrantes das atividades ao longo do distanciamento social pode ser apontado como uma das tecnologias sociais disseminadas. Pode-se ainda citar que as atividades digitais e presenciais conferem resiliência aos seus participantes a partir do espaço de convívio social, no qual a troca de informações qualificadas, reflexão e construção de estratégias para alimentação adequada e saudável e promoção da saúde no envelhecimento se apresentam como eixos centrais. O alimento e a valorização da culinária são temas prioritários, assim como a discussão sobre o sistema alimentar e o papel do consumidor no apoio a sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis – reforço à produção local e agroecológica, por exemplo. Temas que são abordados à luz das questões sanitárias, sociais e econômicas do cenário atual. Convém também citar que a participação dos alunos (graduandos) e residentes de nutrição nas nossas ações têm conferido amadurecimento nas dimensões técnico-científica, pessoal e social de suas vidas. Resultado sistematizado tanto do relato dos participantes do projeto, referendados pelos idosos que enaltecem a qualidade das ações nos relatórios de avaliação. A inserção dos alunos/profissionais em treinamento em eventos como palestrantes, a potência das atuações como co-autorasautoras de textos técnico-científicos e organizadoras de eventos científicos nacionais e internacionais, fruto das atividades do PROANE, podem ser citados como produtos da disseminação da tecnologia produzida. Vale ainda comentar o intenso interesse quanto a permanência do vínculo como voluntários mesmo depois de concluírem a graduação e pós-graduação. Nossa proposta permite intensa troca de saberes e experiências, conduzindo os participantes a uma reflexão mais crítica, possibilitando crescimento técnico da equipe quanto à compreensão das múltiplas determinações do processo saúde-doença e sua relação com a alimentação e nutrição no envelhecimento. A articulação de conhecimentos de diferentes áreas da nutrição ocorre naturalmente e o envolvimento precoce dos alunos potencializa o amadurecimento pessoal, reforçando o compromisso e a criação de relações afetivas mais robustas, valores humanistas essenciais. Além destes aspectos, o desafio da elaboração, divulgação e desenvolvimento de trabalhos técnico-científicos, pode ser apontado como fortalecedor da formação profissional antenada às demandas de diferentes locais no mundo. Ademais, cita-se algumas das produções que narram a trajetória do PROANE como disseminador de tecnologias educativas de promoção da saúde, conforme apresentado a seguir: MENEZES, MARIA FÁTIMA GARCIA DE; SOUZA, L. K. C. S. . Perspectiva Crítica da Educação Alimentar e Nutricional com Idosos: Abordagem Individual e Coletiva. In: REGINA MARIA FERREIRA LANG; ÉRIKA MARAFON RODRIGUES CIACCHI. (Org.). EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E ESTRATÉGIAS CONTEMPOR NEAS. 1ed.Rio de Janeiro: RUBIO EDITORA, 2021, v. 1, p. 327-342. ROTENBERG, Sheila ; MENEZES,Maria Fátima Garcia ; TAVARES, Elda Lima ; SANTOS, Débora Martins dos ; MARCOLAN,Suzete . A estratégia de roda de conversa na formação em serviço em nutrição e envelhecimento. Saúde em Foco (Rio de Janeiro), v. ed esp, p. 89-99, 2008.
3.8 Como a experiência foi avaliada e quais os resultados obtidos
As ações passam por avaliação informais dos participantes tendo seu registro em formulário próprio. Institucionalmente, o projeto também é avaliado, anualmente, pela Pró-reitoria de Extensão. Ao longo de sua trajetória as avaliações concedidas são de grau máximo o que confere apoio para a condução das atividades com a presença de bolsistas de extensão. Para além disto, o tema vem sendo analisado e trabalhos de conclusão de curso inauguram a sistematização do processo de avaliação dos dados produzidos no interior do projeto. Recentemente, foi produzido filme curto que compila avaliação das atividades pelos participantes https://www.canva.com/design/DAExJ8cyedo/CgFHsYm8T4han5cVUymqyQ/edit.
