APSREDES

Resultado Preliminar
1.1 Título da experiência

DIREITO HUMANO À ALIMENTAÇÃO ADEQUADA PARA POPULAÇÕES INVISIBILIZADAS: UMA REALIDADE DOS GRAMACHINHOS

1.2 Autores(as) da experiência

Nome Cargo/Função Município
Verônica Oliveira Professora magistério superior Rio de Janeiro
Maria Claudia da Veiga Soares Carvalho Professora magistério superior Rio de Janeiro
Taís de Souza Lopes Professora magistério superior Rio de Janeiro
Jéssica Rocha da Silva Aluna do curso de Nutrição do Instituto de Nutrição Josué de Castro - UFRJ Rio de Janeiro
Beatriz de Amorim Oliveira Aluna do curso de Nutrição do Instituto de Nutrição Josué de Castro - UFRJ Rio de Janeiro
Ian Ashilei Castro Silva Aluno do curso de Nutrição do Instituto de Nutrição Josué de Castro - UFRJ Rio de Janeiro
Evelyn Cristina Nunes Dias Aluna da Escola de Educação Física e Desportos – EEFD/ UFRJ Rio de Janeiro

1.3 Organização(ções)/Instituição(ções) promotora(s) da experiência

Organização/Instituição
- Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Associação Projeto Gramachinhos

1.4 Cidade(s) e Estado (s)

Estado Cidade
RJ Rio de Janeiro
RJ Duque de Caxias

1.5 Região do país

Sudeste

1.6 Identificação do(a) autor(a) responsável

Nome Cargo/Função Município
Verônica Oliveira Professora magistério superior Rio de Janeiro

1.7 Eixo temático da experiência

Eixo 2 - EAN no campo da Educação

1.8 Público participante da experiência

AdolescentesCrianças - 5 a 10 anos

1.9 Onde esta experiência foi desenvolvida

saúde
ASSISTÊNCIA SOCIAL
EDUCAÇÃO
Universidade
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
OUTROS
Organização Sócio-Assistencial
1.10 Na avaliação do grupo responsável esta experiência atendeu e/ou promoveu os seguintes princípios
todas as pessoas têm o direito de estarem livres da fome
todas as pessoas têm o direito de ter acesso à alimentação adequada saudável
universalidade
integralidade
equidade
participação social

Por favor justifique/comente sua resposta

As ações de EAN no projeto de extensão em tela são fundamentadas e construídas considerando os princípios apontados acima, a partir da compreensão que o público envolvido encontra-se em um contexto de extrema pobreza. E, nesse sentido, sob a perspectiva da educação, é urgente pautar o tema alimentação com estes sujeitos, para além da ótica do consumo da comida (saudável), de modo a estimular o debate e a reflexão, enquanto campo político, (re)apresentando direitos constitucionais, como o de comer. As experiências de educação alimentar na relação universidade-comunidade com este grupo social, moradores do Antigo Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, amplamente conhecido como ‘antigo Lixão de Gramacho’, pela complexidade do contexto, nos impele a agir de modo que a equidade, a integralidade e a universalidade sejam princípios valorizados e respeitados. Para tanto, há de se considerar a realidade social, cultural e familiar, a fim de dar sentido às práticas de saúde em torno da comida. E, por meio de um processo de troca e construção coletiva, é inerente o desvelar da vulnerabilidade social imposta a esses sujeitos e, portanto, práticas educativas pensadas e desenvolvidas com e para essas crianças e adolescentes se tornam estratégias para atenuar a desigualdade em seus diversos aspectos (social, cultural e econômico). A Associação Projeto Gramachinhos, parceira da Universidade nesta ação extensionista, compreende o direito das crianças e adolescentes, atendidas no contraturno escolar, de estarem livres da fome e assume a necessidade de contribuir com a alimentação. E, por isso, tem como procedimento, a distribuição mensal de cestas básicas, quinzenal de pequenos kits e diária de almoço.

