Seminário de Inovação em Atenção Domiciliar traz reflexão sobre serviços no país

Atenção domicilicar

Possibilitar a troca de experiências e dar visibilidade às experiências que vêm sendo desenvolvidas pelos serviços de atenção domiciliar do Sistema Único de Saúde.  Estes foram os principais objetivos do Seminário Nacional do Laboratório de Inovação em Atenção Domiciliar, realizado nos dias 5 e 6 de dezembro, em Brasília. O Seminário contou com a participação de cerca de 120 profissionais de saúde que atuam nesta modalidade de atenção, inclusive representantes dos 10 serviços que tiveram trabalhos selecionados pelo Laboratório e que foram visitados nos meses de julho e agosto deste ano por equipes do Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde (MS), e do Laboratório, que é uma iniciativa conjunta do MS e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

O diretor do Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde, Hêider Pinto, destacou o caráter estratégico da atenção domiciliar, pelo papel de ligação nas redes de saúde, ao ter interface com vários outros pontos de atenção. “É um dispositivo qualificador de toda a rede, porque exige a interação e que a gente baseie nossas práticas em protocolos, com padrões de qualidade e de fluxo de usuários do serviço; e para isso esse laboratório é fundamental”, afirmou Pinto. Ele lembrou ainda a necessidade de fortalecimento da atenção básica, de maneira a ampliar a capacidade das equipes de saúde da família para absorverem os casos menos complexos da atenção domiciliar, como está previsto nas normativas do Programa Melhor em Casa. “Em breve teremos uma nova portaria com esse objetivo”, adiantou.

“A atenção domiciliar é um componente importante nos sistemas de saúde e a atenção primária não é só mais um nível de atenção, mas deve ser vista como uma filosofia de organização dos sistemas de saúde e também como uma estratégia de ação”, afirmou Julio Suarez, Coordenador da Unidade Técnica de Serviços de Saúde da OPAS , que deu as boas vindas aos participantes do Seminário e anunciou a participação de dois representantes da  Costa Rica, Stella Bolaños e Jimmy Romero, que conheceram as experiências brasileiras e apresentaram o funcionamento da atenção domiciliar em seu país. “A atenção domiciliar é um tema que está em discussão em quase todos os países das Américas, já que o domicílio é o melhor lugar para se oferecer a atenção em saúde”, disse Stella Bolaños.

Já a coordenadora-geral de Atenção Hospitalar do Ministério da Saúde, Ana Paula Cavalcanti, salientou o papel da atenção domiciliar na desospitalização de pacientes e na reflexão sobre os novos caminhos da atenção domiciliar no SUS. “A mudança na atenção hospitalar vai ser sinérgica com todos os movimentos de desospitalização, de aumento da oferta de atenção nos hospitais dia, para onde estão caminhando outros países”, afirmou. Ela anunciou para breve a publicação da nova Política Nacional de Atenção Hospitalar, “que vai dar um norte para este nível de atenção, para dizer o que queremos desses hospitais, o que é um hospital e o que é um hospital para o SUS”.

Ana Cavalcanti afirmou que algumas das prioridades para 2014 são trabalhar com cuidados paliativos em todos os pontos de atenção, revisar as políticas para hospitais-dia e integração das unidades de cuidados prolongados com os cuidados paliativos e com a atenção domiciliar. “Também estamos fazendo uma pesquisa censitária entre os hospitais de pequeno porte do país, aqueles que têm menos de 50 leitos, e é provável que muitos dos pacientes que estão nestas unidades poderiam estar na atenção domiciliar, em unidades de cuidados prolongados  na própria atenção básica, ou atendidos no hospital-dia; com esse diagnóstico, poderemos dar um outro rumo para estes hospitais, para que de fato integrem a rede”, acrescentou.

O coordenador-geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Aristides de Oliveira, apresentou um balanço dos avanços do programa Melhor em Casa e apresentou um histórico da atenção domiciliar no Brasil e no mundo, enumerando alguns dos desafios da atenção domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde. “Precisamos oferecer cada vez mais esta modalidade de atenção na rede de urgência e emergência, antes que o paciente seja internado, criar uma política voltada para os cuidadores e buscar saídas para casos complexos como o de pacientes que precisam de ventilação mecânica invasiva”, afirmou.

