Revista Ciência & Saúde Coletiva discute os 30 anos do SUS: avanços, limites e desafios

Neste conturbado ano de 2018, o Brasil comemora duas efemérides: os 30 anos da Carta Magna, a Constituição Cidadã, e os 30 anos do SUS. Para brindar essa última data, a Revista Ciência & Saúde Coletiva apresenta a suas leitoras e a seus leitores um material muito rico e diversificado que discute os avanços, os limites e os desafios enfrentados pelo SUS ao longo das últimas três décadas. Nesta edição temática, o Sistema Único de Saúde é esquadrinhado das mais diferentes formas em suas qualidades e deficiências.

Quanto aos méritos, existem dados concretos e consensos sobre o crescimento exponencial do número de equipamentos públicos, de serviços, de atendimentos e de diminuição de doenças tanto infecciosas como crônicas. É impressionante observar o quanto um sistema universal, ainda que imperfeito e cheio de falhas em sua implementação, consegue dar respostas efetivas – que obviamente devem ser analisadas junto com outros fatores – na expressiva diminuição da mortalidade infantil, no aumento substantivo da expectativa de vida, na eliminação ou erradicação de doenças, na implementação de uma série de políticas específicas vinculadas aos direitos humanos e sociais e em ações efetivas de promoção da saúde.

Nos 40 textos que compõem esta edição, o leitor encontrará também análises críticas e até ácidas sobre os problemas profundos e estruturais do Sistema. Dentre as dificuldades, são unânimes os estudos que assinalam o subfinanciamento que acompanha o processo de sua implantação e implementação durante todos esses 30 anos; as questões de gestão dentre as quais, o excessivo poder centralizador federal e problemas na organização e sustentabilidade dos serviços nos estados e municípios; a falta de uma política efetiva de recursos humanos; a cultura hospitalocêntrica que ainda persiste; e a mentalidade privatista que atua maldizendo e flagelando as tentativas de crescimento do SUS que nasceu na contramão da vigência internacional da proposta neoliberal.

Apesar de haver consenso sobre os avanços alcançados e sobre os problemas estruturais que minam as imensas potencialidades do SUS, esta edição é uma amostra da pluraridade de diagnósticos, de interpretações e de propostas que provêm dos dados apresentados pelos mais de 100 autores, a respeito dos temas que debateram e compõem o caleidoscópio do SUS. Essa polissemia nalgum momento precisa resolver o dilema de Alice, – “todos os caminhos estão abertos, por isso não há como indicar a direção”- escolhendo uma via e reforçando um movimento que preserve o SUS e contribua para traçar seu futuro cada vez mais adequado e promissor, ao interior das políticas sociais do país. 

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Fonte – www.cienciaesaudecoletiva.com.br