2. OBJETIVOS E PRINCÍPIOS RELACIONADOS À EXPERIÊNCIA

2.1 Objetivo(s): Qual é/foi a finalidade das atividades desenvolvidas

O objetivo central das atividades realizadas (ou em planejamento) é o de buscar caminhos possíveis para alcançar o Direito Humano à Alimentação Adequada para os gramachinhos*, a partir de uma interação dialógica com o público, considerando a realidade sociopolítica e econômica e tendo como pilar um arcabouço técnico e científico do campo da Alimentação e Nutrição e das Humanidades, bem como os saberes construídos no contexto da ação extensionista. *termo utilizado fazendo alusão ao público infantojuvenil residente na comunidade. Outros objetivos: • Buscar o diálogo com a comunidade, a fim de compreender as questões sociais, ambientais e políticas que envolvem e, de certa forma, determinam a realidade desta comunidade em Jardim Gramacho, dando destaque ao DHAA; • Interagir com crianças, adolescentes e familiares, visando a (re)construção de práticas alimentares, a fim de cooperar para a transformação da realidade cotidiana; • Promover a discussão de temas que circundam a alimentação adequada, saudável e sustentável, enquanto tema central; • Criar ações de educação alimentar e nutricional como prática emancipatória e de autocuidado. • Realizar atividades práticas, como oficinas culinárias, com vistas a uma alimentação adequada, saudável e sustentável; • Incentivar o discente de graduação, de diferentes cursos, a refletir sobre questões sociais que influenciam na alimentação dos sujeitos e, deste modo, contextualizar o conhecimento teórico na realidade social e vice-versa; • Consolidar a parceria entre a Associação e a UFRJ, por meio de atividades extensionistas, sendo a pesquisa e o ensino eixos vinculados e indissociáveis nessa cooperação.

2.2 Os objetivos e as atividades desenvolvidas adotaram de maneira explícita algum ou alguns dos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para Políticas Públicas

I - Sustentabilidade social, ambiental e econômica
II- Abordagem do sistema alimentar, na sua integralidade
III- Valorização da cultura alimentar local e respeito à diversidade de opiniões e perspectivas, considerando a legitimidade dos saberes de diferentes naturezas
IV- A comida e o alimento como referências; Valorização da culinária enquanto prática emancipatória
V- A Promoção do autocuidado e da autonomia
VI- A Educação enquanto processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos
VII- A diversidade nos cenários de prática
2.3 Quais temas/diretrizes dos Guias Alimentares para População Brasileira e/ou para Crianças brasileiras menores de 2 anos são/foram abordados na experiência?
Os principais grupos temáticos trabalhados no conjunto das ações de EAN, de alguma maneira, estão conectados ao escopo das atividades, ora ou outra um se destaca com mais evidência. De modo integrado, o grau e natureza do processamento de alimentos, aliados à abordagem do sistema alimentar por meio da valorização da culinária e de outras dinâmicas lúdicas e criativas, incitaram a experimentação e reflexão em consonância com o DHAA.
2.4 Vocês consideram que esta experiência pode contribuir de maneira direta ou indireta a um ou mais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ?
ODS 2 - Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
ODS 3 - Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
ODS 4- Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
ODS 10 - Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles
ODS 16 - Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis

3. ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA

3.1 Como foi identificada a necessidade de realização desta experiência
A implementação desta ação extensionista se origina de uma série de motivadores, como: a importância de se conectar com uma população mais jovem, em formação cidadã, na expectativa de antecipar a participação social desses sujeitos nas questões territoriais; a escassez de ações universitárias nesse campo, cujo eixo temático seja a alimentação e, principalmente, a completa ausência do Estado na região por meio da omissão de serviços públicos essenciais à população, como saúde e educação. Nesse sentido, distante da intenção de solucionar os graves problemas históricos de infraestrutura e assistência, esta experiência incumbe-se de expor, por meio de diversas possibilidades, o conceito DHAA, a fim de construir coletivamente alguns caminhos com potencial para autonomia e emancipação de sujeitos ou da própria coletividade, tendo na comida o ‘ponto de partida’ para pensar a vida.
3.2 Foi realizado algum diagnóstico da situação (observação da realidade, levantamento de demandas junto ao público etc) antes de iniciar a experiência
Sim
descreva rapidamente
A vivência no campo iniciou-se no ano de 2017, por meio da participação da autora responsável pela presente submissão, nas atividades de rotina da Associação Projeto Gramachinhos. Assim, o interesse pessoal de estar naquele lugar foi reconfigurado, assumindo um papel institucional mediante a incorporação de um projeto de extensão aprovado e fomentado pela Universidade. Desse modo, com a inclusão de estudantes nesse eixo acadêmico, optamos em aproximar-nos da comunidade com ações que pudessem incluir os sujeitos acadêmicos à rotina das atividades da instituição parceira em Jardim Gramacho. Sob essa perspectiva, compreendemos que a realidade social enquadra-se numa classificação de extrema pobreza e, portanto, os gestores da Associação, ocasionalmente, têm a prática de inserir serviços voluntários que atenuam algumas questões representantes da vulnerabilidade na comunidade. Atualmente são esses os serviços adotados: distribuição diária de 300 refeições, elaboradas a partir de insumos doados e representando para muitas crianças a única do dia; distribuição de cestas básicas; aulas de arte, biblioteca comunitária, reforço escolar e outras. Nesse sentido, nossas experiências e ações iniciaram pelo reconhecimento do território, moradores e suas casas, ruas e comércio. Mas, a fim de organizar um modo compatível entre os agentes da estrutura acadêmica e a dinâmica local, optamos em integrar-nos à equipe de reforço escolar da Associação e, à vista disso, as práticas de EAN foram, intrinsecamente, associadas a essas aulas, que acontecem em contraturno escolar. Os sujeitos acadêmicos, portanto, passaram a ocupar um espaço de voluntários nessa função educativa/formativa, ainda que seja de modo não formal. Em resumo, entendemos que toda vivência, tenha ela ocorrido num primeiro momento ou de modo cíclico a cada atividade, proporciona a possibilidade de mergulho no campo, por meio da observação ativa dos modos de existir, ressignificando sentidos e proporcionando redirecionamentos de ações educativas que sejam representativas para as crianças e adolescentes da região.
3.3 Como foram definidos as prioridades e objetivos da experiência
As prioridades e objetivos foram definidos e articulados de acordo com as possibilidades de infraestrutura, seja na sede da Associação ou no âmbito da UFRJ, para execução das ações. Como nosso ponto de partida foi integrar os momentos de reforço escolar, elencamos e criamos estratégicas lúdicas capazes de incorporar disciplinas do contexto das Ciências Humanas, da Natureza, da Matemática e das Linguagens. Há de se relevar que a compreensão dos fenômenos no escopo dessas matérias pode ser facilitada se o contexto pessoal dos sujeitos e suas vivências forem considerados por meio de ações concretas, de modo a valorizar a interação com o outro e com a realidade. Portanto, os jogos, as oficinas culinárias e as dinâmicas projetadas e executadas, buscam materializar as prioridades e os objetivos no âmbito das ações de EAN no projeto em tela, com ênfase na interseção entre os campos da Alimentação e Educação.
3.4 Os sujeitos da ação participaram das etapas de planejamento da experiência?
Sim
sim, em quais etapas e como participaram ?
Na realidade, após um primeiro período de interação entre os sujeitos acadêmicos e não acadêmicos, iniciamos as ações de modo propositivo. No entanto, em um processo contínuo de avaliação (formativa), valorizamos as narrativas como estratégia de escuta, a fim de redimensionar e adaptar ações vindouras. Sob essa égide, recorrentemente, em meio ao convívio com o público, as falas são estimuladas e novos planejamentos podem vir à existência.
3.5 Foram desenvolvidas metodologias ativas como estratégias pedagógicas para a EAN
Sim
Se sim, indique a(s) metodologia(s) com uma breve descrição
Algumas estratégias pedagógicas utilizadas no contexto das metodologias ativas foram: rodas de conversas, oficinas culinárias, exposição dialógica e jogos interativos. Para tanto, temas tangentes à alimentação, adaptados ao contexto, são centrais nessas interações educativas.
3.6 Foram utilizados recursos materiais nas atividades desenvolvidas
Sim
sim, quais recursos?
Para cada atividade foram utilizados materiais específicos, a fim de atender os objetivos propostos. De um modo geral, diferentes tipos de papéis, TNT, lápis, cola, tinta, caneta para quadro, alimentos in natura, plástico adesivo, projetor, isopor, algodão, dentre outros, utilizadas para o desenvolvimento de jogo de tabuleiro, jogo com cartas, dinâmicas sensoriais, desenhos e atividades Para as oficinas culinárias todo tipo de materiais, insumos e utensílios necessários para este fim. Algumas fotos em anexo podem melhor elucidar os materiais.