3.9 Relevância: Na avaliação das/os responsáveis, essa experiência contribuiu para algum nível de mudança/melhoria da realidade alimentar e nutricional das pessoas envolvidas; e/ou gerou experiência/conhecimento que pode contribuir para a prática de EAN em outros momentos e realidades
A contribuição da experiência acumulada no PROANE mostra que os participantes passam a ter uma perspectiva mais crítica frente às questões alimentares e nutricionais no seu cotidiano. Assumem papel protagonista inclusive apoiando mais seu círculo de convívio no que se refere a compra e escolha de itens alimentares. A percepção crítica dos alimentos, sobretudo no que se refere à origem e aos produtos industrializados leva a aquisição mais consciente. A metodologia empregada no PROANE pode ser adaptada para outras realidades. Ação que vem sendo estimulada pelas parcerias nacionais e internacionais que têm sido criadas.

4. RELATO RESUMIDO DA EXPERIÊNCIA

Relato resumido da experiência
As ações comunitárias do PROANE no campo da saúde, alimentação, nutrição e envelhecimento possibilitam a materialização da interação harmônica das funções da Universidade: extensão, ensino e pesquisa. Ação extensionista cadastrada na PR3 da UERJ – sob o número 1159 é anualmente avaliada e, ao longo de seus 29 anos de existência sempre contou com excelente apreciação, o que tem garantido a longevidade e sustentabilidade das ações. Dados do cadastramento das ações contendo descrição mais detalhada do que vem sendo desenvolvido se encontra disponível a partir do ano de 2010 (Pró-Reitoria de Extensão da UERJ – http://www.sistemasextensao.uerj.br/consulta_web_siext/f/t/consultaprojetosel) ). A complexidade alimentar e nutricional do cotidiano propulsiona o processo de aquisição e desenvolvimento de novas tecnologias educacionais para a promoção da saúde e da alimentação adequada e saudável para o público idoso. As atividades desenvolvidas no interior do PROANE incluem ações individuais e coletivas, presenciais e remotas, síncronas e assíncronas. Os estudantes de nutrição e profissionais de saúde, sobretudo nutricionistas, pós-graduandos (residentes, mestrandos e doutorandos) trabalham conjuntamente para produzir, coordenar, avaliar e disseminar os resultados das ações educativas desenvolvidas com idosos. Os idosos são protagonistas e dão norte quanto à temática e formato de atividade a ser desenvolvida. Nos primórdios do PROANE eram oferecidas palestras pontuais e esporádicas com professores dos diferentes departamentos do Instituto de Nutrição da UERJ. Os temas focavam a nutrição/alimentação/alimentos, com a proposta de aplicação prática no cotidiano de vida do idoso: orientação para compras, técnicas de manipulação de alimentos, aproveitamento de resíduos de hortaliças e frutas. O modelo da atividade veio evoluindo, se estruturando como um curso com aulas semanais e duração semestral. Posteriormente o curso passou a ser anual. Atualmente, os temas no curso, principal atividade do PROANE, organizam-se de forma a possibilitar a discussão ampliada sobre alimentação, nutrição e complexidade das práticas alimentares explorando as diferentes dimensões – do âmbito biológico ao sócio-cultural. Neste contexto discute-se a situação alimentar e nutricional da atualidade, a formação dos hábitos alimentares, economia, cultura, mídia, marketing, rotulagem nutricional e os conceitos de alimentação adequada e saudável no contexto da modernidade. As mudanças relativas ao processo de envelhecimento também entram no debate. Os diferentes grupos alimentares (óleos e gorduras; carnes; ovos; leite e derivados; cereais; leguminosas; açúcares e adoçantes; frutas, legumes e verduras; temperos etc. também são colocados em pauta, com destaque para a culinária. O tema do alimento no contexto da cidade tem sido o eixo da discussão onde são também abordados aspectos do sistema alimentar e os impactos da caracterização dos alimentos como commodities – impactos dos sistemas alimentares não saudáveis na ordem planetária e a ausência de sustentabilidade destes processos são postos em pauta na discussão. Temos investido no conhecimento dos alimentos, do valor nutritivo e cultural, da transformação do alimento em comida e das receitas tradicionais trazidas pelos idosos. O trabalho é conduzido tendo em vista reelaborar a intervenção em alimentação, marcando o espaço da relação do homem com a comida ao invés da sua relação com a doença. Além disso, visamos o desenvolvimento de um senso crítico frente às informações e mudanças