Ele lembrou ainda que a pesquisa de satisfação do usuário, realizada pela Ouvidoria Geral do SUS em 2012, demonstra que a população aprova a iniciativa e anunciou para o primeiro semestre de 2014 o lançamento de novos módulos do curso de atenção domiciliar que está sendo oferecido pela Universidade Aberta do SUS (UnaSUS).

A coordenadora do Laboratório de Inovação em Atenção Domiciliar, Maria Helena Brandão, lembrou que a própria atenção domiciliar já é uma inovação no Sistema Único de Saúde e comemorou o fato de as visitas aos serviços de saúde selecionados pelo laboratório ter provocado uma reflexão entre profissionais e gestores, o que representou avanços inclusive na estrutura destes serviços, a partir do reconhecimento dos gestores sobre a resolutividade da atenção domiciliar. “É importante destacar também a força vital destes profissionais, algo que também é muito inovador no SUS e que pode contagiar outros níveis de atenção”, afirmou a coordenadora.

Antes da apresentação e discussão dos trabalhos selecionados, a enfermeira Kenia Lara Silva apresentou alguns dos resultados de duas décadas do trabalho de pesquisa que vem sendo desenvolvido na Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre serviços de atenção domiciliar em funcionamento no Brasil e no mundo, que ajudaram na elaboração de uma política para o país. Entre os pontos destacados, a importância do cuidador para a efetividade do trabalho no domicílio dos pacientes. “Sem os cuidadores, os serviços não avançam e é importante discutir os custos da contribuição destes cuidadores nas famílias, para que possamos criar formas de compensação legal por este cuidado”, defendeu a pesquisadora.

Confira as apresentações do Seminário Nacional do Laboratório de Inovação em Atenção Domiciliar:

A Atenção Domiciliar no Brasil – Aristides Oliveira

Atenção Domiciliar- Avanços e Perspectivas para os Sistemas Públicos de Saúde – Kenia Lara

 

1º mesa : Práticas de Cuidado em Atenção Domiciliar

SMS de Volta Redonda – Preparo do Corpo – Ritual de Passagem Sagrado

SMS de Betim – Internação Domiciliar: Experiência de um município de Minas Gerais

 

2º mesa : Práticas de gestão em Atenção Domiciliar

SMS de São Bernardo do Campo - Sistema de Classificação de Pacientes: Ferramenta qualificadora do acesso, equidade e integralidade do cuidado na Atenção Domiciliar.

SMS de Cascavel: A inserção do acadêmico de medicina no âmbito da atenção domiciliar; A importância do trabalho em equipe na AD.

SMS do Rio de Janeiro – A experiência da Atenção Domiciliar no município do Rio de Janeiro

Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre – Procedimento Operacional Padrão em Atenção Domiciliar

 

3º mesa : Práticas de gestão em Atenção Domiciliar

SMS de Embu das Artes – Construindo em Rede e Logística, um desafio para AD

SMS de Angra dos Reis – Gráfico Individual de Itinerário Terapêutico (GRITE), um instrumento de otimização gerencial para a gestão do cuidado em Assistência Domiciliar

Distrito Federal – Prontuário Domiciliar.

Apresentação de Costa Rica, participação internacional no Seminário de Atenção Domiciliar.

 

4º mesa : Práticas de gestão em Atenção Domiciliar

Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre:

  • Triagem de risco nutricional em pacientes atendidos por um Programa de Atenção Domiciliar no SUS
  • Treinamento sobre aspiração e higiene de vias aéreas superiores e traqueostomia
  • Antibioticoterapia endovenosa no domicilio: a experiência do Programa de Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição.

UFBA e SMS de Salvador – A atuação domiciliar na situação de crise

SMS de Cascavel:

SES do Distrito Federal – Matriciamento Pediátrico na AD do Distrito Federal

SMS de Embu das Artes – Cuidados paliativos e óbito no lar

 



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