3.7 Sua experiência se configura no desenvolvimento de materiais educativos e desenvolvimento de tecnologias sociais a serem aplicados por outros profissionais?
sim
Descreva sobre o material/tecnologia social
Todas as abordagens educativas foram (e são) conduzidas de modo a estimular o envolvimento das crianças e adolescentes e não seu desenvolvimento. Nesse caminho entendemos que as práticas se constituem o lugar de refletir sobre comida e pertencimento, comida e coletividade, comida e acesso, comida e formação, comida e direitos. Propositalmente, repetimos ‘comida’, a fim de ecoar que, o que falta no território está conectado à sobrevivência e, essa comida carrega em si, seja pela sua ausência ou presença, a potência de iluminar questões sociais e políticas que impõem a fome e a escassez. Diante de tal realidade, valorizar a inclusão de sujeitos que não tem poder de escolha sobre o que vai comer, requer sensibilidade na elaboração de quaisquer materiais educativos, a fim de não expor as ações por uma ótica que não seja reconhecida ou faça sentido para o público. Assim, estamos em fase de finalização de um produto digital, a partir das vivências em Jardim Gramacho, a fim de instrumentalizar outros educadores, de forma que possibilite reflexões em torno da segurança alimentar e nutricional (SAN) e do DHAA para populações cujo perfil se assemelhe ao grupo aqui representado. Para tanto, as ações desenvolvidas explicitaram resultados de processo (matriz oficina pedagógico-culinária para jovens) e de produto (e-book) na gestão de alternativas alimentares partilhadas em territórios vulneráveis, consolidados em um mesmo material digital. O escopo dessa matriz está fundamentado na simplicidade dos ingredientes culinários, facilitando o acesso e a cultura local. Concomitantemente, cumpre objetivos educativos a partir da integração de conteúdos de disciplinas do currículo escolar do ensino básico com as atividades do cotidiano alimentar alicerçados na experimentação. As ações estão retratadas no e-book estruturadas em capítulos com todas as atividades educativas, receitas culinárias doces e salgadas. Na descrição das atividades há uma sistematização com a indicação de materiais necessários, modo de execução e imagens representativas. Para registro das receitas culinárias foram considerados os ingredientes, o modo de preparo e as imagens.
3.8 Como a experiência foi avaliada e quais os resultados obtidos
As técnicas de observação são priorizadas pelos sujeitos acadêmicos, especialmente com o público infantojuvenil, pois viabilizam que as reações do grupo sejam menos influenciadas por rígidos arquétipos de uma estrutura educativa tradicional, a qual dá destaque para avaliações somativas. Nesse sentido, optamos por estimular narrativas, proporcionando espaços para o público expressar, opinar, criticar e refletir sobre a vivência, o que pode acontecer por meio de rodas de conversa antes e após as atividades. Curiosamente, alguns relatos iniciais de crianças e adolescentes nas experiências culinárias, ao perceberem alguns gêneros alimentícios dentre os ingredientes, expressam pensamentos como “Isso eu não vou comer não”. No entanto, após a execução das preparações com participação ativa do público e a degustação, identificamos falas que sugerem mudança na percepção advinda da experimentação, como “O lá de casa não é gostoso assim não” ou “Tia, repete isso sempre?” Desse modo, compreendemos que a escuta e a interação dialógica são canais presentes em métodos qualitativos mais harmônicos com a natureza das atividades de EAN em destaque no presente trabalho.
3.9 Relevância: Na avaliação das/os responsáveis, essa experiência contribuiu para algum nível de mudança/melhoria da realidade alimentar e nutricional das pessoas envolvidas; e/ou gerou experiência/conhecimento que pode contribuir para a prática de EAN em outros momentos e realidades
Toda experiência educativa tem seus desafios para identificar um resultado imediato ou quantificável, portanto para além dessa compreensão, assumimos como referência nas ações de EAN deste projeto que “a educação é um processo permanente e gerador de autonomia e participação ativa e informada dos sujeitos” (Princípio VI do Marco de EAN). E, nesse sentido, com destaque para expressão ‘processo permanente’, afirmamos o grande potencial de essas atividades contribuírem para alguma forma de mudança da realidade alimentar e nutricional dos sujeitos. Contudo, urge retomar que a concepção que antecede todas as estratégias executadas no seio desta atividade extensionista, é a inclusão de sujeitos invisibilizados por um histórico processo de marginalização, mantidos em um cenário de vulnerabilidade e distante de todos os direitos constitucionais. Dito isso, reafirmamos que a melhoria alimentar colocada na questão está para além do consumo de uma alimentação saudável e, de modo não excludente, consideramos premente potencializar sujeitos que despertem para caminhos de emancipação e autonomia, tendo na comida e em suas dimensões sociais, políticas e simbólicas um alicerce para re(conquistar) a cidadania. Decerto, há possibilidade das ações de EAN serem reproduzidas em outros espaços/instituições, provavelmente, com adaptações, que serão mínimas caso a população apresente o mesmo perfil nos aspectos de faixa etária e contexto social. Recomendações: – é importante um período de vivência com o público anterior a qualquer prática de EAN. – atividades culinárias deverão ser acompanhadas de um quantitativo de adultos suficiente para supervisão e orientação do público de adolescentes. – o planejamento deve prever a participação do público ou, minimamente, de representantes. – valorizar a construção coletiva (ou adaptação da atividade) como percurso para que o material (caso seja o caso de criá-lo) represente uma identidade.

