Resultado final do Laboratório de Inovação sobre a Participação Social na Atenção Integral à Saúde das Mulheres

A comissão julgadora definiu que as seis experiências visitadas em junho são finalistas do Laboratório de Inovação sobre a Participação Social na Atenção Integral à Saúde das Mulheres. Cinco delas são desenvolvidos por universidades e instituto de pesquisa e a outra é uma iniciativa de uma penitenciaria feminina. Representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e do Conselho Nacional de Saúde viajaram para o Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Piauí e Ceará para conhecer o impacto das práticas no acesso à saúde de mulheres em situação de vulnerabilidade.

“A seleção dessas experiências inclusivas de atenção à saúde, realizadas em regiões menos favorecidas, subsidiará as discussões de uma implementação mais eficaz da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres”, explica Alejandra Carrillo, consultora da OPAS e coordenadora do Portal da Inovação em Saúde. As seis iniciativas são convidadas do Conselho Nacional de Saúde para apresentarem suas expertises na 2a Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, no dia 18 de agosto, em Brasília, além de serem sistematizadas pelo Laboratório de Inovação e divulgadas por meio da série técnica NavegadorSUS. A publicação está sob a responsabilidade de uma equipe de pesquisadores da ENSP/ Fiocruz, sob a coordenação da Dra. Jeni Vaitsman.

O Laboratório de Inovação recebeu 22 inscrições e apenas seis projetos foram para a segunda etapa de avaliação, que previa a visita técnica in loco. O edital foi lançado em fevereiro pela OPAS e CNS e ficou um mês com as inscrições abertas, devido a proximidade da 2a Conferência.

Conheça as práticas finalistas:

Projeto TransformaDor: parir com amor, sem violência, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Pará.

O Projeto de extensão TransformaDor: parir com amor, sem violência, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Pará, foi aplicado em 2016 durante as reuniões de pré-Natal em grávidas atendidas na Unidade Básica de Saúde de Pratinha, periferia de Belém/PA, e com estudantes grávidas da UFPA. Por meio do empoderamento das mulheres, o projeto visa o combater as diversas formas de violência obstétrica. A iniciativa prevê a formação de profissionais e de estudantes para atuarem como agentes multiplicadores no enfrentamento à violência obstétrica; a construção de parcerias com instituições de defesa dos direitos das mulheres; e a criação de um grupo de apoio às grávidas na unidade de saúde da Pratinha. “Foi inovador a metodologia utilizada nestes encontros com a realização de danças circulares, massagens, seções de relaxamento onde as informações sobre o direito delas de parir sem violência eram repassadas de forma afetiva. Também foi inovador o número de atores envolvidos no projeto, de voluntários como atriz, doula, alunos medicina, de enfermagem, de pedagogia”, conta Edna Abreu, professora do Instituto de Ciências da Educação da UFPA, autora do projeto.

Mulheres da AP2.2: Grupos de convivência, educação em saúde e geração de renda nas unidades da ESF, do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em APS, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro com apoio da SMS RJ.

O projeto Mulheres da AP2.2 tem o artesanato como ferramenta de cuidado para mulheres em tratamento de saúde mental, desenvolvido em sete de unidades básicas de saúde da Grande Tijuca, bairro do Rio de Janeiro. O projeto visa atender uma demanda crescente na saúde pública, onde cerca de 40% de usuários atendidos na Estratégia Saúde da Família apresentam transtornos mentais, como a depressão. “A inovação foi a parceria com os Agentes Comunitários de Saúde que coordenam as reuniões de artesanato com as usuárias e recebem o apoio de psicólogos, inicialmente ligados à Universidade e depois substituídos pela equipe dos NASF (Núcleos de Apoio de Saúde da Família), ressaltando também o protagonismo das participantes”, explica Káren Athié, psicóloga da UERJ.