culturais ocorridas (novos modos de produção, compra, conservação, preparo e consumo; novos padrões de beleza), que caracterizam o que hoje se denomina de sociedade da “imagem” e de “consumo”. Assim, as estratégias metodológicas privilegiam a conversa, a alegria, o prazer, gerando momentos produtores de reflexão e transformação. Abre-se espaço para troca de saberes e experiências. Valoriza-se o lúdico (jogos), a construção compartilhada de conhecimento (painel, discussão em grupo), as representações sobre o comer (“um alimento, uma situação social”; “uma fruta, uma história”) e a vivência cotidiana com o alimento (experimentação, degustação, análise sensorial, oficina culinária, passeios guiados). (Menezes et al, 2021 – ref LIVRO), eixos que exemplificam como o trabalho é desenvolvido. Após cada encontro, materiais educativos são produzidos incorporando os aspectos discutidos pelo grupo. Material que vem incorporando diferentes linguagens midiáticas sendo materializados como folders, livretos, vídeos e outros recursos áudio-visuais. Além do curso, o PROANE também desenvolve como ação educativa eventos e foca na produção de mídias digitais, atividade que se expandiu graças ao momento de distanciamento social. Hoje, os materiais didáticos antes centrados na produção de materiais impressos ganham outras formas de expressão. A produção de conteúdo para as redes sociais incorporando a perspectiva da educação popular em saúde é seara que vem sendo ampliada e disseminada tendo o público idosos como público a ser instrumentalizado e conquistado. Os eventos ampliados têm público diverso e por vezes ampliado, seja de idosos e/ou profissionais. Estas atividades práticas materializam vivências associadas aos temas trabalhados pelo PROANE e/ou oportunidades de treinamento profissional para discutir ações direcionadas aos idosos. Ações registrados na UERJ, disponíveis em: http://www.sistemasextensao.uerj.br/consulta_web_siext/f/t/consultawebeventossel A produção das práticas educativas inclui o planejamento, a execução e avaliação da atividade. O planejamento das atividades envolve inúmeras etapas e requer uma organização prévia e bastante cuidadosa. Os dados são estruturados em formulário próprio que contempla a descrição do tema, objetivos, conteúdo a ser trabalhado, metodologia, recursos necessários para realização da aula, registro da atividade, avaliação por parte da equipe e indicação de referências bibliográficas que fundamentam a estruturação da atividade. No caso das oficinas culinárias, estas etapas incluem selecionar e testar receitas, elaborar lista de compras de gêneros alimentícios e materiais, identificar os equipamentos e utensílios necessários, disponibilizar os ingredientes previamente quantificados e materiais para cada receita. A etapa de avaliação é realizada pela equipe ao final de cada aula/atividade e pelos idosos ao final do curso através da entrevista final que contempla um módulo específico no qual os participantes analisam a proposta como um todo. De forma não estruturada, o feedback das ações se dá através dos canais de comunicação do projeto. O WhatsApp vem crescendo como instrumento de comunicação e nele também são frequentemente registrados anseios, dúvidas e elogios às ações que o PROANE oferece. O processo avaliativo é processual e de impacto (ao final do curso). Da parte da equipe coordenadora das ações, durante todo o curso ocorrem reuniões de avaliação e planejamento. Estes encontros servem para discutir os temas, definir os objetivos, selecionar conteúdos, estratégias e recursos didáticos, à luz do referencial teórico e perfil da turma/grupo sujeito da ação. Ao longo das ações armazenam-se fotos e/ou pequenos vídeos, parte do acervo digital, que pode ser consultado para recordar o que foi feito, servir de base para reedição da atividade em outro momento e garantir o registro da história do curso. Neste ano, a pedido dos participantes das ações remotas, vem sendo oportunizada a criação de conteúdo para canal privado das ações. Esta demanda surgiu dos idosos por ocasião da discussão participativa do plano do curso para 2022. Assim nasceu o canal do YouTube onde são depositados registros filmados das aulas, pequenos vídeos e outros materiais mais dinâmicos que as fotos. Todo o percurso para a produção e disseminação das informações produzidas no interior das atividades é delineada mediante o consentimento informado de todos os participantes.

5. DOCUMENTOS

5.1 Campo para inserção de arquivo de imagens que documentaram a experiência