4. RELATO RESUMIDO DA EXPERIÊNCIA

Relato resumido da experiência
Considerando as bases conceituais do Direito Humano e Alimentação Adequada (DHAA), o projeto de extensão universitária ‘DHAA para populações invisibilizadas: uma realidade dos gramachinhos’, busca através de metodologia participativa tornar aplicável a concepção de segurança alimentar e nutricional (SAN) ao contexto de extrema pobreza. Assim, partindo de experiência extensionista, realizada desde 2018 com o público infanto-juvenil residente no antigo aterro sanitário em Jardim Gramacho (Duque de Caxias-RJ), por meio de uma parceria com o Projeto Gramachinhos – Associação sem fins lucrativos, que atua na erradicação da fome e na educação infantil, foram desenvolvidas ações com resultado de processo (matriz oficina pedagógico-culinária para jovens) e de material digital (e-book) com visão compartilhada pesquisadores-comunidade para popularizar conhecimento em DHAA e SAN. A partir de abordagens didático-pedagógicas dialógicas e interativas, diversas atividades educativas em torno da comida e de suas dimensões sociais, políticas e simbólicas foram planejadas coletivamente, executadas com protagonismo do público e avaliadas sob a perspectiva formativa, caracterizada por ser uma avaliação processual, onde na execução das ações se percebe a apreensão e envolvimento do público. As estratégias executadas foram jogos lúdicos (elaborados manualmente), rodas de conversa, oficinas culinárias, dinâmicas e aulas expositivas e dialógicas, cujos materiais e organização foram dimensionados para cada um desses momentos. São resultados desse projeto, o processo educativo em alimentação, que se faz contínuo com uma nova matriz de oficina culinária, a Oficina de Comidaria, assim como também o produto digital resultante: um e-book com a participação da comunidade na construção dos detalhes, em linguagem acessível. As oficinas constam de preparação de lanches e refeições de modo partilhado com a comunidade, associado a conteúdo de DHAA e SAN incorporado em atividades pedagógicas paralelas à preparação, algumas dentre elas alinhadas com currículo escolar. Quanto ao livro co-editado, o lançamento do e-book está em fase de finalização. Por fim, espera-se com esse projeto que através da prática pedagógica e culinária dessas oficinas seja possível, compreendendo nossos direitos na interação universidade-comunidade, a gestão de alternativas alimentares partilhadas para territórios vulneráveis.

5. DOCUMENTOS

5.1 Campo para inserção de arquivo de imagens que documentaram a experiência
Campo para inserção de arquivo de documentos produzidos relacionados à experiência