http://apsredes.org/tecnologias-de-cuidado-em-saude-para-mulheres-em-vulnerabilidade-social-fortalecem-atencao-primaria-em-belem-e-no-rio-de-janeiro/

https://www.facebook.com/lipaps.uerj

Projeto Barriguda, do Instituto Santos Dumont, do Rio Grande do Norte

Capoeiras, no município de Macaíba, é a maior comunidade quilombola do Rio Grande do Norte. Inclui aproximadamente 300 famílias com acesso limitado aos cuidados adequados à saúde. Com a estratégia da pesquisa-ação foi implantada, nessa comunidade, uma estratégia interprofissional de cuidado na atenção pré-natal que busca atender às necessidades identificadas para essa população específica, respeitando os valores, conhecimentos, saberes e cultura local. Com a participação de estudantes de Medicina, atuando em equipe multiprofissional (médico, enfermeira, fisioterapeuta, psicóloga e assistente social), os atendimentos são realizados semanalmente e precedidos por atividades de educação interprofissional em saúde que empregam tecnologias leves e valorizam o resgate histórico e cultural quilombola. Nomeado pelas próprias gestantes, o Barriguda faz referência à forma como a comunidade se refere ao Baobá, árvore de origem africana e reverenciada como símbolo de saúde, força, sabedoria, vida longa e beleza, além de representar a localização dos antigos quilombos no Brasil.

Saiba mais – http://www.facebook.com/isdnarede ou site (www.institutosantosdumont.org.br)

Projeto Ambulatório Trans de Sergipe Portas Abertas – Saúde Integral das pessoas Trans: cuidar e acolher, da Universidade Federal de Sergipe

Este projeto tem o objetivo de oferecer um ambulatório para atendimento integral da população Trans do estado de Sergipe e combater a transfobia institucional, em um ambiente de formação de futuros profissionais de saúde. Envolve os oito cursos da Universidade Federal de Sergipe/Campus de Lagarto: Medicina (endocrinologia, clínica médica e ginecologia); Nutrição; Fonoaudiologia; Fisioterapia; Terapia Ocupacional; Enfermagem; Farmácia e Odontologia, e também o Departamento de Psicologia da UFS/Campus de São Cristóvão/Aracaju. O projeto segue normativas do SUS e está articulado com as Secretarias de Saúde Estadual e Municipais. O envolvimento de um Agente Comunitário de Saúde que é pessoa Trans contribui na divulgação do ambulatório, por ser militante da ASTRA (Associação de Transexuais e Travestis de Sergipe), o que ajuda a identificar a população Trans. O ambulatório também trabalha com pessoas em situação de rua, que traz novas demandas, como o uso do silicone industrial e suas consequências na saúde das pessoas Trans.

https://www.facebook.com/SaudeIntegralTransLagarto/

Práticas de Cuidado em Saúde com Trabalhadas do Sexo: extensão universitária desenvolvida pelo Núcleo de Estudos sobre Drogas da Universidade do Ceará

As trabalhadoras do sexo da Barra do Ceará, periferia de Fortaleza, recebem orientação sobre promoção da saúde e redução de danos de estudantes e psicólogos do Núcleo de Estudos sobre Drogas (Nuced), da Universidade Federal do Ceará, por meio de uma disciplina curricular que articula instituições e fomenta novas abordagens de cuidado na comunidade. O projeto Práticas de Cuidado em Saúde com Trabalhadoras do Sexo: Extensão Universitária Desenvolvida pelo Nuced/Universidade Federal do Ceará (UFC) potencializa ações de saúde no território, integrando as atividades já realizadas por instituições do município, como o Instituto de Cultura, Arte, Ciência e Esporte – CUCA e o Posto de Saúde Lineu Jucá, e amplia o cuidado em saúde às profissionais do sexo. A busca ativa dessas mulheres e as dinâmicas em grupo contam com a parceria dos educadores sociais do Cuca e dos Agentes Comunitários de Saúde, também moradores da comunidade.

https://www.facebook.com/nucedufc/

Projeto Passo a Pássaro, da Penitenciária Feminina de Teresina, Piauí

Idealizado pela Secretaria de Justiça do Piauí e a Coordenadoria Estadual de Enfrentamento às Drogas, o projeto Passo a Pássaro, desenvolvido, atualmente, na Penitenciária Feminina de Teresina, tem como foco a execução de atividades voltadas à reabilitação de dependentes químicos no sistema prisional do Piauí. A Penitenciária Feminina de Teresina é a primeira unidade penal do Estado a receber o projeto. Através do Passo a Pássaro, são executadas intervenções de cuidado integral como tratamento para o tabagismo, prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), atendimento psicológico, médico e odontológico. Familiares das detentas também recebem atendimento.

http://www.sejus.pi.gov.br/

Por Vanessa Borges, para o Portal da Inovação na Gestão do SUS

Recommend to friends
  • gplus
  • pinterest

Leave a comment